quarta-feira, 21 de outubro de 2026
terça-feira, 20 de outubro de 2026
Investigadores da Universidade de Évora descobrem uma nova planta rara nos charcos temporários
Os charcos temporários do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, continuam a revelar-se uma “arca de noé” de plantas que resistem, nalguns casos, há milhões de anos. Carla Pinto Cruz, professora do Departamento de Biologia da Universidade de Évora (UÉ) acaba de anunciar a descoberta de uma nova espécie de planta “endémica, rara e fortemente ameaçada”, a Helosciadium milfontinum, que cresce nestes habitats. A designação atribuída é uma alusão à sua área de ocorrência, ou seja, Vila Nova de Milfontes.
Nas informações prestadas ao PÚBLICO, a investigadora refere que o levantamento efectuado permitiu confirmar que a planta de se encontra “restringida a nível mundial a pequenas áreas da Costa Vicentina.”
Na descrição que faz da nova espécie é realçada a “importância da descoberta”. Trata-se de uma planta que se apresenta com um conjunto de flores que “faz lembrar um pequeno guarda-chuva, semelhante às flores do agrião que floresce entre Julho e Agosto e frutifica no início de Setembro”. Tem caules rastejantes, “que enraízam em nós e as folhas são lobadas e têm as margens dentadas”, acrescenta a investigadora.
O trabalho de investigação realizado envolveu botânicos da Universidade de Évora e da Universidade de Oviedo e permitiu diferenciar a nova espécie de uma outra previamente identificada como Apium repens, uma planta com flor pertencente à família Apiaceae de que fazem parte a cenoura, o aipo, a salsa, a erva-doce, os cominhos e outras plantas aromáticas. Esta espécie tem uma área de distribuição mais abrangente no território europeu que o habitat da Helosciadium milfontinum, que se reduz a algumas zonas do parque natural, observa Carla Cruz. Com efeito “foi através da identificação de pequenas sequências de DNA, que tornou possível a descoberta da Helosciadium milfontinum” acrescenta a investigadora, frisando que a planta “já foi alvo de alguns esforços de conservação”, quer nos charcos temporários da região onde pode ser encontrada.
Assim, cada espécie de planta é designada por uma combinação exclusiva de duas palavras em latim: primeiro o “género” e depois o epíteto específico, atribuindo-se um nome único para cada espécie -reconhecido mundialmente por todos os cientistas - tal como se verifica com esta descoberta e cujo epíteto específico atribuído milfontinum” por ser alusivo à sua área de ocorrência, ou seja, Vila Nova de Milfontes.
Carla Cruz destaca o trabalho coordenado pela UÉ que correspondeu a uma iniciativa do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), em parceria com o Fundo Ambiental através do projecto “Recuperação de Valores Naturais - Habitats e Espécies de Zonas Húmidas Temporárias.”
O levantamento que foi feito dos charcos temporários da região alentejana permitiu constatar que as ameaças à sua conservação são cada vez mais fortes. São “um habitat único que alberga uma grande diversidade de organismos e onde a diversidade biológica vai sendo perdida à medida que cada espécie se extingue”, alerta a investigadora.
A realização de acções de conservação e o seu planeamento adequado “é essencial” recorda, referindo que, “são observadas diariamente as consequências das nossas acções no planeta e o ritmo acelerado a que se produzem alterações”, motivo para afirmar “que só tendo um bom conhecimento das espécies, como neste estudo viemos demonstrar, podemos perspectivar e priorizar adequadamente os esforços de conservação” concluiu Carla Cruz.
