segunda-feira, 24 de abril de 2017

Esperança de vida da próxima geração de portugueses será inferior à actual

A próxima geração de portugueses vai ter uma esperança de vida inferior à da actual geração, afirmou hoje Manuel Coelho e Silva, professor da Universidade de Coimbra, na apresentação de um estudo em Angra do Heroísmo, Açores.

“Actualmente, a longevidade situa-se entre os 78 e os 80 anos, mas vamos assistir ao longo das próximas décadas a uma regressão da longevidade da população portuguesa devido aos jovens com peso a mais, sedentarismo elevado e inaptidão cardio-respiratória”, afirmou.

Esta conclusão resulta de um estudo sobre 'Tendência secular de crescimento e bem-estar físico e psicológico na população jovem escolar da Região Autónoma dos Açores', realizado pela Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física da Universidade de Coimbra.

Manuel Coelho e Silva salientou que este estudo é um caso único no país e dos poucos a nível europeu, frisando em nos trabalhos realizados em 1988, 1998 e 2008 foram analisados quase cinco mil jovens das ilhas açorianas.

O trabalho hoje apresentado, relativo a 2008, abrangeu 1.700 crianças e permitiu concluir que “31 por cento tem sobrecarga ponderal (obesidade) e, entre estes, dois em cada três jovens associa o sedentarismo e a inaptidão cardio-respiratória”, revelou Manuel Coelho e Silva.

Na sequência destes resultados, o investigador aconselhou, tendo em conta a saúde pública, que “devem ser definidos objectivos para uma década”.

Por seu lado, António Gomes, director regional do Desporto, garantiu que o executivo açoriano vai continuar a apostar na "manutenção dos programas de actividade física da população em geral e dos atletas federados em particular”.

António Gomes admitiu que “a tradição alimentar açoriana tem vindo a perder implantação junto da juventude, em favor de uma alimentação mais industrializada”, com menos legumes e frutas.

“Para contrariar esse fenómeno, têm sido feitas intervenções junto das cantinas escolares que melhoraram a sua oferta em termos de qualidade”, acrescentou.

Para António Gomes, “estas atitudes não são suficientes”, defendendo a necessidade de “intervir junto das famílias, não só para melhorar a alimentação, mas também para se criarem hábitos de exercício físico regular", já que "os adultos podem ser modelos para os jovens”.

sábado, 22 de abril de 2017

A nossa cabeça é o máximo

Será que o seu pé direito é inteligente?
O que se segue é tão engraçado que desafia qualquer compreensão lógica.
Aposto que irá tentar pelo menos cinquenta vezes para ver se consegue contrariar o seu pé.

Mas sem sucesso!!! Experimente.



1. Então é assim: está sentado na sua cadeira junto a secretária. De seguida, levante o seu pé direito do chão. Uma vez o pé no ar,

faça círculos com o mesmo, no sentido dos ponteiros de um relógio.

2. Ao mesmo tempo, desenhe com a sua mão direita o número 6 no ar. O seu pé muda de direcção!!!

3. Como já lhe tinha dito, não há nada que se possa fazer.




O nosso cérebro é doido ... !!!

De aorcdo com uma peqsiusa de uma uinrvesriddae ignlsea, não ipomtra em qaul odrem as Lteras de uma plravaa etãso, a úncia csioa iprotmatne é que a piremria e útmlia Lteras etejasm no lgaur crteo. O rseto pdoe ser uma bçguana ttaol, que vcoê anida pdoe ler sem pobrlmea.
Itso é poqrue nós não lmeos cdaa Ltera isladoa, mas a plravaa cmoo um tdoo.




Fixe seus olhos no texto abaixo e deixe que a sua mente leia correctamente o que está escrito.

35T3 P3QU3N0 T3XTO 53RV3 4P3N45 P4R4 M05TR4R COMO NO554 C4B3Ç4 CONS3GU3 F4Z3R CO1545 1MPR3551ON4ANT35! R3P4R3 N155O! NO COM3ÇO 35T4V4 M310 COMPL1C4DO, M45 N3ST4 L1NH4 4 SU4 M3NT3 V41 D3C1FR4NDO O CÓD1GO QU453 4UTOM4T1C4M3NT3, S3M PR3C1S4R P3N54R MU1TO, C3RTO? POD3 F1C4R B3M ORGULHO5O D155O! SU4 C4P4C1D4D3 M3R3C3! P4R4BÉN5!

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Cerveja ajuda a fortalecer os ossos

Alguns tipos de cerveja são ricos em nutrientes que ajudam a prevenir doenças que enfraquecem os ossos, como a osteoporose. Mas os cientistas que desenvolveram o estudo da Universidade da Califórnia advertem: o benefício depende do tipo de cerveja.

