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terça-feira, 20 de outubro de 2026

Investigadores da Universidade de Évora descobrem uma nova planta rara nos charcos temporários



Os charcos temporários do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, continuam a revelar-se uma “arca de noé” de plantas que resistem, nalguns casos, há milhões de anos. Carla Pinto Cruz, professora do Departamento de Biologia da Universidade de Évora (UÉ) acaba de anunciar a descoberta de uma nova espécie de planta “endémica, rara e fortemente ameaçada”, a Helosciadium milfontinum, que cresce nestes habitats. A designação atribuída é uma alusão à sua área de ocorrência, ou seja, Vila Nova de Milfontes.

Nas informações prestadas ao PÚBLICO, a investigadora refere que o levantamento efectuado permitiu confirmar que a planta de se encontra “restringida a nível mundial a pequenas áreas da Costa Vicentina.”

Na descrição que faz da nova espécie é realçada a “importância da descoberta”. Trata-se de uma planta que se apresenta com um conjunto de flores que “faz lembrar um pequeno guarda-chuva, semelhante às flores do agrião que floresce entre Julho e Agosto e frutifica no início de Setembro”. Tem caules rastejantes, “que enraízam em nós e as folhas são lobadas e têm as margens dentadas”, acrescenta a investigadora.

O trabalho de investigação realizado envolveu botânicos da Universidade de Évora e da Universidade de Oviedo e permitiu diferenciar a nova espécie de uma outra previamente identificada como Apium repens, uma planta com flor pertencente à família Apiaceae de que fazem parte a cenoura, o aipo, a salsa, a erva-doce, os cominhos e outras plantas aromáticas. Esta espécie tem uma área de distribuição mais abrangente no território europeu que o habitat da Helosciadium milfontinum, que se reduz a algumas zonas do parque natural, observa Carla Cruz. Com efeito “foi através da identificação de pequenas sequências de DNA, que tornou possível a descoberta da Helosciadium milfontinum” acrescenta a investigadora, frisando que a planta “já foi alvo de alguns esforços de conservação”, quer nos charcos temporários da região onde pode ser encontrada.

Assim, cada espécie de planta é designada por uma combinação exclusiva de duas palavras em latim: primeiro o “género” e depois o epíteto específico, atribuindo-se um nome único para cada espécie -reconhecido mundialmente por todos os cientistas - tal como se verifica com esta descoberta e cujo epíteto específico atribuído milfontinum” por ser alusivo à sua área de ocorrência, ou seja, Vila Nova de Milfontes.

Carla Cruz destaca o trabalho coordenado pela UÉ que correspondeu a uma iniciativa do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), em parceria com o Fundo Ambiental através do projecto “Recuperação de Valores Naturais - Habitats e Espécies de Zonas Húmidas Temporárias.”  

O levantamento que foi feito dos charcos temporários da região alentejana permitiu constatar que as ameaças à sua conservação são cada vez mais fortes. São “um habitat único que alberga uma grande diversidade de organismos e onde a diversidade biológica vai sendo perdida à medida que cada espécie se extingue”, alerta a investigadora.  

A realização de acções de conservação e o seu planeamento adequado “é essencial” recorda, referindo que, “são observadas diariamente as consequências das nossas acções no planeta e o ritmo acelerado a que se produzem alterações”, motivo para afirmar “que só tendo um bom conhecimento das espécies, como neste estudo viemos demonstrar, podemos perspectivar e priorizar adequadamente os esforços de conservação” concluiu Carla Cruz.

https://www.publico.pt/2020/09/01/local/noticia/investigadores-universidade-evora-descobrem-nova-planta-rara-charcos-temporarios-1929970

O extraordinário fóssil do Peru que mostra como baleias de 4 patas chegaram à América do Sul


O Museu de História Natural de Lima abriga os restos de uma rara criatura que viveu há 42 milhões de anos, quando o mundo era bem diferente do que é hoje.

O esqueleto de uma baleia anfíbia descoberto em 2011 na costa sul do Peru pelo paleontólogo Mario Urbina, do Museu de História Natural de Lima, não foi exibido ao público porque as pesquisas sobre ele ainda não foram concluídas.

A espécie foi batizada de Peregocetus pacificus, um termo que vem do latim pereger (viajante) e cetus (baleia).

"Este fóssil é o único remanescente de uma baleia quadrúpede descoberto na América do Sul até o momento", disse à BBC Mundo Rodolfo Salas-Gismondi, do Departamento de Paleontologia de Vertebrados do Museu de História Natural de Lima.

O fóssil de baleia também é "o primeiro esqueleto bem preservado de um cetáceo quadrúpede de toda a região do Pacífico", disse Olivier Lambert, pesquisador do Instituto Real Belga de Ciências Naturais que liderou os estudos e que recentemente apresentou as descobertas da equipe na reunião da Sociedade de Paleontologia de Vertebrados, na Austrália.

https://www.bbc.com/portuguese/internacional-50573320

Mata Nacional do Camarido está a ser alvo de um lifting

A Autoridade Florestal Nacional vai avançar com a recuperação da Mata Nacional do Camarido, 164 hectares de floresta mandados plantar há seis séculos pelo rei D. Dinis.

Localizada à beira-mar, na foz de um rio, com um posto de abastecimento de combustíveis no seu interior e atravessada por uma das estradas nacionais mais movimentadas do país, a Mata Nacional do Camarido, às portas de Caminha, nunca foi vítima de um grande incêndio. Talvez por isso, estes 164 hectares de floresta mandados plantar há seis séculos pelo rei D. Dinis e actualmente pertencentes ao domínio privado do Estado tenham árvores com mais de 130 anos. A necessidade urgente de rejuvenescimento e diversificação do arvoredo "decrépito", maioritariamente composto por pinheiro bravo, foi uma das razões que levou a Autoridade Florestal Nacional a avançar rapidamente com o Plano de Gestão Florestal. O objectivo é fazer um lifting àquele espaço arbóreo.

