sábado, 10 de outubro de 2020

Sabe porque temos quatro estações por ano? (não é a distância ao Sol)

Muitas pessoas assumem que a diferença da distância do nosso planeta em relação ao sol causa a mudança nas estações. Parece lógico, mas não é o caso da Terra.

Em vez disso, a Terra tem estações porque o eixo de rotação do nosso planeta é inclinado num ângulo de 23,5 graus em relação ao nosso plano orbital, ou seja, o plano da órbita da Terra em torno do sol.

Ao longo de um ano, o ângulo de inclinação não varia. Por outras palavras, o eixo norte da Terra está sempre a apontar na mesma direção no espaço. Neste momento, essa direção é mais ou menos em direção à estrela que chamamos de Polaris, a Estrela do Norte.

Mas a orientação da inclinação da Terra em relação ao sol muda conforme orbitamos o sol. Ou seja, o hemisfério norte é orientado em direção ao sol durante metade do ano e afastado do sol na outra metade. O mesmo se aplica ao hemisfério sul.

Quando o hemisfério norte está orientado para o sol, essa região da Terra aquece por causa do aumento correspondente da radiação solar. Os raios do sol estão a atingir aquela parte da Terra um ângulo mais direto. Por consequência, é verão.

Quando o hemisfério norte está orientado para longe do sol, os raios do sol são menos diretos e essa parte da Terra arrefece. Logo, é inverno.

As estações do hemisfério sul ocorrem em épocas do ano opostas às do hemisfério norte. Verão do norte = inverno do sul.

A inclinação no eixo da Terra é fortemente influenciada pela forma como a massa é distribuída pelo planeta. Grandes quantidades de massa de terra e mantos de gelo no hemisfério norte tornam a superfície da Terra pesada. Uma analogia para a obliquidade é imaginar o que aconteceria se girasse uma bola com um pedaço de pastilha elástica preso perto do topo. O peso extra faria com que a bola se inclinasse quando girada.

Durante longos períodos de tempo geológico, o ângulo da obliquidade da Terra gira entre 21,1 e 24,5 graus. Este ciclo dura aproximadamente 41.000 anos e acredita-se que desempenhe um papel fundamental na formação das eras glaciais – uma teoria científica proposta por Milutin Milankovitch em 1930.

A Terra está a diminuir em obliquidade

As diminuições na obliquidade podem definir o terreno para estações mais moderadas (verões mais frios e invernos mais quentes), enquanto aumentos na obliquidade criam estações mais extremas (verões mais quentes e invernos mais frios).

As geleiras tendem a crescer quando a Terra tem muitos verões frios que não conseguem derreter as neves do inverno. Como falamos de ciclos de 41.000 anos, essas mudanças na obliquidade não são o principal motor do clima da Terra no século seguinte.

As temperaturas na Terra são influenciadas não apenas pela obliquidade, mas também por muitos outros fatores que impulsionam o nosso complexo sistema climático e as temperaturas globais que vivenciamos ano a ano.

Outros planetas no nosso sistema solar também se inclinam em vários graus. Urano gira quase lateralmente a 97 graus e tem estações extremas. A inclinação axial em Vénus é de 177,3 graus. Consequentemente, Vénus tem muito poucas estações.

A distância da Terra ao sol muda ao longo do ano, e é lógico supor que um aumento ou diminuição na distância entre o sol e o planeta possa causar uma mudança cíclica nas estações. Mas – no caso do nosso planeta – essa mudança é muito pequena para causar essa mudança.

As nossas estações mudam devido ao ângulo de inclinação do nosso planeta – 23,5 graus – em relação à nossa órbita ao redor do sol. Se a Terra não se inclinasse, mas em vez disso orbitasse exatamente na vertical em relação à nossa órbita ao redor do Sol, haveria pequenas variações na temperatura ao longo de cada ano, à medida que a Terra se movesse um pouco mais perto do Sol ou um pouco mais longe. E haveria diferenças de temperatura da região equatorial da Terra aos pólos. Mas, sem a inclinação da Terra, não teríamos as maravilhosas mudanças sazonais da Terra e a nossa associação delas com as várias épocas do ano – associando uma sensação de frescor no ar com a primavera, por exemplo.

https://greensavers.sapo.pt/sabe-porque-temos-quatro-estacoes-por-ano-e-nao-e-a-distancia-ao-sol/

sexta-feira, 2 de outubro de 2020

Descargas poluentes no rio Vizela. Inspeção do Ambiente fez dez inspeções ao rio nos últimos cinco anos

A Inspeção-Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território (IGAMAOT) realizou, nos últimos cinco anos, 10 inspeções na bacia do rio Vizela, mas não fiscalizou a qualidade da água por não ser da sua competência.

Descargas poluentes no rio Vizela. Inspeção do Ambiente fez dez inspeções ao rio nos últimos cinco anos

A IGAMAOT, nomeadamente o inspetor-geral José Brito e Silva, foi hoje ouvido no parlamento, através de videochamada, no seguimento dos requerimentos de PS e PSD a propósito das descargas poluentes no rio Vizela, ficando por ouvir sobre o mesmo tema a Agência Portuguesa do Ambiente, inicialmente prevista para hoje também.

Aos deputados da Comissão de Ambiente, Energia e Ordenamento do Território, José Brito e Silva explicou que entre 2016 e 2020 foram realizadas 10 inspeções, sendo que da última, à Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Serzedo, ainda está a ser elaborado o seu relatório.

O deputado do PSD Emídio Guerreiro, um dos partidos que apresentou o requerimento, referiu que, apesar de já serem conhecidas “há muito tempo as descargas no rio Vizela”, estas ganharam “maior amplitude desde 2017” com a constituição de um plano para a despoluição do rio, com a participação de várias entidades.

“Fomos confrontados com a saída do município de Vizela deste plano e ontem [terça-feira] foram aqui ouvidos os presidentes das câmaras de Vizela, Fafe e Felgueiras e ficou evidenciado pelos convidados que o foco principal é da própria ETAR, contrariado pelas Águas do Norte. Há um problema”, explicou.

Emidio Guerreiro salientou a necessidade de ser conhecido o papel da IGAMAOT neste processo e saber as conclusões que têm resultado das inspeções realizadas, sublinhando que “incomoda o passar dos anos e a situação manter-se”.

Brito e Silva esclareceu que a IGAMAOT “faz inspeções aos operadores e aos efluentes” e “não há qualidade da água”, uma vez que não é da sua competência por não ser gestora do recurso hídrico.

O inspetor-geral reiterou que o organismo faz parte do grupo de trabalho para a despoluição do rio “mas não interage”, uma afirmação que gerou burburinho entre os deputados presentes na comissão.

“O plano de despoluição do rio Vizela e o licenciamento são questões que dizem respeito às entidades que emitem licenças. A IGAMAOT não tem competência alguma, logo não tem contributos”, afirmou o responsável, salientando que a sua autonomia em termos de fiscalização “não pode ficar quartada” por fazer parte do plano de despoluição.