O principal nutriente benéfico presente na cerveja é o silício, que se pode encontrar em maior quantidade nas cervejas fabricadas com cevada e lúpulo. Por outro lado, as cervejas escuras ou as que são preparadas com outros grãos, como milho ou trigo, apresentam menores quantidades de silício.

Os cientistas norte-americanos analisaram 100 marcas de cerveja comercializadas e descobriram que mais de metade do silício que presente na cerveja era imediatamente absorvido pelo corpo.

Os resultados do estudo, publicados na revista especializada Journal of the Science of Food and Agriculture, mostram que o consumo moderado de cerveja pode ajudar a combater a osteoporose, uma doença que provoca a deterioração dos ossos ao longo do tempo e favorece a ocorrência de fracturas.

Apesar dos resultados positivos, os especialistas alertam para os malefícios do consumo de cerveja em excesso. "Esses resultados reproduzem estudos anteriores que garantem que ingerir bebidas alcoólicas de maneira moderada pode ser benéfico para os ossos. No entanto, não recomenados a ninguém que aumente no consumo de álcool com base nesses estudos", afirmou Claire Bowring, da Sociedade Nacional de Osteoropose da Grã-Bretanha, comentando o estudo.

terça-feira, 18 de abril de 2017

Aves usam sons específicos para “dizer” que têm fome

Da mesma forma que os bebés humanos choram para “avisar” que têm fome, as crias de aves da espécie Ploceus jacksoni emitem um som específico para alertar os pais que precisam de se alimentar, revelaram investigadores da Alemanha e da Suíça, que chegaram a esta conclusão depois de estudarem uma colónia destas aves no Lago Baringo, no Quénia.

Segundo um artigo publicado na revista "BMC Ecology", as crias famintas têm códigos próprios para comunicarem com os seus progenitores e estes conseguem interpretar os sons, percebendo em que momento os seus filhos querem comida e até que ponto estão famintos.

Embora os cientistas já soubessem que as aves são capazes de distinguir os seus descendentes pelos sons que emitem, mesmo que estejam envolvidos por outros animais, o que lhes permite identificá-los quando retornam ao ninho com alimento, desconheciam esta especificidade.
Para realizar este estudo, as crias de Ploceus jacksoni foram retiradas dos ninhos temporariamente. Foram instalados câmaras e microfones que registaram o seu comportamento e os sons que produziam.

Segundo Hendrick Reers, principal autor desta investigação, foram detectadas duas partes distintas nas chamadas de atenção das crias desta espécie. Primeiro emitiam um som semelhante a um apito e depois uma espécie de vibração.

Quando não queriam comer, ambas os momentos eram ligeiramente diferentes, dependendo de cada pássaro, o que permitia às mães identificarem os seus filhos. À medida que iam ficando com fome, as crias modificavam a duração, o tom e a amplitude dos sons, tornando-os cada vez mais fortes.

domingo, 16 de abril de 2017

Misteriosas migrações das baleias nos Açores estão a ser seguidas por satélite

São mais as incógnitas do que as certezas sobre as razões da passagem migratória das baleias pelos Açores. Uma equipa de investigadores, que as tem seguido por satélite, acredita que o arquipélago é um local de alimentação e orientação importante.

“Já estamos a aquecer os motores das embarcações, a melhorá-las e a preparar o equipamento”, contou Rui Prieto, do Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores (DOP/UAç). Esta Primavera, uma equipa de investigadores sairá para o mar agitado do arquipélago à procura de três das espécies de baleias que ali ocorrem: a baleia-azul (Balaenoptera musculus), a baleia-comum (Balaenoptera physalus) e a baleia-sardinheira (Balaenoptera borealis).

A partir de semi-rígidos ou de uma embarcação cabinada, a equipa vai marcar as baleias com transmissores de satélite, com 300 gramas de peso, implantados com recurso a uma arma pneumática especialmente desenvolvida para este fim. “O nosso objectivo é marcar com sucesso entre 20 a 25 animais destas três espécies”, adiantou Rui Prieto

Desde 2008 que o Programa de Telemetria por Satélite de Grandes Baleias conseguiu marcar com sucesso um total de 16 animais. No entanto, os transmissores são rejeitados naturalmente pelas baleias ao fim de algumas semanas. “A bateria tem autonomia para vários meses mas o factor limitante é a rejeição pelo organismo do animal.”