Pensado para durar 15 anos, o Plano de Gestão Florestal da Mata Nacional do Camarido vai ter "maior destaque, urgência e pormenorização" nos primeiros 12. No primeiro ano da sua execução (2011), foram gastos 31 mil euros, tendo a mata sido limpa, desbastada e reflorestada. Segundo avançou ao PÚBLICO Rui Batista, responsável pela delegação distrital da Direcção Regional de Florestas do Norte (DRFN), já foram plantadas 18.350 novas árvores, com maior preponderância do pinheiro bravo, mas também outras espécies, como o sobreiro, pinheiro manso, bordo (acer), carvalho, freixo e salgueiro.

As plantações, segundo esclarece o vice-presidente da Câmara de Caminha, Flamiano Martins, que está a acompanhar localmente a intervenção, foram feitas nos talhões (dos 22 em que aquela mancha florestal está dividida) localizados junto ao litoral, onde havia "pinhal muito velho". O autarca aplaude a intervenção, até porque a mata, que abrange as freguesias de Caminha, Cristelo e Vilarelho, é uma espécie de pulmão verde daquela zona, onde a Câmara de Caminha tem apostado no aproveitamento turistico, com a criação de uma ecovia e a requalificação do campo desportivo localizado no interior da floresta.

Tendo como vizinhas duas praias com bandeira azul (a praia de Moledo e a praia fluvial da foz do Minho), aquela que é a mata nacional com a maior mancha de pinhal a norte do rio Douro, abrangida por diversas figuras de protecção e conservação da natureza e biodiversidade e classificada por Rui Batista como "um património invulgar", está a ganhar "cara nova", graças a um processo que procura apagar marcas deixadas pelo passar de seis séculos.

O projecto tem por base um diagnóstico realizado em 2009 graças a uma parceria composta pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, pela Associação de Produtores Florestais do Vale do Minho e pela então DGRF através do Núcleo Florestal do Alto Minho da Circunscrição Florestal do Norte, que resultou no plano de ordenamento da mata.

Poluição do ar causa danos em todos os orgãos. Crianças são as mais vulneráveis


A poluição do ar pode estar a danificar todos os órgãos e praticamente todas as células do corpo humano, de acordo com um novo estudo do Fórum Internacional de Sociedades Respiratórias.

A pesquisa mostra danos da cabeça aos pés, de doenças cardíacas e pulmonares a diabetes e demência, e de problemas no fígado e cancro da bexiga a ossos frágeis e pele danificada. Fertilidade, fetos e crianças também são vitimas do ar tóxico, informa o estudo citado pelo The Guardian.

“A poluição atmosférica pode prejudicar de forma aguda e crónica todos os órgãos do corpo”, concluem os cientistas do Fórum de Sociedades Respiratórias Internacionais em dois artigos publicados na revista Chest.  “Partículas ultrafinas passam pelos pulmões e são prontamente captadas pelas células e transportadas pela corrente sanguínea acabando por expor virtualmente todas as células do corpo humano”, acrescenta o estudo.

No entanto, o impacto de diferentes poluentes em muitas doenças ainda está a ser estudado, sugerindo que os danos cardíacos e respiratórios são apenas “a ponta do iceberg”.

A poluição do ar é uma “emergência para a saúde pública ”, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, com mais de 90% da população mundial a respirar ar tóxico ao ar livre todos os dias. Numa nova análise foi revelado que 8,8 milhões de mortes precoces a cada ano – o dobro de estimativas anteriores – revelando que o ar tóxico é mais fatal do que o fumo do tabaco.

Embora a poluição atmosférica afete todas as regiões, idades e grupos sociais é provável que cause maiores problemas em pessoas com exposição mais intensa e com maior suscetibilidade. A população é mais vulnerável à poluição se tiver outras doenças ou menos apoio social.

A poluição atmosférica pode estar associada a sintomas imediatos após a exposição, como a tosse, lacrimejamento e dificuldades em respirar. Mas também pode estar associada a danos a longo prazo que são mais subtis.

As crianças são especialmente prejudicadas pela poluição do ar e por razões ambientais e biológicas. O facto de respirarem mais ar por unidade de peso corporal leva a que inalem mais substâncias tóxicas transportadas pelo ar. As exposições aos poluentes atmosféricos durante o período pré-natal e durante a infância podem ter efeitos prejudiciais e irreversíveis nos pulmões e noutros órgãos.

A poluição do ar está também associada a taxas reduzidas de fertilidade e aumento do risco de aborto espontâneo. Alguns estudos mostraram também que a qualidade do sémen ou dos espermatozoides também diminuiu em áreas com elevado grau de poluição.

A História das Religiões - Religiões Nativas da América

África Extraordinária

Lidl volta a transformar o plástico das praias



Este ano será em Vila Nova de Gaia que o projecto terá o seu ínicio, sendo 15 locais na totalidade a receber a iniciativa.

Durante 45 dias os banhistas poderão depositar as embalagens num depósito próprio, e participar ativamente na reciclagem e nova vida destes desperdícios. O objetivo é claro, que estas embalagens não acabem no mar, como acontecem a milhões de plásticos e metais todos os anos.

Segundo o responsável da iniciativa, os resultados da primeira edição foram ótimos e existe a expectativa que este ano a abrangência seja ainda maior.

O projecto TransforMAR resulta de uma parceria entre o Lidl Portugal, o Eletrão, Associação Bandeira Azul da Europa, Quercus e Agência Portuguesa do Ambiente.