Brito e Silva disse ainda aos deputados que já em 2020 a IGAMAOT recebeu “algumas denúncias” de poluição no rio em questão e que estas foram encaminhadas para a Agência Portuguesa do Ambiente e para a GNR, uma vez que trabalham em articulação, tendo a GNR levantado processos de contraordenação depois de encontrados os infratores.

Os presidentes das câmaras de Vizela, Fafe e Felgueiras defenderam na terça-feira, na Assembleia da República, a necessidade de uma solução técnica eficaz que acabe definitivamente com o problema da poluição do rio Vizela.

Para os três autarcas ouvidos pela Lusa depois de terem participado numa audição sobre o tema na Comissão de Ambiente, Energia e Ordenamento do Território, o funcionamento da ETAR de Serzedo constitui a questão central do problema.

O presidente da Câmara de Vizela, Vitor Hugo Salgado, tem liderado a contestação pública ao funcionamento daquele equipamento da empresa de capitais públicos Águas do Norte, que considera ser o principal foco poluidor daquele afluente do rio Ave.

O autarca recordou que a solução pode passar pela construção de um emissário que ligue a ETAR de Serzedo (Guimarães) à ETAR de Lordelo, no mesmo concelho, de acordo com um projeto já executado, mas para o qual não há ainda financiamento.

O presidente da Câmara de Fafe, que também preside à Comunidade Intermunicipal do Ave, recordou à Lusa que a poluição de Vizela é um problema transversal a vários municípios, porque se trata do principal afluente do rio Ave.

Raul Cunha assinala que o problema está, de facto, na ETAR de Serzedo e o facto de drenar num ponto do rio que tem, sobretudo no verão, pouco caudal, situação que se acentuou nos últimos anos, agravando as queixas.

O autarca de Fafe admite que a solução pode passar por um emissário ligando à ETAR de Lordelo, mas sublinhou que essa possibilidade não pode nunca significar transferir o problema de um município para o outro.

https://24.sapo.pt/atualidade/artigos/descargas-poluentes-no-rio-vizela-inspecao-do-ambiente-fez-dez-inspecoes-ao-rio-nos-ultimos-cinco-anos

quarta-feira, 30 de setembro de 2020

Descobertos traços genéticos que explicam maior resistência de gado africano

Uma equipa internacional de cientistas anunciou hoje a descoberta de novos traços genéticos no gado africano, resultantes do cruzamento com espécies asiáticas, que o tornam mais tolerante ao calor e à seca e mais resistente a doenças.

A investigação está a ser realizada pelo International Livestock Research Institute (ILRI), com sede em Nairobi (Quénia) e Adis Abeba (Etiópia), Universidade Nacional de Seul e Universidade de Nottingham, Reino Unido, entre outras instituições.

“Acreditamos que este conhecimento pode ser utilizado para criar uma nova geração de gado africano com algumas das qualidades do gado europeu e americano – que produzem mais leite e carne por animal – mas com o rico mosaico de características que tornam o gado africano mais resistente e sustentável”, explicou Olivier Hanotte, cientista sénior do ILRI.

O estudo, que procurou compreender como o gado evoluiu rapidamente com traços que lhe permitiram prosperar em todo o continente africano, traçou mil anos de criação pastoril africana e sequenciou os genomas de 172 bovinos nativos.

Os resultados, publicados na edição de outubro da revista científica ‘Nature Genetic’, indicam que ocorreu um “choque evolutivo” entre 750 e 1.050 anos atrás com a chegada de raças de gado asiáticas à África Oriental, portadoras de traços genéticos adaptados ao exigente ambiente africano.

O cruzamento resultou em gado com características para sobreviver em climas quentes e secos, típicos do gado asiático conhecido como “Zebu”, e ao mesmo tempo suportar climas húmidos onde doenças como a tripanossomíase (doença do sono) são comuns, traços típicos das raças de gado africanas chamadas “Taurine”.

“Sem gado milhões de pessoas em África teriam sido forçadas a caçar animais selvagens em busca de proteínas”, apontou, por seu lado, a especialista do ILRI, Ally Okeyo Mwai.

“Isso teria sido devastador para o ambiente africano e para a sua incrível diversidade de vida selvagem”, acrescentou.

Para muitas famílias africanas, especialmente as mais pobres, o gado continua a ser o bem mais valioso, fornecendo uma fonte de rendimento, mas também de proteínas e micronutrientes.

Os animais também fornecem estrume para as culturas e algumas raças pecuárias africanas podem sobreviver em condições onde não são viáveis culturas alimentares, o que permite aos agricultores uma potencial estratégia de adaptação para lidar com a crise climática.

“Ao estudar os genomas do gado nativo, pode ver-se que a adaptação tem sido a chave para o sucesso da produção pecuária em África”, disse Steve Kemp, outro autor de estudo e cientista do ILRI.

“E isso tem de ser o fator nos nossos esforços futuros para criar animais mais produtivos e mais sustentáveis. Se o objetivo é apenas a produtividade, está condenado ao fracasso”, acrescentou.

https://www.agroportal.pt/descobertos-tracos-geneticos-que-explicam-maior-resistencia-de-gado-africano/

terça-feira, 29 de setembro de 2020

Governo diz que, em 2030, 80% da eletricidade de Portugal será de fontes renováveis

O ministro do Ambiente, Matos Fernandes, disse hoje que 80% da eletricidade de Portugal será de fontes renováveis em 2030, mas prometeu que em termos de exploração de novos modelos “todos os projetos grandes” terão “avaliação de impacto ambiental”.

“Portugal está e estará preparado para os desafios do futuro e para a sustentabilidade da economia. São muito claros os limites do sistema terrestre. Não vale a pena colocarmos isso em causa. O crescimento europeu da economia e em Portugal também, tem de passar por investimentos no setor da sustentabilidade. Mobilidade suave, energias renováveis, eficiência energética”, disse João Pedro Matos Fernandes.

O ministro, que falava aos jornalistas no Porto à margem de uma conferência sobre os desafios estratégicos na ação climática, disse que atualmente “57% da eletricidade consumida em Portugal tem origem em fontes renováveis”.

“E vamos mesmo chegar a 2030 com 80% da eletricidade a partir de fontes renováveis. Isso significa muito menos importações e grandes ganhos para a balança comercial e autonomia energética. Mas a eletricidade não resolve todos os problemas. Tem de continuar a existir gás – numa fase de transição, o gás natural – mas devemos passar para gases renováveis”, acrescentou.

Já sobre o uso de hidrogénio, Matos Fernandes referiu que “o que começou por ser um projeto do Governo português, é agora um projeto de Portugal”, mas prometeu “acautelar cuidados”.

“Todos os projetos grandes têm de ter avaliação de impacto ambiental. Não podemos dizer que queremos energias renováveis e depois não ter onde fazer parques escolares, mas teremos em conta as diferenças dos territórios”.