Estas três espécies foram as escolhidas porque, segundo Rui Prieto, “a baleia-sardinheira é praticamente desconhecida no Atlântico Norte e as outras duas são bons indicadores do que outras espécies semelhantes podem estar a fazer”. “Não temos meios para trabalhar todas as espécies porque é algo que exige muitos recursos. Ainda assim, queremos, no futuro, expandir este trabalho, que actualmente é financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia através do Projecto TRACE”, considerou.

Mas nem todas as baleias estão na mira destes investigadores. “Não colocamos transmissores em crias e tentamos causar a menor perturbação possível aos animais instrumentados com os transmissores.”

Dos dados já recolhidos, Rui Prieto pode dizer que as baleias utilizam os Açores como local de alimentação, a meio das suas migrações de Verão. “A alimentação acontece debaixo de água mas conseguimos reparar em alguns indícios, nomeadamente, os peixes que surgem à superfície, as manchas de krill [crustáceo altamente calórico que é abundante nos Açores durante a Primavera] e a defecação”, explicou.

Para este ano, um dos objectivos será saber quanto tempo se demoram estes grandes mamíferos no arquipélago. “Será que passam aqui um dia ou um mês? Param nos Açores para comer uma ‘sandes’ ou um verdadeiro ‘banquete’? Como escolhem os cardumes de presas e que estratégias utilizam para encontrá-las?”. Estas são apenas algumas das perguntas sem resposta. Mas desde 2008 já existem dados concretos que demonstram que as espécies não se comportam da mesma maneira. “As duas baleias-azuis marcadas com sucesso passaram quase dois meses dentro da ZEE (Zona Económica Exclusiva] dos Açores; andaram em ziguezague, sempre para Nordeste, muito lentamente, um padrão que indica que se estavam a alimentar. As baleias-comuns passaram cá alguns dias a alimentar-se e seguidamente retomaram a migração para Nortenum trajecto quase directo, aparentemente com destino às águas entre a Gronelândia e a Islândia. As baleias-sardinheiras marcadas não passaram cá muito tempo”, resumiu o biólogo.

De acordo com Rui Prieto, as três espécies não passam pelos Açores na mesma altura. “Embora ocorram em simutâneo, primeiro aparecem as baleias-azuis e as baleias-comuns e só mais tarde as sardinheiras”. Na verdade, pouco se conhece sobre as rotas migratórias das baleias no Atlântico Norte. Ninguém sabe ao certo onde passam o Inverno e que rotas tomam para ir para as áreas de alimentação de Verão. Mas os investigadores acreditam que o arquipélago poderá funcionar como ponto de orientação durante a migração destes animais. “As populações do Atlântico Norte podem estar sub-divididas em diferentes unidades, que utilizam áreas diferentes para alimentação e reprodução e têm pouco contacto, ou podem constituir populações coesas.”, salientou.

Por isso, os investigadores utilizam fotografias para identificar os indivíduos e recolhem material genético, como pele, para permitir a comparação com animais de outras localidades dos dois lados do Atlântico e perceber a organização populacional das espécies.

Recentemente, O DOP/UAç levantou a ponta do véu. “Descobrimos que as baleias-sardinheiras que passam por aqui seguem para o Mar do Labrador [mar do Atlântico Norte entre o Canadá e a Gronelândia]. Até hoje não se conhecia a origem dessas baleias que se sabiam estar naquele mar durante o Verão. Foi uma surpresa completa”, considerou.

“São muitas as coisas que queremos tentar saber. Por exemplo, a forma como as baleias usam o habitat, as ilhas, os montes submarinos e as frentes oceânicas (zonas entre massas de água com características físicas diferentes) nos Açores e nas outras regiões”.

A boa notícia é que enquanto os transmissores de satélite estiverem a funcionar, “vai ser possível acompanhar os movimentos das baleias quase em tempo real numa página da Internet”, garantiu Rui Prieto.

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Já foram lidas todas as letras do genoma do orangotango

“Susie” é uma orangotango de Samatra que vive no Jardim Zoológico Gladys Porter, em Brownsville, no Texas. Até aqui nada de mais, só que Susie ficará na história quer da genética, quer da sua espécie: é o primeiro orangotango a ter o genoma lido de uma ponta a outra.

A sequenciação do genoma do parente mais afastado do homem entre os grandes símios — levada a cabo por cientistas de 34 instituições de vários países, incluindo os biólogos portugueses Rui Faria e Olga Fernando — chegou ao fim e amanhã, quinta-feira, é publicada a sua primeira análise na revista Nature.