https://www.publico.pt/2020/09/01/local/noticia/investigadores-universidade-evora-descobrem-nova-planta-rara-charcos-temporarios-1929970
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https://www.bbc.com/portuguese/internacional-50573320
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O Ministério da Ciência e Tecnologia vai lançar um programa de estímulo ao desenvolvimento da História da Ciência em Portugal, que terá uma componente específica dedicada aos últimos cem anos, motivada pela aproximação do centenário da República. Esta "iniciativa estratégica" terá o seu arranque público em Julho, durante um Encontro Nacional de História da Ciência em Portugal, refere um documento de trabalho do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior divulgado este fim-de-semana.O programa, dirigido aos investigadores, às instituições académicas e científicas, e à sociedade em geral, tem também por objectivo a valorização do património cultural e científico do país. Em causa, segundo o Ministério, estará a preservação, classificação e estudo de acervos documentais e arquivos de Ciência, a formação avançada de novos investigadores, o reforço e articulação em redes de grupos e instituições científicas e o desenvolvimento de programas de investigação.
"A História da Ciência é uma componente fundamental do próprio desenvolvimento da Ciência" - lê-se no documento de trabalho. "O nível científico já alcançado em Portugal exige, para se ampliar e consolidar, um conhecimento sistemático do nosso próprio desenvolvimento científico e tecnológico, e das suas condições históricas. O programa específico para aprofundar o conhecimento e a divulgação da História da Ciência e do desenvolvimento científico dos últimos cem anos, chamado "100 anos de República, 100 anos de Ciência", será realizado em articulação com a Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República.
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Quercus considera que Fundo de Recuperação e Pacto Ecológico europeus devem promover postos de trabalho em conservação da natureza e restauro ecológico
Uma saudação especial a quem faz Conservação da Natureza
O Dia Nacional da Conservação da Natureza é celebrado todos os anos no dia 28 de julho, tendo sido instituído pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 73/98, de 29 de junho, para celebrar o quinquagésimo aniversário da fundação da Liga para a Proteção da Natureza (LPN), a primeira e mais antiga Associação de Defesa do Ambiente da Península Ibérica. Por isso, e em primeiro lugar, a Quercus parabeniza o trabalho da LPN em prol da conservação da natureza, aproveitando para chamar a atenção para os desafios que todas as Associações conservacionistas portuguesas, ou seja, as que realizam projetos de conservação da natureza no terreno, enfrentam, sobretudo os de ordem financeira.
Conservação da natureza: um esforço hercúleo para as Associações
As Associações que fazem conservação do património natural, atuam numa área que é também uma das competências do Estado. No entanto, tal como a maioria das restantes Organizações Não Governamentais de Ambiente (ONGA) não recebem para o seu funcionamento regular qualquer subsídio do Estado, ao contrário de outro tipo de Organizações Não Governamentais, como as IPSS, que recebem comparticipações do Estado para pagar despesas de funcionamento correntes e que mesmo assim, manifestam dificuldades (1). O único apoio regular que existe para algumas ONGA é um protocolo que permite o destacamento para estas entidades de um professor do quadro do Ministério da Educação, para desenvolver e coordenar projetos de educação ambiental.
Frequentemente, para financiar projetos de conservação da Natureza, sobretudo os de maiores dimensões, as associações preparam candidaturas a financiamento europeu, nomeadamente ao programa LIFE, que financia a 75%, sendo necessário, contudo, encontrar a restante parte do financiamento, através de angariação de fundos junto de cidadãos, empresas ou outras organizações, e mais recentemente, através de candidaturas ao Fundo Ambiental. Deve ainda notar-se que para a execução desses mesmos projetos, as Associações têm de pagar taxas e impostos ao Estado português, como o IVA dos bens e serviços adquiridos ou o IRS e a TSU dos trabalhadores afetos.
Fundo Ambiental e Conservação da Natureza
Se é certo que o Fundo Ambiental reforçou no presente ano o apoio previsto à conservação da Biodiversidade e da Educação Ambiental em 1,7 milhões de euros, há que ver que a esse Fundo concorrem não apenas Associações, mas também Universidades, Fundações e empresas. No ano passado, o Fundo Ambiental financiou um total de apenas 500.000€ na área da Conservação da Natureza (2) destinados a 8 organizações, ficando de fora 15 candidaturas elegíveis e 4 consideradas não elegíveis. No entanto, o que queremos frisar aqui, não é a desadequação de critérios de análise aos projetos, que devem ter qualidade, mas sim a limitação de verbas que globalmente o Estado dispõe para os projetos de conservação da natureza, quer realizado pelas ONG, quer até pelo próprio Estado, através do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas.