O ministro do Ambiente sublinhou a convicção de que “Portugal não pode ter um metro quadrado de território abandonado”, avançando que “o próximo quadro comunitário de apoio vai desenhar políticas concretas para as regiões que onde há uma maior necessidade de intervenção”.

“Temos de definir planos de mobilidade adaptados aos territórios de baixa densidade. Rede equipamentos capaz para esses cuidados”, concluiu.

https://24.sapo.pt/atualidade/artigos/governo-diz-que-em-2030-80-da-eletricidade-de-portugal-sera-de-fontes-renovaveis

quarta-feira, 9 de setembro de 2020

De que forma os raios prejudicam as árvores e os ecossistemas tropicais?


A trovoada é um fenómeno metereológico comum em todo o mundo, com uma ocorrência média de 20 milhões anualmente, cita o IPMA.

Um novo estudo da Universidade de Louisville, publicado na revista Global Change Biology, investigou a ocorrência da trovoada e as consequências das descargas elétricas nas florestas tropicais. A equipa concluiu que as florestas com maior incidência de raios têm menos árvores grandes por hectare, afetando a longo prazo sua biomassa no total. Um só raio pode afetar mais de 20 árvores, e num ano, cerca de 6 morrem.

Os cientistas utilizaram satélites e sensores de solo para avaliar o impacto. “Achamos que cerca de 830 milhões de árvores são atingidas por raios e um quarto delas, cerca de 200 milhões, são mortas”, afirma Evan Gora, uma das autoras do estudo, ao Scientific American.

Entre 2013 e 2018, os ecossistemas tropicais tiveram perto de 100.4 milhões de relâmpagos por ano.

Além da ação humana, também fatores naturais como estes afetam as florestas, que são vistas como os pulmões do Planeta. Os especialistas temem que o aquecimento global propicie a uma maior frequência de trovoadas, levando à diminuição destes seres vivos essenciais para a nossa sobrevivência; É por isso fundamental fazermos o que está ao nosso alcance para mitigar as alterações climáticas.

https://greensavers.sapo.pt/de-que-forma-os-raios-prejudicam-as-arvores-e-os-ecossistemas-tropicais/

Tubarão-frade: um turista acidental nos Açores


O tubarão-frade é poucas vezes observado nos Açores, mas isso pode apenas querer dizer que a espécie é ainda mal conhecida…

O dia 10 de Fevereiro de 1956, num dos meses mais frios de que há memória em Portugal e que levaria inclusivamente neve ao Algarve, John Collins, telegrafista de profissão, estava prestes a assistir a um acontecimento inédito nos Açores. Do corpo de um enorme cachalote que ocupava a rampa de desmanche da fábrica da baleia do Porto Pim, no Faial, foi retirada uma presa inesperada: um exemplar de tubarão-frade, o segundo maior peixe do mundo. Este tubarão não era conhecido como presa de cachalote e os seus avistamentos eram uma raridade nos Açores. A primeira ocorrência documentada da espécie no arquipélago fora descrita apenas em 1939. Em que circunstâncias extraordinárias se encontrava ali aquele exemplar?

Meio século mais tarde, ao largo da ilha de São Miguel, foi pela primeira vez fotografado um exemplar vivo desta espécie no arquipélago. De permeio, segundo documentaram os biólogos Filipe Porteiro e Pedro Niny, alguns tubarões-frade arrojaram em São Miguel e na Terceira, mas os avistamentos deste gigante no arquipélago dos Açores continuaram a ser acidentais. Observado com alguma regularidade junto à costa continental portuguesa, o animal continuou a ser visto nos Açores como uma raridade. 

O hábito de se deslocar vagarosamente junto à superfície e próximo da costa tornou o tubarão-frade um alvo para a pesca nas águas costeiras da maioria dos países onde é avistado. O método tradicional de captura desta espécie era igual ao da baleia, através do arremesso de um arpão. Esta prática abrandou na década de 1910.

O nome tubarão-frade é uma derivação da sua designação original – tubarão-peregrino. Este nome resulta do seu hábito de deambular, aparentemente sem rumo definido, à superfície da água. O nome científico Cetorhinus maximus provém do grego e designa um monstro marinho de grande rostro. É provável que esta injusta descrição se baseie na percepção que os primeiros naturalistas tiveram de uma enorme silhueta que pode medir 12 metros de comprimento, muitas vezes observada junto à superfície, com a sua boca de tal forma aberta que o nariz parece saltar fora de água.

Actualmente, porém, sabe-se que as deslocações vagarosas deste animal nos dias soalheiros próximo da costa e junto à superfície se devem ao facto de o tubarão-frade, tal como outros grandes peixes cartilagíneos, ser um tubarão filtrador que se alimenta de plâncton, principalmente, de crustáceos, pequenos peixes, larvas e ovos de peixes. 

Na chegada da Primavera, inicia-se o seu ciclo biológico nas águas temperadas frias. O progressivo aumento da temperatura desencadeia um frenesi de produção de organismos microscópicos que compõem o fitoplâncton, multiplicando-se em densidades astronómicas e originando explosões de vida. Os tubarões-frade perseguem esta abundância primaveril próximo das costas. Ao seguirem selectivamente manchas de maior densidade de plâncton, podem filtrar o equivalente a cinco mil toneladas de água por hora. E é nessa fase, em que navegam perto da superfície, que são avistados.

Em terra, seria impossível que um animal do tamanho de um autocarro e com o peso equivalente a quatro veículos ligeiros passasse despercebido nas suas deambulações migratórias. Nas profundezas do mar, porém, o tubarão-frade é uma gota de água, um gigante tímido e desconhecido. Durante décadas, soube-se pouco sobre a sua distribuição e comportamento e o pouco que se sabia resultava de encontros ocasionais em alguns sítios historicamente visitados por esta espécie no final da Primavera e início do Verão, a que se seguiam longos meses de ausência. 

As investigações recentes descobriram que o tubarão-frade mergulha frequentemente a profundidades na ordem dos 1.000 metros. É possível que se movimente com mais frequência do que o esperado junto das ilhas atlânticas portuguesas, mas a profundidades que o tornem quase indetectável. 

A quebra do volume de zooplâncton nas zonas costeiras era apontada como a causa da migração no Inverno dos tubarões-frade para águas mais profundas. Chegou a ser levantada a hipótese de estes animais hibernarem durante meses, fazendo uso das reservas energéticas do seu enorme fígado. Também a informação sobre a sua anatomia era tão escassa que a maioria dos estudos se baseava em dados recolhidos por dois cientistas (Leonard Matthews e Hampton Parker) em 1947. A convite do dono de uma fábrica pesqueira na ilha escocesa de Soay, os dois britânicos dissecaram e estudaram dez tubarões-frade, recolhendo dados que, 50 anos mais tarde, ainda serviam de fundamentação para estudos científicos. No entanto, a ajuda à ciência desta vez veio literalmente do céu.