Sequenciar um genoma significa ler as quatro letras do alfabeto genético ao longo da molécula de ADN. Essas letras — A, T, C, G — são, na realidade, pequenas moléculas dispostas na grande molécula de ADN, enrolada no núcleo de cada célula. Todo o livro da vida é escrito só com quatro letras, que comandam a produção das proteínas.

No caso de Susie, tratou-se de ler por completo os cerca de três mil milhões de pares de letras, um projecto liderado por Richard Wilson, da Universidade de Washington, em Saint Louis, nos Estados Unidos, que custou 20 milhões de dólares (14,6 milhões de euros). Tendo como referência a leitura do genoma deste representante dos orangotangos de Samatra (Pongo abelii), os cientistas partiram para o estudo menos pormenorizado do genoma de outros cinco orangotangos desta espécie e de cinco orangotangos do Bornéu (“Pongo pygmaeus”).

As espécies antepassadas dos orangotangos viveram por todo o Sudoeste da Ásia, mas os seus representantes actuais limitam-se às ilhas indonésias de Samatra e do Bornéu, cada uma albergando uma espécie distinta nas suas florestas tropicais. De facto, eles passam 95 por cento do tempo nas árvores: é aí que comem a sua fruta, que constroem os ninhos para dormir e quando se deslocam, geralmente muito devagar, fazem-no através das árvores.

Entre os resultados divulgados na Nature, a equipa revela que os orangotangos de Samatra e do Bornéu, ambos em risco de extinção, se tornaram espécies distintas há 400 mil anos, enquanto estudos anteriores estimavam que essa separação ocorrera há um milhão de anos.

Com o genoma dos orangotangos, poderá compreender-se melhor a árvore evolutiva dos humanos e dos grandes símios (chimpanzés, bonobos, gorilas e orangotangos), que são os nossos parentes mais próximos.

Orangotangos e humanos (cuja sequenciação do genoma ficou concluída por completo em 2003) partilham 97 por cento do ADN, conclui a equipa. Com o genoma dos chimpanzés, lido em 2005, temos uma semelhança de 99 por cento, o que faz deles os nossos parentes mais chegados.



Diversidade genética

Para os orangotangos, estes estudos podem revelar-se valiosos para a conservação das duas espécies. Na natureza, restam cerca de 7500 orangotangos de Samatra e 50.000 do Bornéu, o que leva a União Internacional para a Conservação da Natureza a classificá-los, respectivamente, como “criticamente em perigo” e “em perigo”. Se persistirem os factores que os ameaçam, como a degradação da floresta onde vivem, estima-se que daqui a 30 anos tenham desaparecido das florestas.

A análise do genoma dos orangotangos mostrou que estes nossos parentes de pêlo ruivo têm uma grande diversidade genética — um aspecto importante, pois aumenta a capacidade de se manterem saudáveis e se adaptarem ao ambiente, refere um comunicado de imprensa da Universidade de Washington. Foram catalogadas cerca de 13 milhões de variações do ADN dos orangotangos, o que pode ser usado para avaliar a diversidade genética das populações na natureza e em cativeiro e, com esses dados, traçar planos de conservação consoante a sua saúde genética.

“O orangotango médio tem mais diversidade, geneticamente falando, do que o humano médio”, frisa o principal autor do artigo, Devin Locke, da Universidade de Washington. “Encontrámos grande diversidade tanto nos orangotangos de Samatra como do Bornéu, mas não é claro que este nível de diversidade possa manter-se se a desflorestação continuar ao ritmo actual”, alerta.

“A observação de que a espécie que apresenta actualmente baixos efectivos populacionais ser aquela que tem maior variabilidade genética, e logo a que terá tido um maior efectivo histórico, levanta questões interessantes do ponto de vista evolutivo”, diz-nos por sua vez Rui Faria, de 33 anos, que participou no projecto enquanto estava com uma bolsa de pós-doutoramento na Universidade Pompeu Fabra, em Barcelona, onde um grupo foi convidado em 2007 a entrar neste estudo. Rui Faria, que trabalha em formação das espécies, já voltou ao Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos da Universidade do Porto. Olga Fernando, aluna de doutoramento do Instituto Gulbenkian de Ciência, em Oeiras, continua na Universidade Pompeu Fabra.

“Pode ser que a variabilidade genética ‘escondida’ nalgumas espécies que actualmente apresentam baixos efectivos seja suficiente para que possam resistir a pressões ambientais — se forem eliminadas a tempo e logo as espécies não continuarem em declínio — e se adaptarem a novos ambientes”, acrescenta Rui Faria, para quem a participação neste mega-projecto foi uma “experiência única” pela sua dimensão. “Ser investigador em biologia evolutiva numa altura em que começamos a desvendar os segredos dos códigos escondidos no genoma é extremamente motivante e sem paralelo no passado.”