Notícia - Genoma do polvo revelado na ponta dos seus oito tentáculos, ou dos “pés”


Os segredos genéticos de uma das maravilhas subaquáticas da Terra foram revelados: o polvo — animal cujo cérebro o coloca entre os invertebrados mais inteligentes e ao qual os oito tentáculos cravejados de ventosas dão uma aparência sobrenatural.

O estudo que desvenda o genoma completo de um polvo teve a liderança do Instituto de Ciência e Tecnologia de Okinawa (OIST, na sigla em inglês), no Japão, e nele participaram ainda as universidades de Chicago e da Califórnia, nos Estados Unidos.

É a primeira vez que se sequencia uma espécie cefalópode, a classe de moluscos à qual pertence o polvo e que inclui ainda as lulas, os chocos e os náutilos. Com três corações e cerca de 500 milhões de neurónios distribuídos pelos oito tentáculos, este animal pode assumir comportamentos tão estranhos como contrair os seus músculos para formar estruturas semelhantes a cotovelos e ombros, ou decorar a toca onde vive com o que sobrou das suas presas.

“Os polvos e outros cefalópodes são realmente criaturas extraordinárias”, disse à Reuters Caroline Albertin, estudante de biologia na Universidade de Chicago, que colaborou no estudo publicado na revista Nature.

“Num piscar de olhos, podem camuflar-se através da mudança de cor e de textura da pele. Os oito braços preênseis cheios de ventosas podem ser usados para agarrar, manipular e até degustar objectos; características tão complexas quanto as de terem olhos que funcionam como câmaras, e cérebros grandes que os tornam em activos predadores com comportamentos complexos.”

Mas por que é este animal tão diferente dos outros da sua classe? Para tentar compreender este mistério evolutivo, os cientistas sequenciaram o genoma do Octopus bimaculoides, uma espécie relativamente pequena, castanho-acinzentada, com duas manchas azuis iridescentes em cada um dos lados da cabeça, e que habita junto à costa Sul da Califórnia.

O grande incentivo foi tentar perceber a singularidade do sistema nervoso do animal, cujo cérebro está organizado de forma completamente diferente da dos vertebrados, e os genes por detrás dessa característica. “Foram os primeiros seres inteligentes do planeta”, disse Sydney Brenner, prémio Nobel da Medicina em 2002 e presidente do OIST, citado num comunicado desta instituição.

Próximo do tamanho do genoma humano (que tem 23 pares de cromossomas com cerca de 27 mil genes), o genoma do polvo é o maior dos invertebrados já sequenciados, como moscas, caracóis e ostras. Entre os 33 mil genes deste animal, há alguns que não se encontraram em mais nenhuma outra espécie: são cerca de 3500 genes que estão activos no cérebro, nas ventosas, na retina e permitem ainda a camuflagem.

Com uma organização diferente do de outros invertebrados, o genoma do polvo teve, no seu percurso evolutivo, uma grande expansão dos genes que regulam o desenvolvimento das células nervosas — fenómeno que antes se pensava estar associado à duplicação do genoma, como aconteceu com alguns vertebrados durante a evolução, incluindo o homem. Mas os resultados deste estudo contrariam esta hipótese e levantam diferentes hipóteses para a expansão e reorganização genómica do polvo.

Carnívoros que capturam por vezes usando veneno, o método comum para os polvos caçarem é através de um bico duro com o qual rasgam a presa. Tal como a mitológica Hidra, estes animais podem também regenerar os seus oito membros e largar ainda uma tinta escura para confundir os predadores. Se olharmos para a raiz grega do nome do animal — okto-pous —, verificamos que a designação dos tentáculos, ou braços, indica na verdade que tem oito pés.

Dois dos seus três corações são branquiais, têm a função de bombear o sangue para as guelras, enquanto o terceiro actua na circulação sistémica, fazendo o sangue chegar até aos órgãos. Quando o polvo está a nadar, o coração principal (o sistémico) pára de bater, fazendo com que o animal se canse rapidamente e prefira assim rastejar para se deslocar.

Já o sangue deste animal é verdadeiramente azul. Mas desengane-se quem associe a característica a uma distinta linhagem real. O motivo é simples e desprovido de elaborações metafóricas: em vez de ferro, o sangue dos polvos é rico em cobre que, em condições subaquáticas de grandes profundidades, permite um melhor transporte do oxigénio. É a presença deste elemento que dá ao sangue do polvo a cor azulada.

A linhagem dos cefalópodes começou a formar-se há 500 milhões de anos. Os primeiros polvos apareceram há cerca de 270 milhões de anos, e hoje existem cerca de 300 espécies.

“Podemos agora explorar os mecanismos moleculares do desenvolvimento do polvo, os seus comportamentos complexos, e ter uma melhor compreensão da trajectória evolutiva que levou aos polvos de hoje”, referiu Yan Wang, estudante de neurobiologia da Universidade de Chicago que participou no estudo, também citado pela Reuters. Daniel Rokhsar, professor na Universidade da Califórnia, revela que investigação genómica está a ser desenvolvida noutros cefalópodes, como a lula-gigante.

Um outro objectivo é também perceber a que função do sistema nervoso está associado cada gene. Irá aproveitar-se o facto de alguns genes já estarem activos no embrião do polvo e, por isso, ser mais fácil interferir com eles. “Precisamos de ser capazes de criar animais em laboratório e ter uma melhor ideia do que é o seu comportamento normal, para reconhecermos o que muda quando um gene é eliminado”, afirmou Daniel Rokhsar, no comunicado do OIST.