No dia 10 de Setembro de 2007, um satélite da NOOA (Agência Norte-Americana para os Oceanos e Atmosfera) captou informações transmitidas de um emissor que flutuava no Atlântico Norte. Oitenta e dois dias antes, uma embarcação licenciada pelo Departamento de Agricultura, Florestas e Pescas da ilha de Man aproximara-se de um tubarão-frade fêmea com oito metros de comprimento. Um dardo foi projectado da embarcação, alojando-se na base da barbatana dorsal que se projectava da superfície. Ligado por um fio de nylon a este dardo, encontrava-se um aparelho colector e emissor de dados programado para se soltar cerca de cem dias mais tarde e emitir dados de temperatura, profundidade e níveis de luz durante este período. Mauvis Gore, o coordenador deste projecto, talvez não sonhasse então com o volume de informação que viria a ser fornecido por um único animal.

Alcunhado Tracy, o tubarão marcado percorreu 9.589km, iniciando a sua viagem no mar da Irlanda, abandonando a plataforma continental, atravessando o Atlântico, passando a norte do arquipélago dos Açores e chegando ao largo da Terra Nova, no Canadá, em apenas 82 dias. A sua rota é a primeira prova da utilização de águas profundas para além da plataforma continental e de uma migração transatlântica das populações de tubarão-frade da Europa e da América, o que leva Pedro Afonso, biólogo do Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores especializado em estudos de telemetria, a referir que “as investigações recentes demonstraram que o offshore também é um habitat relevante para esta espécie e que a amplitude desse habitat é bem maior do que se pensava”.

Os dados relativos à migração vertical deste tubarão foram igualmente surpreendentes. Após permanecer em águas pouco profundas durante cinco dias, Tracy seguiu para profundidades na ordem das duas centenas de metros, nas quais se manteve durante dez dias. Ao chegar ao fim da plataforma continental, realizou mergulhos até uma profundidade recorde de 1.264 metros e passando pelo menos uma dúzia de vezes a profundidades superiores a mil metros. A informação sugere uma procura activa de alimentos na coluna de água, uma vez que é aí que existem os copépodes mesopelágicos, as suas presas naturais. Os últimos 40 dias foram passados junto à superfície numa zona abundante da sua presa favorita, o pequeno copépode da espécie Calanus finmarchicus, de apenas 5mm de comprimento. 

É perigoso extrapolar os dados obtidos com um indivíduo para toda uma espécie, porque existe grande plasticidade comportamental entre indivíduos. Pedro Afonso refere mesmo que “o comportamento do mesmo indivíduo pode variar muito ao longo dos anos”. De todo o modo, os dados da rota migratória de Tracy ofereceram mais uma pista para compreender os avistamentos ocasionais da espécie, que se julgava confinada às plataformas continentais. Na verdade, Tracy dispersou-se muito mais do que aquilo que era admitido pela comunidade científica. 

Este indício viria a ser suportado um ano mais tarde, em 2009, com a publicação de um artigo mais abrangente, que utilizou a mesma técnica de recolha de dados no Massachusetts, agora aplicada a 25 diferentes tubarões-frade. Os dados recolhidos por satélite pela equipa de Gregory Skomal indicaram que o tubarão-frade é um dos poucos animais marinhos capazes de atravessar o equador durante as suas migrações. Nada entre 200 e 1.000 metros de profundidade, seguindo zonas de termoclinas frias, passando semanas a meses longe do olhar humano, a grande profundidade em águas tropicais. Vários indivíduos marcados no Verão em zonas costeiras nas águas temperadas do Massachusetts atravessaram o equador, permanecendo em locais tão improváveis como a boca do rio Amazonas e orientando provavelmente o seu comportamento em função da disponibilidade de presas. 

Os Açores encontram-se provavelmente no limite meridional do seu território de alimentação estival, o que explicaria os avistamentos ocasionais à superfície. Mas para Pedro Afonso há uma hipótese adicional: é possível que a espécie “passe com mais frequência na região mas a grandes profundidades, tal como demonstrado neste estudo com a população americana, ao passo que nas águas do Norte já estará em ‘modo de superfície’”. O biólogo acrescenta: “Está por esclarecer de que forma os comportamentos sociais afectam também as movimentações da espécie.” Por outras palavras, podem existir outras razões que expliquem a presença em habitats profundos que não a alimentação, tais como o acasalamento.

Os Açores encontram-se provavelmente no limite meridional do seu território de alimentação estival, o que explicaria os avistamentos ocasionais à superfície.

Graças a estes esforços, tem-se hoje como provável que o tubarão-frade se sinta à vontade em águas profundas, tenha capacidade para sobreviver em águas tropicais e realize migrações de um hemisfério para outro. Ao mesmo tempo, estes dados demonstram a necessidade de esforços globais para a protecção desta espécie classificada na “Lista Vermelha da União Mundial de Conservação da Natureza” como “vulnerável” em termos globais e “em perigo” no Atlântico e Pacífico Norte. “Tal como já se demonstrou com várias outras espécies, como a tintureira, é preciso conceber o habitat em toda a sua extensão, na medida em que ele nada muito para lá da plataforma continental, e nas várias profundidades em que ele vive”, comenta Pedro Afonso.

No entanto, talvez o maior desafio para a preservação da espécie seja o preenchimento das lacunas ainda existentes em relação à ecologia da segunda maior espécie de peixe dos nossos oceanos. As descobertas sobre as rotas migratórias dos tubarões-frade obrigaram à revisão de dados que eram tidos como certos em relação a esta espécie, mas ainda há lacunas. Dada a plasticidade de comportamentos e as usuais variações oceanográficas entre anos, quem sabe para onde nadará Tracy no próximo ano? 

https://nationalgeographic.sapo.pt/natureza/actualidade/2272-tubarao-frade-um-turista-acidental-nos-acores

terça-feira, 1 de setembro de 2020

Investigadores da Universidade de Évora descobrem uma nova planta rara nos charcos temporários



Os charcos temporários do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, continuam a revelar-se uma “arca de noé” de plantas que resistem, nalguns casos, há milhões de anos. Carla Pinto Cruz, professora do Departamento de Biologia da Universidade de Évora (UÉ) acaba de anunciar a descoberta de uma nova espécie de planta “endémica, rara e fortemente ameaçada”, a Helosciadium milfontinum, que cresce nestes habitats. A designação atribuída é uma alusão à sua área de ocorrência, ou seja, Vila Nova de Milfontes.

Nas informações prestadas ao PÚBLICO, a investigadora refere que o levantamento efectuado permitiu confirmar que a planta de se encontra “restringida a nível mundial a pequenas áreas da Costa Vicentina.”