Mas o resultado que mais surpreendeu a equipa tem a ver com a lentidão com que o genoma dos orangotangos evoluiu por comparação com o dos humanos e chimpanzés. “Em termos evolutivos, o genoma do orangotango é bastante especial entre os grandes símios, no sentido em que tem sido extraordinariamente estável nos últimos 15 milhões de anos [quando se separaram do ramo que depois deu origem aos gorilas, humanos, chimpanzés e bonobos]”, diz Richard Wilson. “Em comparação, o genoma de chimpanzés e humanos teve rearranjos em larga escala, o que pode ter acelerado a sua evolução.”

E agora desvende-se um pouco como são os orangotangos. De todos os os símios, são os menos sociáveis: a única unidade social estável é entre mãe e filhos, que ficam com a progenitora até por volta dos dez anos. Tal como nós, escolhem os amigos: de alguns indivíduos gostam, de outros nem tanto. E tal como nós, também têm o seu lado aparentemente negro: neste caso é a violação, algo muito banal entre eles, a ponto de contribuir para cerca de metade de todas as relações sexuais dos orangotangos.

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Abutre do Egipto colonizou ilhas Canárias graças à presença humana

O abutre do Egipto é o protagonista daquilo que pode ser uma “união feliz” entre vida selvagem e humanos. Segundo investigadores espanhóis da Estação Biológica de Doñana, a espécie colonizou as ilhas Canárias graças às pessoas e que estas podem favorecer a biodiversidade.

Esta espécie (Neophron percnopterus) fixou-se nas Canárias há 2500 anos, data que coincide com a colonização humana daquele arquipélago, salientam os investigadores, em comunicado.

Os resultados da investigação, publicada na última edição da revista “BNC Evolutionary Biology”, indicam que a chegada ao arquipélago das primeiras populações, provenientes do Norte de África, transformaram-no num espaço com fontes de alimento abundantes, graças aos rebanhos de cabras. Isto “facilitou a colonização do abutre do Egipto, classificado como espécie em perigo de extinção pela União Internacional para a Conservação da Natureza” e propiciou mesmo a sua expansão, escrevem os investigadores. Antes da chegada dos colonos, as ilhas Canárias ofereciam apenas às aves os restos de roedores, aves e algumas espécies marinhas. “A ausência de grandes mamíferos terrestres e animais domésticos é o motivo para que esta espécie só se interessasse pelas Canárias depois da chegada dos colonos”, acrescentam.

Mas a equipa da Estação Biológica de Doñana descobriu ainda que os abutres do Egipto das ilhas Canárias têm “importantes vantagens físicas em comparação com” as populações da mesma espécie na Península Ibérica.

Depois de comparar 242 abutres de Fuerteventura e 143 na Península Ibérica, o estudo concluiu que as aves nas Canárias são 16 por cento mais pesadas e três por cento maiores do que as aves peninsulares.

“Os resultados sugerem que a actividade humana pode provocar a evolução divergente de uma espécie numa escala de tempo relativamente breve”, explicou Rosa Agudo, uma das responsáveis pela investigação.

Em Portugal, o abutre do Egipto está hoje classificado como Em Perigo mas houve tempos em que se distribuía por todo o país, incluindo escarpas costeiras. Mas no século XIX sofreu uma regressão acentuada e um censo de 2000 contabilizou a população em 83 a 84 casais em território nacional. A perturbação humana em zonas de nidificação, a colisão e electrocussão em linhas aéreas de distribuição e transporte de energia e o abate a tiro são alguns dos factores de ameaça.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Bióloga descobre espécie de insecto com milhões de anos em gruta algarvia

Existe há milhões de anos numa gruta algarvia mas só agora foi encontrado por uma bióloga portuguesa. O Litocampa mendesi, animal com três milímetros e sem olhos ou asas, será mais primitivo do que os insectos que hoje conhecemos. Mas as novidades do frágil mundo vivo cavernícola só agora estão a começar.

Sofia Reboleira, do Departamento de Biologia da Universidade de Aveiro, tem estado atarefada a estudar as amostras que trouxe para a superfície, fruto de doze meses de trabalho de campo em 2009, a dezenas de metros de profundidade nas grutas portuguesas.

A 22 de Dezembro, a revista "Zootaxa" publicava a descoberta do Litocampa mendesi. “Procurámos a fauna das grutas através da observação do interior das cavidades e com a ajuda de armadilhas de queda colocadas no chão”, explicou hoje ao PÚBLICO a bolseira da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT). Nas armadilhas foram colocados iscos odoríferos para atrair os insectos. “Este tipo de armadilhas também ajuda a medir a actividade dos animais, porque os que mais andam são os que mais caem” nas armadilhas.