“Alienígena” foi como lhe chamou o zoólogo britânico Martin Wells (1928-2009) pela estranheza das suas características e diferenças do polvo em relação a outros animais da mesma classe. Clifton Ragsdale, da Universidade de Chicago também autor do estudo, corrobora esta classificação: “Podemos dizer que o nosso artigo descreve o primeiro genoma sequenciado de um alienígena.”

Texto retirado daqui
Texto editado por Teresa Firmino

Notícia - Governo quer preservar os arquivos da Ciência em Portugal

O Ministério da Ciência e Tecnologia vai lançar um programa de estímulo ao desenvolvimento da História da Ciência em Portugal, que terá uma componente específica dedicada aos últimos cem anos, motivada pela aproximação do centenário da República. Esta "iniciativa estratégica" terá o seu arranque público em Julho, durante um Encontro Nacional de História da Ciência em Portugal, refere um documento de trabalho do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior divulgado este fim-de-semana.

O programa, dirigido aos investigadores, às instituições académicas e científicas, e à sociedade em geral, tem também por objectivo a valorização do património cultural e científico do país. Em causa, segundo o Ministério, estará a preservação, classificação e estudo de acervos documentais e arquivos de Ciência, a formação avançada de novos investigadores, o reforço e articulação em redes de grupos e instituições científicas e o desenvolvimento de programas de investigação.

"A História da Ciência é uma componente fundamental do próprio desenvolvimento da Ciência" - lê-se no documento de trabalho. "O nível científico já alcançado em Portugal exige, para se ampliar e consolidar, um conhecimento sistemático do nosso próprio desenvolvimento científico e tecnológico, e das suas condições históricas. O programa específico para aprofundar o conhecimento e a divulgação da História da Ciência e do desenvolvimento científico dos últimos cem anos, chamado "100 anos de República, 100 anos de Ciência", será realizado em articulação com a Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República.

Notícia - Espécies em vias de extinção em Portugal

Abutre preto Aegypius monachus
Encontramos esta espécie sobretudo na zona fronteiriça do Alentejo e Beira Baixa. Apesar de cerca de uma centena frequentar território nacional, não há registo de terem nidificado com sucesso, embora tenham construído plataformas para o efeito.

Cabra montês Capra pyrenaica
Desapareceu do Gerês no final do século XIX, mas a Galiza apostou na protecção da espécie. Em 1999, reapareceu em Portugal. Encontramo-la em zonas montanhosas rochosas, florestas e matos temperados.


Cágado-de-carapaça-estriada Ermys orbicularis
Não se sabe ao certo quantos existem e, geralmente, são vistos isolados ou em pequenas populações. Estas encontram-se na zona de Vila Verde e na área do Douro Internacional. As zonas mais importantes para a espécie são os rios Mira, Arade e Guadiana.

Freira-da-madeira Pterodroma madeira
Nidifica na parte oriental do maciço montanhoso central da ilha da Madeira e ainda existe devido aos esforços de conservação feitos pelo Parque Natural da ilha. A população deve variar entre os 60 a 75 casais reprodutores.


Lince ibérico Lynx pardinus
O declínio do lince ibérico é acentuado, sendo considerado uma espécie em pré-extinção. Embora se encontrem indicações da sua presença em Portugal, não há provas de aqui ainda residam alguns.


Lobo marinho Monachus monachus
Esta espécie está circunscrita às Ilhas Desertas e Madeira. Nas últimas décadas, perdeu 80% da sua população. Considera-se que existam, actualmente, 25 animais, que habitam zonas de profundidade superior a seis metros.


Saramugo Anaecypris hispanica
Este peixe ocorre apenas na bacia hidrográfica do rio Guadiana, em pequenos cursos de água de carácter intermitente, pouco profundos, vegetação aquática e fundos pedregosos.


Víbora-de-seoane Vipera seoanei
Esta espécie existe no Minho e Trás-os-Montes. Encontra-se em zonas de lameiros, pastagens, prados e matagais. A perda de habitat e a repulsa que provoca nos humanos contribuem para a redução da população.

Rede elétrica baseada nas Energias Renováveis pode ser fiável e económica em 2030


As energias renováveis podem alimentar uma rede elétrica de grandes dimensões nos EUA de forma fiável e económica, em 2030, conclui um estudo publicado no mês passado online na revista Journal of Power Sources.

O trabalho foi levado a cabo por investigadores da University of Delaware e do Delaware Technical Community College que observaram que a fiabilidade do sistema energético baseado nas energias limpas roderia resultar da expansão da área geográfica usada na geração de eletricidade, do recurso a uma combinação de vários tipos de energias renováveis, do uso de sistemas de armazenamento de energia e, de forma reduzida, da utilização de combustíveis fósseis como último recurso.

Isto foi demonstrado recorrendo a um modelo computacional que analisou 28 mil milhões de combinações de fontes de energia renováveis e mecanismos de armazenamento energético que foram testados por períodos de 4 anos, e de acordo com registos meteorológicos horários e de procura de eletricidade.

“Por exemplo, usando hidrogénio para o armazenamento, podemos pôr em funcionamento um sistema elétrico que, atualmente, responderia a necessidades na ordem dos 72 GW 99,9 % do tempo usando 17 GW de energia solar, 68 GW de energia eólica offshore e 115 GW de energia eólica terrestre”, afirma Cory Budischak, do Departamento de Gestão Energética do Delaware Technical Community College, coautor do novo artigo.

O excesso de capacidade instalada do conjunto das várias tecnologias renováveis em relação à procura global é uma consequência do facto da sua produção ser inconstante, ou seja, de nem sempre gerarem o máximo de energia. No entanto, nos casos em que a produção de energia exceda a procura, os autores preveem o seu armazenamento, a sua utilização como substituto do gás natural para aquecimento dos edifícios, sendo o restante, residual, desperdiçado.