Na descrição que faz da nova espécie é realçada a “importância da descoberta”. Trata-se de uma planta que se apresenta com um conjunto de flores que “faz lembrar um pequeno guarda-chuva, semelhante às flores do agrião que floresce entre Julho e Agosto e frutifica no início de Setembro”. Tem caules rastejantes, “que enraízam em nós e as folhas são lobadas e têm as margens dentadas”, acrescenta a investigadora.

O trabalho de investigação realizado envolveu botânicos da Universidade de Évora e da Universidade de Oviedo e permitiu diferenciar a nova espécie de uma outra previamente identificada como Apium repens, uma planta com flor pertencente à família Apiaceae de que fazem parte a cenoura, o aipo, a salsa, a erva-doce, os cominhos e outras plantas aromáticas. Esta espécie tem uma área de distribuição mais abrangente no território europeu que o habitat da Helosciadium milfontinum, que se reduz a algumas zonas do parque natural, observa Carla Cruz. Com efeito “foi através da identificação de pequenas sequências de DNA, que tornou possível a descoberta da Helosciadium milfontinum” acrescenta a investigadora, frisando que a planta “já foi alvo de alguns esforços de conservação”, quer nos charcos temporários da região onde pode ser encontrada.

Assim, cada espécie de planta é designada por uma combinação exclusiva de duas palavras em latim: primeiro o “género” e depois o epíteto específico, atribuindo-se um nome único para cada espécie -reconhecido mundialmente por todos os cientistas - tal como se verifica com esta descoberta e cujo epíteto específico atribuído milfontinum” por ser alusivo à sua área de ocorrência, ou seja, Vila Nova de Milfontes.

Carla Cruz destaca o trabalho coordenado pela UÉ que correspondeu a uma iniciativa do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), em parceria com o Fundo Ambiental através do projecto “Recuperação de Valores Naturais - Habitats e Espécies de Zonas Húmidas Temporárias.”  

O levantamento que foi feito dos charcos temporários da região alentejana permitiu constatar que as ameaças à sua conservação são cada vez mais fortes. São “um habitat único que alberga uma grande diversidade de organismos e onde a diversidade biológica vai sendo perdida à medida que cada espécie se extingue”, alerta a investigadora.  

A realização de acções de conservação e o seu planeamento adequado “é essencial” recorda, referindo que, “são observadas diariamente as consequências das nossas acções no planeta e o ritmo acelerado a que se produzem alterações”, motivo para afirmar “que só tendo um bom conhecimento das espécies, como neste estudo viemos demonstrar, podemos perspectivar e priorizar adequadamente os esforços de conservação” concluiu Carla Cruz.

https://www.publico.pt/2020/09/01/local/noticia/investigadores-universidade-evora-descobrem-nova-planta-rara-charcos-temporarios-1929970

segunda-feira, 24 de agosto de 2020

Quercus considera que Fundo de Recuperação e Pacto Ecológico europeus devem promover postos de trabalho em conservação da natureza e restauro ecológico

Uma saudação especial a quem faz Conservação da Natureza

O Dia Nacional da Conservação da Natureza é celebrado todos os anos no dia 28 de julho, tendo sido instituído pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 73/98, de 29 de junho, para celebrar o quinquagésimo aniversário da fundação da Liga para a Proteção da Natureza (LPN), a primeira e mais antiga Associação de Defesa do Ambiente da Península Ibérica. Por isso, e em primeiro lugar, a Quercus parabeniza o trabalho da LPN em prol da conservação da natureza, aproveitando para chamar a atenção para os desafios que todas as Associações conservacionistas portuguesas, ou seja, as que realizam projetos de conservação da natureza no terreno, enfrentam, sobretudo os de ordem financeira.

Conservação da natureza: um esforço hercúleo para as Associações

As Associações que fazem conservação do património natural, atuam numa área que é também uma das competências do Estado. No entanto, tal como a maioria das restantes Organizações Não Governamentais de Ambiente (ONGA) não recebem para o seu funcionamento regular qualquer subsídio do Estado, ao contrário de outro tipo de Organizações Não Governamentais, como as IPSS, que recebem comparticipações do Estado para pagar despesas de funcionamento correntes e que mesmo assim, manifestam dificuldades (1). O único apoio regular que existe para algumas ONGA é um protocolo que permite o destacamento para estas entidades de um professor do quadro do Ministério da Educação, para desenvolver e coordenar projetos de educação ambiental.

Frequentemente, para financiar projetos de conservação da Natureza, sobretudo os de maiores dimensões, as associações preparam candidaturas a financiamento europeu, nomeadamente ao programa LIFE, que financia a 75%, sendo necessário, contudo, encontrar a restante parte do financiamento, através de angariação de fundos junto de cidadãos, empresas ou outras organizações, e mais recentemente, através de candidaturas ao Fundo Ambiental. Deve ainda notar-se que para a execução desses mesmos projetos, as Associações têm de pagar taxas e impostos ao Estado português, como o IVA dos bens e serviços adquiridos ou o IRS e a TSU dos trabalhadores afetos.

Fundo Ambiental e Conservação da Natureza

Se é certo que o Fundo Ambiental reforçou no presente ano o apoio previsto à conservação da Biodiversidade e da Educação Ambiental em 1,7 milhões de euros, há que ver que a esse Fundo concorrem não apenas Associações, mas também Universidades, Fundações e empresas. No ano passado, o Fundo Ambiental financiou um total de apenas 500.000€ na área da Conservação da Natureza (2) destinados a 8 organizações, ficando de fora 15 candidaturas elegíveis e 4 consideradas não elegíveis. No entanto, o que queremos frisar aqui, não é a desadequação de critérios de análise aos projetos, que devem ter qualidade, mas sim a limitação de verbas que globalmente o Estado dispõe para os projetos de conservação da natureza, quer realizado pelas ONG, quer até pelo próprio Estado, através do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas.

Pacotes financeiros europeus: O Fundo de Recuperação e o Pacto Ecológico

Fundo de Recuperação

A recente aprovação do Fundo de Recuperação europeu no valor de 750 mil milhões cria, temporariamente, um instrumento importante de combate à recessão provocada pelo coronavírus e o confinamento. Para Portugal, isso representará um impacto financeiro muito significativo, com entrada de um volume ainda maior de financiamento do que na época “dourada” dos fundos europeus pós adesão à CEE. Sabendo que estes fundos são destinados  à recuperação da economia, a Quercus manifesta o desejo de que na sua aplicação fique prevista a criação de postos de trabalho na área da conservação da natureza. De facto, a conservação e valorização do património natural está intrinsecamente ligada à possibilidade do desenvolvimento de atividades conexas, como o Turismo de Natureza, atividade económica de forte componente out-door com viabilidade mesmo em contexto de pandemia.

Ao nível da União Europeia, estima-se que a Rede Natura 2000 apoie 104 mil empregos diretos em áreas protegidas de gestão e conservação de áreas protegidas e mais 70 mil empregos indiretos ou induzidos. No futuro, espera-se que as necessidades de biodiversidade possam gerar até 500 mil empregos (4).