Mas este é um trabalho exigente. “São animais muito raros que apenas vivem em zonas difíceis de estudar”, disse Sofia Reboleira, também espeleóloga. Investigar a espécie em laboratório está fora de questão. “É impossível manter estes insectos em cativeiro. É muito difícil. Eu nunca vi [o Litocampa mendesi] vivo”, referiu.

A investigadora, que estuda a fauna cavernícola do país, está em condições para dizer que este insecto desenvolveu, ao longo de milhões de anos, impressionantes estratégias de poupança energética para conseguir sobreviver na escuridão das grutas, como a ausência de olhos e asas e a grande resistência ao jejum. Estima-se que este será um animal “mais primitivo do que os insectos” actuais.

A fragilidade das espécies cavernícolas

Sofia Reboleira estuda os animais que não vivem em mais nenhum local que não nas grutas, até aos 220 metros de profundidade, sob a orientação de Fernando Gonçalves (do Departamento de Biologia da Universidade de Aveiro) e Pedro Oromí (da Faculdade de Biologia da Universidade de La Laguna, em Tenerife, Espanha). Até agora anunciou cinco novas espécies. Em Maio foi anunciada a descoberta de duas novas espécies de escaravelhos nas grutas das serras de Aire e Candeeiros e no início de Dezembro outra espécie de escaravelho em Montejunto e um pseudoescorpião nos maciços calcários do Algarve. Agora foi a vez do Litocampa mendesi, numa gruta algarvia a 30 metros de profundidade.

A maioria dos invertebrados que constituem a fauna cavernícola são artrópodes, como as aranhas e insectos. Apesar de viverem em ambientes até agora pouco estudados, estas espécies merecem atenção. "As espécies cavernícolas não conseguem sobreviver em mais nenhum local, logo têm a sua distribuição geográfica muito reduzida. Qualquer perturbação pode pôr em causa a sua sobrevivência", sublinhou Sofia Reboleira. A investigadora lembrou, nomeadamente, a poluição por pesticidas e insecticidas que se podem infiltrar nas grutas e a perturbação ou mesmo destruição daqueles locais por actividades humanas.

Além disso, estas populações nunca são de grande dimensão. "Não tendo luz, as grutas onde vivem estes animais não têm plantas e as fontes de alimento são muito escassas. Por isso, as populações não podem ser muito grandes. Na verdade, estes são exemplares raríssimos".

Sofia Reboleira acredita que 2011 poderá trazer mais surpresas. “Ainda estamos a estudar a fauna encontrada no ano da amostragem, em 2009”, salientou.

quinta-feira, 23 de março de 2017

Há formigas a cuidar da borboleta mais rara do país

O movimento dos carvalhos segue de longe as nuvens escuras que atravessam a paisagem verde da serra do Alvão. Entre os gigantescosblocos de pedra, respira-se esta calma nos riachos que correm, na rã que salta, nas vacas que caminham calmamente por cima do alcatrão seco, prontas a entrar nos terrenos onde se alimentam.

A lagarta da Maculinea alcon transportada pela formiga
(Paulo Ricca)

Entramos também num destes terrenos, o lameiro da dona Libânia, a poucos quilómetros da aldeia de Lamas de Olo, a 20 minutos de carro de Vila Real. O Outono não revela o que se passa debaixo dos nossos pés. Mas a professora Paula Seixas Arnaldo conhece estes 3,2 hectares de uma ponta a outra e sabe que no solo está a acontecer algo único. Formigas atarefadas estão a alimentar lagartas cor-de-rosa que vão dar... borboletas.

Ninguém sabe onde estão os ninhos das formigas, que estão sempre a começar novas casas. Por isso, a professora da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e a estudante de mestrado Maria da Conceição Rodrigues levam consigo material para as procurar. Botas de borracha, espetos de metal para cavar a terra, um copo de plástico com rosca para guardar formigas, ovos e lagartas de borboletas.

"Horas. Passamos horas à procura de ninhos de formigas e ao fim do dia não encontramos nada", diz Paula Seixas Arnaldo, enquanto arranca mais um pedaço de terra à procura da Myrmica aloba, a espécie de formiga que em Portugal é a hospedeira da Maculinea alcon, a borboleta mais ameaçada do país.