Willett Kempton, do College of Earth, Ocean and Environment da University of Delaware, explica a importância destes resultados ao afirmar que “vão contra a sabedoria convencional de que as energias renováveis não são fiáveis e são caras”.

Com efeito, os autores concluem “Apontar para 90% ou mais de energia renovável em 2030, de forma a atingir os objetivos de redução de 80 % ou 90 % do dióxido de carbono resultante da atividade do setor energético necessários no âmbito do combate às Alterações Climáticas,
conduz a poupanças económicas”

Fontes: Filipa Alves / www.udel.edu e www.gizmag.com

China está no centro da exploração florestal ilegal


A procura de madeira e a importação desta, sem controlo da proveniência, continua a aumentar na China, para consumo e para a indústria exportadora. Os portos e as cidades da China são o principal destino das redes de exploração e comércio de madeira ilegal. 
A China está no centro de um vasto tráfico global de madeira explorada ilegalmente. Apesar dos acordos internacionais de conservação, a actividade ilegal é abundante e está a destruir florestas inteiras em diversos locais do Mundo.
A investigação académica e de organizações não governamentais já revelaram redes de comércio de madeira ilegal na África Central, na Burma ou na Rússia. O destino dessa madeira comercializada são os portos e as cidades chinesas. As acusações já são feitas directamente a Pequim, ao estarem implicadas empresas públicas e responsáveis governamentais locais neste comércio ilegal e lucrativo.
O relatório "China, appetite for destruction", publicado agora no final de Novembro, explica como a procura de madeira na China aumentou desmesuradamente nas últimas décadas, não só para o crescente consumo da classe média como para alimentar a Indústria de madeira para exportação.
A China tornou-se no maior, importador, consumidor e exportador de madeira no Mundo. As florestas chinesas fornecem menos de 40% da madeira utilizada. Mesmo com o massivo plano de reflorestação que começou a ser implementado há mais duma década para combater as grandes cheias, a distância entre o fornecimento doméstico e a procura continuou a aumentar. A importação de madeira cresceu 300% em apenas uma década.
Em resultado da pressão da opinião pública muitos países (EUA, Austrália ou da UE) adoptaram legislação para banir possíveis importações de madeira ilegal, mas o governo chinês não teve qualquer iniciativa nesse sentido.
Na análise dos dados de 36 países fornecedores de madeira à China, concluiu-se que 10% da madeira tem origem em explorações florestai ilegais. O relatório descreve esquemas de corrupção com governos fracos como na Burma, na Papua Nova Guiné e Ilhas Salomão e cita importações ilegais de Moçambique e da Indonésia. O relatório denuncia ainda casos particulares como a importação de madeiras nobres que é especialmente lucrativo e onde são cortadas ilegalmente espécies de árvores em risco de extinção.

Fonte: Nuno Leitão/Guardian

Um milhão para recuperar água

São doze as autarquias da região Norte que vão receber mais de um milhão de euros para a concretização de parcerias que permitam requalificar e proteger os recursos hídricos nas zonas Litoral e Interior.
Esta verba (1 175 000 euros), a distribuir pelos municípios, é proveniente do Fundo de Protecção de Recursos Hídricos, constituído a partir da Taxa de Recursos Hídricos, que é cobrada aos consumidores domésticos, comerciais e industriais, na factura da água, para compensar o benefício que resulta da utilização privativa do domínio público hídrico.
"A Taxa dos Recursos Hídricos começa a cumprir o propósito com que foi criada, melhorar os recursos hídricos e a qualidade de vida das populações. Este apoio às autarquias constitui um bom exemplo do que pode ser a parceria entre a administração central e local", explicou a ministra do Ambiente, Dulce Pássaro, em declarações ao Correio da Manhã.
A maior fatia dos mais de um milhão de euros destina-se à autarquia de Vila Nova de Gaia, uma das mais populosas do País, com mais de 310 mil habitantes.
A ministra entrega as verbas depois de amanhã, numa cerimónia na Sala da Biblioteca da Alfândega do Porto.

Projecto de Coimbra revisita rotas dos naturalistas em África desde o século XVIII

O botânico Jorge Paiva, 78 anos, professor e investigador reformado da Universidade de Coimbra, corre dez quilómetros todos os dias. A sua forma física vai ser necessária agora para uma nova tarefa: servir de guia em quatro documentários que serão produzidos até 2013, sobre as missões botânicas da universidade em África.

Para entender o que significam estas missões, basta olhar para o herbário da universidade. Ali estão hoje armazenados cerca de 700.000 exemplares de flora – a maior colecção do país e a segunda maior da Península Ibérica. Uma parte significativa resulta de sucessivas campanhas científicas para a recolha e o estudo de espécies vegetais em vários países africanos, que os documentários agora irão retratar.

Uma parte da história à volta destas campanhas estava de certa forma escondida do público em geral, em gabinetes e armários do antigo Departamento de Botânica. “Percebemos que havia uma riqueza documental enorme”, afirma Helena Freitas, directora do Jardim Botânico de Coimbra. Desde 2005, a documentação tem vindo a ser organizada e disponibilizada através de uma biblioteca digital.

A partir daí surgiu a ideia de mostrar, também numa série de documentários, a história das missões botânicas dos naturalistas de Coimbra. O projecto foi viabilizado por uma candidatura ao programa COMPETE do QREN, com um financiamento de cerca de 500 mil euros – 65% de Bruxelas e 35% do Estado, através do programa Ciência Viva.