Pacto Ecológico Europeu

O Pacto Ecológico Europeu (“European Green Deal”) prevê um roteiro com ações para que incluem restaurar a biodiversidade. No entanto, falta garantir compromissos claros para a integração da biodiversidade nas iniciativas principais do Pacto Ecológico Europeu, incluindo a Estratégia “Farm to Fork”. O Pacto Ecológico inclui uma ação prioritária para as cidades europeias verdes, que se espera venha a beneficiar também a componente biodiversidade. A Quercus espera que Portugal, ao assumir a Presidência Portuguesa em 2021, não esqueça os compromissos da Estratégia Europeia para a Biodiversidade 2030 e que contribua decisivamente para a afinação de um pacote financeiro substancial para a conservação da biodiversidade.

Para além da Conservação: O restauro ecológico

A ONU declarou 2021-2030 como a Década do Restauro de Ecossistemas, para ilustrar como o restauro ecológico pode contribuir para combater grandes problemas ambientais. Restauro ecológico é o esforço para reverter áreas que sofreram degradação para o retorno a uma situação mais próxima do estado inicial. Pode significar dar nova vida a áreas fora das áreas protegidas nacionais ou da Rede Natura 2000, mas cujo valor seja importante no contexto de corredores ecológicos (ex: galerias ripícolas) ou a nível local. Investir em restauro ecológico pode significar empregos locais diretos e indiretos que trazem vida de volta às comunidades locais (4).

REFERÊNCIAS

(1) https://www.tsf.pt/portugal/sociedade/estamos-em-sufoco-ipss-pedem-ao-estado-reforco-urgente-do-financiamento-11757171.html

(2) https://www.fundoambiental.pt/ficheiros/aviso-n-94512019-conservacao-da-natureza-relatorio-final-pdf.aspx

(3) https://ieep.eu/news/what-the-green-deal-means-for-europe-s-biodiversity

(4) https://ec.europa.eu/info/strategy/priorities-2019-2024/european-green-deal/actions-being-taken-eu/EU-biodiversity-strategy-2030_en

(5) https://www.decadeonrestoration.org/

Lisboa, 28 de Julho de 2020

A Direção Nacional da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza


 https://www.quercus.pt/comunicados/2020/julho/5935-quercus-considera-que-fundo-de-recuperacao-e-pacto-ecologico-europeus-devem-promover-postos-de-trabalho-em-conservacao-da-natureza-e-restauro-ecologico

Em 30 anos derreteram 28 biliões de toneladas de gelo

Um grupo de cientistas britânicos concluiu que, nos últimos 30 anos, a Terra perdeu 28 biliões de toneladas de gelo devido ao aquecimento global, exponenciado pelo efeito de estufa que, por sua vez, foi intensificado pela poluição atmosférica.

Os cientistas, das universidades de Leeds e Edimburgo e do Colégio Universitário de Londres, estudaram imagens de satélite dos pólos, cordilheiras montanhosas e glaciares para calcular quanto gelo se perdeu. Os resultados são “impressionantes” e a equipa concluiu que, até ao final do século, o nível da água poderá subir um metro por causa do degelo nos pólos.

“Para contextualizar, cada centímetro de subida da água do mar significa que cerca de um milhão de pessoas será deslocada das suas terras em terrenos baixos”, disse Andy Shepherd, director do Centro de Observação e Modelação Polar da Universidade de Leeds, ao jornal britânico The Guardian.

Os cientistas fazem ainda uma série de alertas relativamente ao desaparecimento do gelo no planeta. Com menos gelo nos pólos, a Terra perde capacidade de reflectir luz solar e irá aquecer mais depressa; além disso, a água gelada que provem de glaciares derretidos ameaça ecossistemas e comunidades em vários pontos do globo.

“Há poucas dúvidas de que a maioria da perda de gelo na Terra é uma consequência directa do aquecimento global”, refere um resumo da investigação, publicado na revista científica Cryosphere Discussions.

Andy Shepherd acrescentou que este estudo foi “a primeira vez que alguém olhou para todo o gelo que está a desaparecer do planeta inteiro”. “O que encontrámos atordoou-nos”, disse.

A investigação utilizou imagens de vários continentes, além da Antárctida e da Gronelândia, procurando analisar a progressão do degelo na Terra entre 1994 e 2017.

“Vinte e oito biliões de toneladas de gelo cobririam toda a superfície do Reino Unido com uma camada de gelo com 100 metros de espessura. É surpreendente”, disse Tom Slater, um dos investigadores da Universidade de Leeds.

https://www.publico.pt/2020/08/23/ciencia/noticia/30-anos-derreteram-28-bilioes-toneladas-gelo-1929009


sábado, 11 de julho de 2020

Os antepassados do crocodilo que "corriam como uma avestruz ou um T. Rex"


Equipa de investigadores de China, Austrália e Estados Unidos publicaram trabalho na revista Nature Scientific Reports e concluíram que os antepassados dos crocodilos se deslocavam sobre as duas patas traseiras. Os antepassados do crocodilo que "corriam como uma avestruz ou um T. Rex"

Os antepassados dos crocodilos não caminhavam sobre quatro patas, como os seus primos modernos, mas sim sobre as duas patas traseiras, o que lhes permitia deslocarem-se de uma forma peculiar, semelhante à de alguns dinossauros como o pterossauro, diz um estudo divulgado nesta quinta-feira.

Uma equipa de investigadores de China, Austrália e Estados Unidos analisou as pegadas da era do cretácio inferior, descobertas durante algumas escavações na área de Sacheon Jahye-ri, perto de Sacheon City, na Coreia do Sul, onde foram descobertas antigas espécies de lagartos, aranhas e pequenas aves de rapina de 120 milhões de anos.

As investigações, divulgadas pela revista Nature Scientific Reports, sugerem que essas pegadas pertenciam a um antepassado do crocodilo moderno chamado "Batrachopus grandis". Andava "como um crocodilo numa corda bamba", explica Kyung Soo Kim, da Universidade nacional de Pedagogia de Chinju, na Coreia do Sul.

A forma de andar é "semelhante ao dos dinossauros, mas as pegadas não são de dinossauros", diz o cientista.

Os investigadores inicialmente atribuíram essas pegadas a um antigo pterossauro, dinossauro gigante que andava sobre duas patas para proteger as asas deles.

As pegadas, de 18 a 24 centimetros, foram feitas totalmente por membros traseiros, como evidencia a ausência de pegadas da cauda e as faixas estreitas deixadas atrás. Sugerem um comprimento corporal de até três metros, com pernas do mesma tamanho que as de um humano, segundo Anthony Romilio, paleontologista da Universidade de Queensland, um dos autores do estudo.

A forma das pegadas mostra que Batrachopus crescidos andavam com as patas a afundar os calcanhares no chão, como fazem os humanos, segundo esse estudo, o que destaca a necessidade de reexaminar outras amostras deste período morfologicamente semelhantes.