Pacotes financeiros europeus: O Fundo de Recuperação e o Pacto Ecológico
Fundo de Recuperação
A recente aprovação do Fundo de Recuperação europeu no valor de 750 mil milhões cria, temporariamente, um instrumento importante de combate à recessão provocada pelo coronavírus e o confinamento. Para Portugal, isso representará um impacto financeiro muito significativo, com entrada de um volume ainda maior de financiamento do que na época “dourada” dos fundos europeus pós adesão à CEE. Sabendo que estes fundos são destinados à recuperação da economia, a Quercus manifesta o desejo de que na sua aplicação fique prevista a criação de postos de trabalho na área da conservação da natureza. De facto, a conservação e valorização do património natural está intrinsecamente ligada à possibilidade do desenvolvimento de atividades conexas, como o Turismo de Natureza, atividade económica de forte componente out-door com viabilidade mesmo em contexto de pandemia.
Ao nível da União Europeia, estima-se que a Rede Natura 2000 apoie 104 mil empregos diretos em áreas protegidas de gestão e conservação de áreas protegidas e mais 70 mil empregos indiretos ou induzidos. No futuro, espera-se que as necessidades de biodiversidade possam gerar até 500 mil empregos (4).
Pacto Ecológico Europeu
O Pacto Ecológico Europeu (“European Green Deal”) prevê um roteiro com ações para que incluem restaurar a biodiversidade. No entanto, falta garantir compromissos claros para a integração da biodiversidade nas iniciativas principais do Pacto Ecológico Europeu, incluindo a Estratégia “Farm to Fork”. O Pacto Ecológico inclui uma ação prioritária para as cidades europeias verdes, que se espera venha a beneficiar também a componente biodiversidade. A Quercus espera que Portugal, ao assumir a Presidência Portuguesa em 2021, não esqueça os compromissos da Estratégia Europeia para a Biodiversidade 2030 e que contribua decisivamente para a afinação de um pacote financeiro substancial para a conservação da biodiversidade.
Para além da Conservação: O restauro ecológico
A ONU declarou 2021-2030 como a Década do Restauro de Ecossistemas, para ilustrar como o restauro ecológico pode contribuir para combater grandes problemas ambientais. Restauro ecológico é o esforço para reverter áreas que sofreram degradação para o retorno a uma situação mais próxima do estado inicial. Pode significar dar nova vida a áreas fora das áreas protegidas nacionais ou da Rede Natura 2000, mas cujo valor seja importante no contexto de corredores ecológicos (ex: galerias ripícolas) ou a nível local. Investir em restauro ecológico pode significar empregos locais diretos e indiretos que trazem vida de volta às comunidades locais (4).
REFERÊNCIAS
(1) https://www.tsf.pt/portugal/sociedade/estamos-em-sufoco-ipss-pedem-ao-estado-reforco-urgente-do-financiamento-11757171.html
(2) https://www.fundoambiental.pt/ficheiros/aviso-n-94512019-conservacao-da-natureza-relatorio-final-pdf.aspx
(3) https://ieep.eu/news/what-the-green-deal-means-for-europe-s-biodiversity
(4) https://ec.europa.eu/info/strategy/priorities-2019-2024/european-green-deal/actions-being-taken-eu/EU-biodiversity-strategy-2030_en
(5) https://www.decadeonrestoration.org/
Lisboa, 28 de Julho de 2020
A Direção Nacional da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza
https://www.quercus.pt/comunicados/2020/julho/5935-quercus-considera-que-fundo-de-recuperacao-e-pacto-ecologico-europeus-devem-promover-postos-de-trabalho-em-conservacao-da-natureza-e-restauro-ecologico