As “viagens filosóficas” são o mote do primeiro documentário – uma espécie de enquadramento daquelas que foram as primeiras expedições de cunho estritamente científico, no século XVIII. Os outros serão filmados em três países diferentes – Angola, Moçambique e São Tomé e Príncipe.

Jorge Paiva irá conduzir as histórias, percorrendo parte dos trajectos que outros naturalistas de Coimbra fizeram no princípio do século – Júlio Henriques, em São Tomé, em 1903, e Luís Carrisso, nas décadas de 1920 e 1930. Paiva, ele próprio, participou de expedições a Moçambique, na década de 1960, que serão objecto de um dos documentários. “Estive lá oito meses, sempre a acampar, e fiz 33.000 quilómetros”, relembra. “Estive em zonas onde lá não voltou mais ninguém”, completa.

As filmagens começam em Setembro, em São Tomé, e os documentários deverão estar concluídos até ao final de 2013. Serão transmitidos pela RTP. “Pretendemos que não seja algo académico, mas alargado ao público”, explica o coordenador do projecto, António Gouveia, biólogo do Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra.

O conteúdo científico será assegurado pela universidade, enquanto os documentários em si ficarão a cargo da produtora Terratreme, escolhida por concurso, entre oito concorrentes. Cinco realizadores diferentes estarão à frente dos filmes: Susana Nobre (“viagens filosóficas”); Luísa Homem e Tiago Hespanha (Moçambique); João Nicolau (S.Tomé e Príncipe); e André Godinho (Angola). “Não ser um mesmo realizador para toda a série traz mais riqueza ao projecto”, afirma o produtor João Matos, da Terratreme.

Os filmes procurarão complementar as informações sobre a flora e os ecossistemas com a sua interacção com as comunidades e as tradições locais. “São filmes de divulgação científica, mas há muitas formas de divulgar ciência”, diz João Matos.

Acidez dos oceanos aumenta a um ritmo sem precedentes desde há 300 milhões de anos

As emissões de dióxido de carbono estão a elevar a acidez dos mares e oceanos a um ritmo sem precedentes desde há 300 milhões de anos, que, a manter-se, impedirá a vida marinha em poucas décadas, revela um estudo.

A investigação, que a revista científica Science publica na sexta-feira, refere que a química marinha sofreu “profundas alterações” nos últimos 300 milhões de anos, embora nenhuma “tão rápida, grande e global” como a de hoje.

A acidez marinha produz-se à medida que o dióxido de carbono emitido pela actividade humana - originada fundamentalmente pela queima de combustíveis fósseis - é absorvido pelos mares e oceanos.

Um terço das emissões vai directamente para os oceanos e mares, que se tornam progressivamente tanto mais ácidos quanto mais frias são as suas águas.

A acidez, que prejudica muitas formas de vida marinha, interfere, sobretudo, com o desenvolvimento das espécies com carapaça ou esqueleto de carbonato cálcico, como corais e moluscos.

Uma equipa de cientistas dos Estados Unidos, Reino Unido, Espanha, Alemanha e Holanda examinou, para a investigação, centenas de estudos paleoceanográficos, incluindo de fósseis de sedimentos marinhos.

Em declarações à agência Efe, Carles Pelejero, investigador do Instituto de Ciências do Mar espanhol, advertiu que a acidez dos oceanos já está a afectar algumas espécies de fitoplâncton próprias de altas latitudes, que são a base principal da dieta dos salmões e das baleias.

De acordo com o investigador, “as águas de altas latitudes, como as do Oceano Glacial Árctico e Antárctico, que são muito frias e, por isso, muito ácidas e ricas em dióxido de carbono, atingirão, numa ou duas décadas, condições químicas que impedirão que os organismos com carapaça sobrevivam”.

Actualmente, a zona mais afectada, segundo Carles Pelejero, é a costa oeste do Pacífico, onde os criadores de ostras observaram que a fertilidade e o crescimento dos moluscos estão cada vez piores.

Desempenho acústico gera novas espécies de cigarras



O processo evolutivo das cigarras enveredou pela comunicação acústica e a diversificação dos seus cantos poderá estar na origem do aparecimento de novas espécies, segundo investigações de biólogos portugueses.

Três estudos publicados em revistas internacionais da especialidade revelam novas características destes insectos, reconhecíveis pelos seus grandes olhos e pelo talento acústico dos machos nos dias de maior calor, cujo volume de som pode chegar aos cem decibéis. São os insectos com maior esperança de vida: podem atingir 17 anos.

"A investigação tentou comparar a evolução de algumas espécies de cigarras ao longo de várias gerações, a níveis morfológico, genético e comportamental", explicou José Alberto Quartau, um dos responsáveis da investigação, da Universidade de Lisboa.

Quercus considera que Fundo de Recuperação e Pacto Ecológico europeus devem promover postos de trabalho em conservação da natureza e restauro ecológico

Uma saudação especial a quem faz Conservação da Natureza

O Dia Nacional da Conservação da Natureza é celebrado todos os anos no dia 28 de julho, tendo sido instituído pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 73/98, de 29 de junho, para celebrar o quinquagésimo aniversário da fundação da Liga para a Proteção da Natureza (LPN), a primeira e mais antiga Associação de Defesa do Ambiente da Península Ibérica. Por isso, e em primeiro lugar, a Quercus parabeniza o trabalho da LPN em prol da conservação da natureza, aproveitando para chamar a atenção para os desafios que todas as Associações conservacionistas portuguesas, ou seja, as que realizam projetos de conservação da natureza no terreno, enfrentam, sobretudo os de ordem financeira.