Segundo a equipa internacional que fez a descoberta, esta deverádesafiar a nossa perceção dos crocodilos. "As pessoas tendem a pensar que os crocodilos são animais que não precisam de muito: limitam-se a ficar o dia inteiro nas matgens do rio Nilo ou junto aos rios na Costa Rica. . Ninguém costuma pensar como seria esta criatura se fosse bípede e pudesse correr como uma avestruz ou um T. Rex", disse à BBC Martin Lockley, professor catedrático da Universidade do Colorado,

https://www.dn.pt/vida-e-futuro/estudo-diz-que-ancestrais-de-crocodilos-andavam-sobre-duas-patas-12304840.html

Parque Nacional da Peneda-Gerês com novas melhorias e reforço de meios humanos


Esta sexta-feira, 10 de julho, vai realizar-se a “Sessão de apresentação dos novos investimentos e reforço de meios humanos no Parque Nacional Peneda-Gerês”, que conta com a presença do Ministro do Ambiente e da Ação Climática, João Matos Fernandes, e do Secretário de Estado da Conservação da Natureza, das Florestas e do Ordenamento do Território, João Paulo Catarino.

No evento será assinado o memorando de entendimento entre os cinco municípios integrantes deste território – Arcos de Valdevez, Melgaço, Montalegre, Ponte da Barca e Terras de Bouro, com vista à adesão ao modelo de cogestão do parque nacional.

Serão também assinados protocolos referentes ao “Projeto de Melhoria das condições de visitação nos cinco municípios do Parque Nacional da Peneda-Gerês”, entre as cinco autarquias, o Fundo Ambiental, e o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).

Na mesma ocasião, ocorre a formalização da contratação dos 50 elementos do Corpo Nacional de Agentes Florestais, para proteção desta área.

O Parque tem em vista onze projetos de Plano-Piloto, que contam com um investimento de 8,4 milhões de euros. No âmbito do Projeto 4, Ordenamento e Sustentabilidade da Zona de Proteção Total da Mata de Albergaria, vai ser inaugurada a intervenção da Beneficiação do Caminho Florestal entre Leonte e a Portela do Homem, apoiada pelo Fundo Ambiental, com o valor de 533 mil euros.

https://greensavers.sapo.pt/parque-nacional-da-peneda-geres-com-mais-melhorias-e-reforco-de-meios-humanos/

Serra da Estrela confirmada como Geopark Mundial da UNESCO


A candidatura da Serra da Estrela a Geopark Mundial da UNESCO foi entregue em novembro de 2017, foi aprovada pelo Conselho Mundial de Geoparks em setembro de 2019 e hoje foi ratificada por aquele organismo numa reunião do Conselho Executivo.

A UNESCO refere numa nota publicada na sua página na internet que aprovou a designação de 15 novos Geoparques Globais na Europa, Ásia e América Latina, o que eleva a Rede Global de Geoparques “para 161 em 44 países”.

Para além do Geopark Estrela, a UNESCO também designou os Geoparks Cliffs of Fundi e Discovery (Canadá), Xiangxi e Zhangye (China), Lauhanvuori-Hämeenkangas (Finlândia), Toba Caldera (Indonésia), Rio Coco (Nicarágua), Hantangang (República da Coreia), Yangan-Tau (Rússia), Djerdap (Sérvia), Granada e Maestrazgo (Espanha), The Black Country (Reino Unido), Dak Nong (Vietname) e Kula-Salihli (Turquia).

Em Portugal, o Geopark Estrela vem juntar-se ao Açores UNESCO Global Geopark, ao Arouca UNESCO Global Geopark, ao Naturtejo da Meseta Meridional UNESCO Global Geopark e ao Terras de Cavaleiros UNESCO Global Geopark.

O coordenador executivo da Associação Geopark Estrela, Emanuel de Castro, referiu à agência Lusa que a oficialização da classificação da Serra da Estrela como Geopark Mundial “é o culminar de um longo processo de valorização, conservação e promoção do património da Estrela e dos nove municípios que integram este novo Geopark Mundial da UNESCO, reconhecendo o valor intrínseco da sua geologia e da estratégia de desenvolvimento territorial implementada pela Associação Geopark Estrela”.

“A classificação agora formalizada, cuja candidatura já havia sido aprovada pelo Conselho Mundial de Geopark em setembro de 2019, constitui um marco histórico para o território da Serra da Estrela. Este é o reconhecimento internacional que esta Montanha tanto merecia e que coloca a Estrela num patamar de relevância global”, sublinha.

Segundo o responsável, “mais do que os 124 locais de interesse geológico inventariado e aprovados pela UNESCO, esta é uma classificação que distingue a identidade, a unicidade e o caráter único deste território, fomentando uma verdadeira estratégia de desenvolvimento, assente nos valores geológicos, geomorfológicos e paisagísticos desta que é a montanha mais elevada de Portugal Continental”.

“Mas este é também o reconhecimento de um trabalho que tem sido desenvolvido nas áreas da ciência, da educação, da geoconservação, do turismo, da sustentabilidade e da comunicação, em prol do território e das suas comunidades, afirmando a Estrela com um espaço de sustentabilidade e de resiliência. Esta classificação vem, por isso, dar maior valor acrescentado a todo este trabalho e uma enorme responsabilidade para todos”, refere.

A oficialização do Geopark constitui também “uma das maiores estratégias deste século para a Serra da Estrela e para os mais de 150 mil habitantes” do território.

“Nos próximos quatro anos muito há para fazer, no reforço do conhecimento científico, na promoção da educação, na valorização turística, na geoconservação e na sua sustentabilidade e na forma como este território passa a ser comunicado e se posiciona no plano nacional e internacional”, sublinha.

Emanuel de Castro refere, ainda, que, a partir de hoje, municípios, instituições de ensino, centros de investigação, empresas e cidadãos “têm uma ferramenta de desenvolvimento e de reforço do seu sentido de pertença”.

https://greensavers.sapo.pt/serra-da-estrela-confirmada-como-geopark-mundial-da-unesco/

Brasil apresenta fóssil de dinossauro desconhecido


Um fóssil de cerca de 115 milhões de anos encontrado no Nordeste do Brasil e pertencente a uma espécie de dinossauro até então desconhecida foi apresentado esta sexta-feira por cientistas do Museu Nacional do Rio de Janeiro.

É o Aratasaurus museunacionali, uma nova espécie de terópodes de tamanho médio, que com 3,12 metros de altura, que podia pesar até 34,25 quilos, mas que, sendo jovem, pode crescer ainda mais até atingir a idade adulta.

O fóssil foi encontrado em 2008 em uma região geológica do Nordeste do Ceará, e os resultados de investigações realizadas por cientistas da Universidade Federal de Pernambuco, do Museu Nacional do Rio de Janeiro e Universidade Regional do Cariri, que foram publicados agora.