História a três

Estar debruçado sobre a terra à procura de formigueiros é uma actividade que faz parte dos últimos anos de investigação da cientista. Desde 2006 que o lameiro é estudado por Paula Seixas Arnaldo. Este é um dos melhores locais da Europa para seguir o estranho ciclo de vida da borboleta-azul-das-turfeiras. Uma das causas é a presença frequente da Gentiana pneumonanthe, ou genciana-das-turfeiras, uma planta rasteira de flor azul arroxeada.

"A borboleta só põe os ovos nesta flor, em Julho. Os ovos eclodem uma semana depois, nascem as lagartas que se alimentam das sementes durante 30 dias", explica a investigadora enquanto Maria da Conceição Rodrigues continua a arrancar mais vegetação em busca da Myrmica aloba, queixando-se da falta de um canivete, o que facilitaria o seu trabalho.

"Quando estão no terceiro estádio as lagartas atiram-se para o chão. As formigas que se encontram a menos de dois metros detectam a presença da lagarta, vão lá buscá-la e transportam-na para dentro do formigueiro", continua a cientista.

As formigas são literalmente enganadas. As lagartas da Maculinea alcon exalam feromonas que fazem as formigas acreditarem que as lagartas são larvas de formiga e que precisam de ser levadas para o ninho. "No formigueiro as formigas oferecem-lhes substâncias açucaradas. Quando há pouco alimento a lagarta pode chegar a comer outras larvas de formigas, mas é raro", diz a especialista. A lagarta dá protecção pelo tamanho e também produz substâncias para as formigas, mas a troca não é equilibrada."Há cinco espécies do género da Maculinea na Europa. Esta não é predadora, mas quando não tem alimento..."

Durante nove meses a lagarta de borboleta vai crescendo no formigueiro, e nos primeiros dias de Julho a crisálida faz a metamorfose e a borboleta "nasce" da terra. A corrida até à superfície tem que ser rápida porque a borboleta perde a capacidade de enganar as formigas e estas podem atacar o insecto. "Este ano vimos a primeira Maculinea alcon a 6 de Julho", relembra.

As investigadoras passaram Julho e Agosto a contar borboletas, para saber o estado da população. Utilizam o método de contagem e recontagem: capturam uma borboleta, escrevem o número por baixo da asa e todos os dias voltam à caça, acabando por recapturar o mesmo lepidóptero. Isso permite tirar conclusões quanto ao número de indivíduos, os dias que vivem ou a distância que são capazes de voar.

Entretanto Maria da Conceição tem um sucesso parcial e descobre um formigueiro de Myrmica ruginodis. Uma espécie irmã que também existe ali, mais vermelha e agressiva que a Myrmica aloba.

No formigueiro, caiu um cataclismo humano e as formigas entram num movimento frenético, os ovinhos brancos que vão ser futuras formigas são alvo imediato de protecção. Lagartas cor-de-rosa de menos de um milímetro, nada.

Em Espanha a Myrmica ruginodis cuida das borboletas, aqui nunca foi visto tal coisa. Porquê? "Boa pergunta, temos estudos genéticos a decorrer, poderão ser populações periféricas que já sofreram alterações genéticas", diz-nos Paula Seixas Arnaldo, referindo-se à borboleta.

Hoje, a Maculinea existe em 13 pontos em Portugal, nove na região do Alvão, numa área com menos de um quilómetro quadrado. São as populações da espécie que estão mais a sudoeste em toda a Europa, fragmentadas e isoladas não se sabe há quanto tempo. Por serem dependentes da flor e da formiga para viver, são vulneráveis a qualquer intervenção no habitat.

O melhor conhecedor da situação da borboleta em Portugal é Ernestino Maravalhas, que identificou a população deste lameiro em Agosto de 1999. O especialista em lepidópteros trabalha no Porto em seguros, mas percorre o país a estudar a natureza. Estuda e sonha com borboletas, libélulas e outras criaturas. O espírito com que se entrega às coisas é o mesmo com que chega ao pé de nós a pedir desculpas pelo atraso - enérgico e entusiasta.

De batatal a lameiro

"A primeira vez que vi a Maculinea alcon foi em Agosto de 1983, em Boticas [perto de Chaves]", diz o especialista. Depois, só voltou a encontrar a espécie no Alvão, 16 anos mais tarde. Durante muito tempo, Maravalhas foi à caça das várias populações de Gentiana pneumonanthe que existem no Norte e no Centro de Portugal, procurando mais borboletas desta espécie.

Aqui, as populações estão saudáveis porque há pouca intervenção e o sistema de lameiro com o pastoreio feito pelas vacas continua, o que é importante para manter controladas as plantas que competem com a genciana. "As vacas são importantes para assegurar o sistema", explica Paula Seixas Arnaldo. Só durante os meses em que a borboleta está activa é que é preferível não haver visitas dos bovinos.