Conservação da natureza: um esforço hercúleo para as Associações

As Associações que fazem conservação do património natural, atuam numa área que é também uma das competências do Estado. No entanto, tal como a maioria das restantes Organizações Não Governamentais de Ambiente (ONGA) não recebem para o seu funcionamento regular qualquer subsídio do Estado, ao contrário de outro tipo de Organizações Não Governamentais, como as IPSS, que recebem comparticipações do Estado para pagar despesas de funcionamento correntes e que mesmo assim, manifestam dificuldades (1). O único apoio regular que existe para algumas ONGA é um protocolo que permite o destacamento para estas entidades de um professor do quadro do Ministério da Educação, para desenvolver e coordenar projetos de educação ambiental.

Frequentemente, para financiar projetos de conservação da Natureza, sobretudo os de maiores dimensões, as associações preparam candidaturas a financiamento europeu, nomeadamente ao programa LIFE, que financia a 75%, sendo necessário, contudo, encontrar a restante parte do financiamento, através de angariação de fundos junto de cidadãos, empresas ou outras organizações, e mais recentemente, através de candidaturas ao Fundo Ambiental. Deve ainda notar-se que para a execução desses mesmos projetos, as Associações têm de pagar taxas e impostos ao Estado português, como o IVA dos bens e serviços adquiridos ou o IRS e a TSU dos trabalhadores afetos.

Fundo Ambiental e Conservação da Natureza

Se é certo que o Fundo Ambiental reforçou no presente ano o apoio previsto à conservação da Biodiversidade e da Educação Ambiental em 1,7 milhões de euros, há que ver que a esse Fundo concorrem não apenas Associações, mas também Universidades, Fundações e empresas. No ano passado, o Fundo Ambiental financiou um total de apenas 500.000€ na área da Conservação da Natureza (2) destinados a 8 organizações, ficando de fora 15 candidaturas elegíveis e 4 consideradas não elegíveis. No entanto, o que queremos frisar aqui, não é a desadequação de critérios de análise aos projetos, que devem ter qualidade, mas sim a limitação de verbas que globalmente o Estado dispõe para os projetos de conservação da natureza, quer realizado pelas ONG, quer até pelo próprio Estado, através do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas.

Pacotes financeiros europeus: O Fundo de Recuperação e o Pacto Ecológico

Fundo de Recuperação

A recente aprovação do Fundo de Recuperação europeu no valor de 750 mil milhões cria, temporariamente, um instrumento importante de combate à recessão provocada pelo coronavírus e o confinamento. Para Portugal, isso representará um impacto financeiro muito significativo, com entrada de um volume ainda maior de financiamento do que na época “dourada” dos fundos europeus pós adesão à CEE. Sabendo que estes fundos são destinados  à recuperação da economia, a Quercus manifesta o desejo de que na sua aplicação fique prevista a criação de postos de trabalho na área da conservação da natureza. De facto, a conservação e valorização do património natural está intrinsecamente ligada à possibilidade do desenvolvimento de atividades conexas, como o Turismo de Natureza, atividade económica de forte componente out-door com viabilidade mesmo em contexto de pandemia.

Ao nível da União Europeia, estima-se que a Rede Natura 2000 apoie 104 mil empregos diretos em áreas protegidas de gestão e conservação de áreas protegidas e mais 70 mil empregos indiretos ou induzidos. No futuro, espera-se que as necessidades de biodiversidade possam gerar até 500 mil empregos (4).

Pacto Ecológico Europeu

O Pacto Ecológico Europeu (“European Green Deal”) prevê um roteiro com ações para que incluem restaurar a biodiversidade. No entanto, falta garantir compromissos claros para a integração da biodiversidade nas iniciativas principais do Pacto Ecológico Europeu, incluindo a Estratégia “Farm to Fork”. O Pacto Ecológico inclui uma ação prioritária para as cidades europeias verdes, que se espera venha a beneficiar também a componente biodiversidade. A Quercus espera que Portugal, ao assumir a Presidência Portuguesa em 2021, não esqueça os compromissos da Estratégia Europeia para a Biodiversidade 2030 e que contribua decisivamente para a afinação de um pacote financeiro substancial para a conservação da biodiversidade.

Para além da Conservação: O restauro ecológico

A ONU declarou 2021-2030 como a Década do Restauro de Ecossistemas, para ilustrar como o restauro ecológico pode contribuir para combater grandes problemas ambientais. Restauro ecológico é o esforço para reverter áreas que sofreram degradação para o retorno a uma situação mais próxima do estado inicial. Pode significar dar nova vida a áreas fora das áreas protegidas nacionais ou da Rede Natura 2000, mas cujo valor seja importante no contexto de corredores ecológicos (ex: galerias ripícolas) ou a nível local. Investir em restauro ecológico pode significar empregos locais diretos e indiretos que trazem vida de volta às comunidades locais (4).

REFERÊNCIAS

(1) https://www.tsf.pt/portugal/sociedade/estamos-em-sufoco-ipss-pedem-ao-estado-reforco-urgente-do-financiamento-11757171.html

(2) https://www.fundoambiental.pt/ficheiros/aviso-n-94512019-conservacao-da-natureza-relatorio-final-pdf.aspx

(3) https://ieep.eu/news/what-the-green-deal-means-for-europe-s-biodiversity

(4) https://ec.europa.eu/info/strategy/priorities-2019-2024/european-green-deal/actions-being-taken-eu/EU-biodiversity-strategy-2030_en

(5) https://www.decadeonrestoration.org/

Lisboa, 28 de Julho de 2020

A Direção Nacional da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza


 https://www.quercus.pt/comunicados/2020/julho/5935-quercus-considera-que-fundo-de-recuperacao-e-pacto-ecologico-europeus-devem-promover-postos-de-trabalho-em-conservacao-da-natureza-e-restauro-ecologico

Os antepassados do crocodilo que "corriam como uma avestruz ou um T. Rex"


Equipa de investigadores de China, Austrália e Estados Unidos publicaram trabalho na revista Nature Scientific Reports e concluíram que os antepassados dos crocodilos se deslocavam sobre as duas patas traseiras. Os antepassados do crocodilo que "corriam como uma avestruz ou um T. Rex"

Os antepassados dos crocodilos não caminhavam sobre quatro patas, como os seus primos modernos, mas sim sobre as duas patas traseiras, o que lhes permitia deslocarem-se de uma forma peculiar, semelhante à de alguns dinossauros como o pterossauro, diz um estudo divulgado nesta quinta-feira.