Mesmo assim, nada está assegurado, como é um caso de um lameiro fora do Parque Natural do Alvão, que de um momento para o outro, passou a ser um batatal. "Foi há três anos, era um dos locais que pensávamos que não estivessem ameaçados. Quando chegámos lá parecia que não estávamos no mesmo sítio", explica Maravalhas. "Passaram o bulldozer por cima. Tinha umas belas batatas. Como se não existissem mais locais para plantar batatas..."

É por isso que o especialista acredita que a forma de assegurar a manutenção deste lameiro é a aquisição do terreno, que se manteria com o pastoreio tradicional.

Desde a primeira contagem das borboletas, em 2002, o efectivo cresceu de 500 para seis mil, um número pequeno comparado com a borboleta-da-couve, uma das mais comuns, que atinge dezenas de milhões de indivíduos. Paula Seixas Arnaldo defende que o pastoreio, as queimadas feitas no final do Outono e a visita anual de um grupo de ingleses de uma associação ambientalista, que limpa este terreno em regime de voluntariado, têm mantido a turfeira saudável e feito aumentar o número de borboletas, que não voam mais do que cerca de 150 metros e, por isso, têm uma capacidade de dispersão pequena.

Há um projecto inserido no plano de biodiversidade da Câmara de Vila Real para transformar o lameiro num observatório de borboletas e construir um centro científico em Lamas de Olo com informação sobre este sistema. "É só um quilómetro quadrado que nós gostávamos de proteger, um grão de areia em relação à área de Portugal", diz Maravalhas.

De repente, Paula Seixas Arnaldo, que se tinha afastado para enfiar a estaca na terra e tentar a sorte mais uma vez, chama-nos: "Mirmicas!" Corremos para lá, algumas formigas denunciam que um ninho está perto. A investigadora retira mais um pedaço de terra e zás. Muitas formigas, movimento, ovinhos brancos. Pelo meio, outras estruturas diferentes, em menor número, com lagartas rosa-escuro. "Lagartas de Maculinea!" Um espanto. Pequeninas. Vão crescer mais alguns milímetros até Julho.

Por agora é cedo. As formigas estão preocupadas com a "suas larvas". Agarram as lagartas e começam a carregá-las para dentro da terra. Para os meses silenciosos do Alvão, de descanso e crescimento.

quarta-feira, 22 de março de 2017

Cafeína poderá prevenir cancro de pele causado pelo Sol

Um dos mecanismos que faz com que a cafeína previna o cancro foi comprovado em ratinhos submetidos a raios ultra-violeta que demoraram mais tempo a desenvolver cancro da pele. O estudo foi publicado nesta segunda-feira na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

Há muitos estudos que sugerem que beber café pode prevenir certos tipos de cancro. Esses resultados, muitas vezes dependem de mais de seis cafés por dia.

Sabe-se que um dos outros efeitos da molécula que faz do café uma bebida estimulante, é a inibição de uma proteína chamada ATR que controla o ciclo celular. A ATR pára a divisão celular quando encontra danos no ADN de uma célula. Se esta enzima for inibida, uma célula com danos no ADN continua a dividir-se e no final acabará por morrer. Desta forma não há oportunidade da célula se tornar cancerosa.

Uma equipa de cientistas dos Estados Unidos, testaram esta teoria no caso do cancro da pele originado pela exposição aos raios ultra-violeta (UV) que se apanham, por exemplo, durante a exposição ao Sol.

Em vez de utilizarem a cafeína, alteraram directamente o funcionamento da ATR, utilizando ratinhos transgénicos, para que a função da proteína nas células da pele ficasse comprometida.

Depois, submeteram uma população de ratinhos normal e outra transgénica a raios UV durante 40 semanas. O aparecimento de tumores aconteceu três semanas mais tarde nos ratinhos transgénicos do que na população normal. E depois de 19 semanas do início da experiência, havia menos 69 por cento de tumores em ratinhos com a ATR comprometida.

“Tudo isto sugere a possibilidade de que a cafeína terá um efeito inibitório no cancro de pele induzido pelo sol”, disse citado pelo Guardian Allan Conney, um dos investigadores do estudo, da Universidade Rutgers, New Jersey. Apesar do efeito protector, na experiência todos os ratinhos acabaram por desenvolver cancro da pele devido ao período de tempo prolongado que foram submetidos aos raios UV.

Os cientistas querem agora perceber se a aplicação de cafeína na pele poderá ter efeitos semelhantes.
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