Uma equipa de investigadores de China, Austrália e Estados Unidos analisou as pegadas da era do cretácio inferior, descobertas durante algumas escavações na área de Sacheon Jahye-ri, perto de Sacheon City, na Coreia do Sul, onde foram descobertas antigas espécies de lagartos, aranhas e pequenas aves de rapina de 120 milhões de anos.

As investigações, divulgadas pela revista Nature Scientific Reports, sugerem que essas pegadas pertenciam a um antepassado do crocodilo moderno chamado "Batrachopus grandis". Andava "como um crocodilo numa corda bamba", explica Kyung Soo Kim, da Universidade nacional de Pedagogia de Chinju, na Coreia do Sul.

A forma de andar é "semelhante ao dos dinossauros, mas as pegadas não são de dinossauros", diz o cientista.

Os investigadores inicialmente atribuíram essas pegadas a um antigo pterossauro, dinossauro gigante que andava sobre duas patas para proteger as asas deles.

As pegadas, de 18 a 24 centimetros, foram feitas totalmente por membros traseiros, como evidencia a ausência de pegadas da cauda e as faixas estreitas deixadas atrás. Sugerem um comprimento corporal de até três metros, com pernas do mesma tamanho que as de um humano, segundo Anthony Romilio, paleontologista da Universidade de Queensland, um dos autores do estudo.

A forma das pegadas mostra que Batrachopus crescidos andavam com as patas a afundar os calcanhares no chão, como fazem os humanos, segundo esse estudo, o que destaca a necessidade de reexaminar outras amostras deste período morfologicamente semelhantes.

Segundo a equipa internacional que fez a descoberta, esta deverádesafiar a nossa perceção dos crocodilos. "As pessoas tendem a pensar que os crocodilos são animais que não precisam de muito: limitam-se a ficar o dia inteiro nas matgens do rio Nilo ou junto aos rios na Costa Rica. . Ninguém costuma pensar como seria esta criatura se fosse bípede e pudesse correr como uma avestruz ou um T. Rex", disse à BBC Martin Lockley, professor catedrático da Universidade do Colorado,

https://www.dn.pt/vida-e-futuro/estudo-diz-que-ancestrais-de-crocodilos-andavam-sobre-duas-patas-12304840.html

Lagarto é visto de novo após 130 anos


O réptil chamou a atenção do cientista italiano Elio Modigliani, devido à protuberância que tinha na narina. E foi por causa dela que ficou conhecido como “lagarto com chifre no nariz”. Porém, após esse registo, feito há 130 anos, o animal nunca mais foi visto.

Recentemente, um artigo publicado na revista científica “The Journal of Asian Biodiversity” veio revelar que a espécie “Harpesaurus modiglianii”, o nome científico do lagarto, afinal ainda não está extinta. Tudo se deve ao biólogo indonésio Chairunas Adha Putra, que o avistou enquanto estava numa expedição de aves, em Sumatra, há dois anos.

O especialista encontrou um animal já morto, mas com a ajuda do colega Thasun Amarasinghe, também biólogo, chegou à conclusão que o lagarto era da mesma espécie descrita por Elio Modigliani. A descoberta mostrou assim que a espécie ainda está viva, mas ameaçada, uma vez que a zona onde vive tem sofrido com o desmatamento.

https://www.noticiasmagazine.pt/2020/lagarto-e-visto-de-novo-apos-130-anos/historias/250448/

Parque Nacional da Peneda-Gerês com novas melhorias e reforço de meios humanos


Esta sexta-feira, 10 de julho, vai realizar-se a “Sessão de apresentação dos novos investimentos e reforço de meios humanos no Parque Nacional Peneda-Gerês”, que conta com a presença do Ministro do Ambiente e da Ação Climática, João Matos Fernandes, e do Secretário de Estado da Conservação da Natureza, das Florestas e do Ordenamento do Território, João Paulo Catarino.

No evento será assinado o memorando de entendimento entre os cinco municípios integrantes deste território – Arcos de Valdevez, Melgaço, Montalegre, Ponte da Barca e Terras de Bouro, com vista à adesão ao modelo de cogestão do parque nacional.

Serão também assinados protocolos referentes ao “Projeto de Melhoria das condições de visitação nos cinco municípios do Parque Nacional da Peneda-Gerês”, entre as cinco autarquias, o Fundo Ambiental, e o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).

Na mesma ocasião, ocorre a formalização da contratação dos 50 elementos do Corpo Nacional de Agentes Florestais, para proteção desta área.

O Parque tem em vista onze projetos de Plano-Piloto, que contam com um investimento de 8,4 milhões de euros. No âmbito do Projeto 4, Ordenamento e Sustentabilidade da Zona de Proteção Total da Mata de Albergaria, vai ser inaugurada a intervenção da Beneficiação do Caminho Florestal entre Leonte e a Portela do Homem, apoiada pelo Fundo Ambiental, com o valor de 533 mil euros.

https://greensavers.sapo.pt/parque-nacional-da-peneda-geres-com-mais-melhorias-e-reforco-de-meios-humanos/