A investigação apontou que o novo fóssil ajudará a entender a história evolutiva dos terópodes, que compõem o grupo de dinossauros carnívoros cujos representantes actuais são aves.

A descoberta do Aratasaurus museunacionali – em homenagem ao Museu Nacional, a mais antiga instituição científica do Brasil – é um sinal de que outros tipos de dinossauros carnívoros habitavam a região do país há milhões de anos.

Segundo Juliana Sayão, paleontóloga da Universidade Federal de Pernambuco e uma das cientistas que participaram da investigação, como o fóssil é único, contém todas as informações sobre essa espécie.

“No Theropoda, descobrimos que o Aratasaurus faz parte de um grupo chamado Coelurosauria, que inclui tanto o dinossauro brasileiro encontrado na mesma região chamado Santanaraptor, quanto o famoso tiranossauro, velociraptores e até as aves de hoje”, explicou a paleontóloga brasileira, citada em comunicado.

Após ter sido descoberto numa mina de gesso em 2008, o fóssil de Aratasaurus foi transferido para o Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, no Ceará, e depois enviado ao Centro Académico de Vitória, da Universidade Federal de Pernambuco, para ser preparado e estudado.

Esse processo foi lento porque a preparação envolveu a remoção da rocha que circundava o fóssil, que estava em condições frágeis, o que tornou o trabalho complexo.

Entre 2008 e 2016, foram realizadas análises microscópicas dos seus tecidos usando pequenas amostras dos ossos, bem como um scanner, com ao qual foi obtida uma quantidade maior de informações que permitiu uma reconstrução da aparência de como era o animal em vida.

Em 2016, o fóssil foi levado ao Museu Nacional do Rio de Janeiro e, apesar do trágico incêndio de 2018 que destruiu parte da instituição, a área onde o fóssil estava guardado não foi afectada pelas chamas.

https://www.publico.pt/2020/07/10/ciencia/noticia/brasil-apresenta-fossil-dinossauro-desconhecido-1924028

sexta-feira, 26 de junho de 2020

Lagarto é visto de novo após 130 anos


O réptil chamou a atenção do cientista italiano Elio Modigliani, devido à protuberância que tinha na narina. E foi por causa dela que ficou conhecido como “lagarto com chifre no nariz”. Porém, após esse registo, feito há 130 anos, o animal nunca mais foi visto.

Recentemente, um artigo publicado na revista científica “The Journal of Asian Biodiversity” veio revelar que a espécie “Harpesaurus modiglianii”, o nome científico do lagarto, afinal ainda não está extinta. Tudo se deve ao biólogo indonésio Chairunas Adha Putra, que o avistou enquanto estava numa expedição de aves, em Sumatra, há dois anos.

O especialista encontrou um animal já morto, mas com a ajuda do colega Thasun Amarasinghe, também biólogo, chegou à conclusão que o lagarto era da mesma espécie descrita por Elio Modigliani. A descoberta mostrou assim que a espécie ainda está viva, mas ameaçada, uma vez que a zona onde vive tem sofrido com o desmatamento.

https://www.noticiasmagazine.pt/2020/lagarto-e-visto-de-novo-apos-130-anos/historias/250448/

segunda-feira, 22 de junho de 2020

Efeitos do vulcanismo no clima, história e vida na Terra


Da colossal quantidade de energia armazenada no interior do planeta, ocasionalmente, por ação do vulcanismo ou da subducção refletida pelos sismos, parte dessa energia escapa. O efeito desta dinâmica traduz-se numa contínua mutação das esferas do sistema terrestre. Contamos-lhe mais aqui!

Vulcanismo personifica os processos através dos quais lava, gases e piroclastos chegam à superfície, provenientes do interior do planeta.
Os vulcões potenciaram a origem da vida, expeliram para a superfície do planeta, calor, água e um poderoso cocktail de compostos orgânicos como sulfeto de hidrogénio e arsénico, constituintes da vida. A ciência alvitra que os organismos primitivos, as bactérias estremófilas, alimentaram esta mistura nos lagos vulcânicos por cerca de 2 biliões de anos. De facto, os vulcões não só berçaram as primeiras possíveis formas de vida, como também numa longínqua altura em que o Sol aquecia muito menos o planeta do que atualmente, asseguraram a temperatura através de uma constante emissão de CO₂ que ajudou à criação de uma proto-atmosfera.

Entre 750 e 580 milhões de anos atrás, quase toda a face do planeta esteve coberta por gelo, naquilo a que os cientistas chamam de “Terra Bola de Neve”. Todavia, decorrente de um intenso e moroso cataclismo vulcânico, calotes geladas foram perfuradas pela força de expulsão de CO₂ e CH₄, num mecanismo de efeito de estufa que foi derretendo o gelo e redesenhando a cromacia do planeta. Foi um conturbado período que se estendeu por séculos com violentas tempestades, flutuações de temperaturas extremadas de -50 ºC a 50 ºC, alavancando um passo colossal na diversidade bioquímica, onde um resistente exército de microorganismos conseguiu sobreviver.

Seguiu-se, na inumana cronologia do tempo, ritmado por constantes nuances climáticas, um epopeico reinado evolutivo desses organismos unicelulares, até às complexas formas e tamanhos dos organismos multicelulares, que alicerçam toda a fauna e flora que constitui a vida na Terra.

Mudanças no sistema climático não se manifestam de forma repentina
Uma articulada combinação entre vulcanismo e seres vivos, particularmente o plâncton - microorganismos aquáticos que captam CO₂ e produzem O₂ (fitoplâncton), personificaram um mecanismo determinante no ajuste do equilíbrio atmosférico.

A evolução da história do planeta funde-se com a da humanidade, sendo o vulcanismo, um dos indomáveis perigos naturais que maior impacte socioeconómico pode causar. É um evento natural de escassa predictibilidade, que tem a sua perigosidade exponenciada com o tipo de manifestação, podendo ocorrer de modo efusivo com a emissão de escoadas lávicas, ou de modo explosivo com a projeção de gases e materiais piroclásticos a uma vertiginosa velocidade.

Na composição da crosta, os elementos mais abundantes são silício (Si) e alumínio (Al), no manto silício (Si) e magnésio (Ma), e no núcleo, níquel (Ni) e ferro (Fe).
No início da Idade Média, para além da cíclica instabilidade climática, no ano 535 d.C. começava um dos piores períodos para estar vivo. Um evento catastrófico com o vulcão Ilopango (El Salvador), protagonizou um instante geológico cuja magnitude explosiva fez flutuar em altitude 25 km de gases sulfúricos e partículas de cinza, bloqueando a luz do sol por inúmeros meses, naquilo que foi identificado como o inverno vulcânico, com muito frio (temperaturas desceram 1,5 a 2,5⁰C) e precipitação ácida, com consequências devastadoras na civilização.

Em 1257, o vulcão Samalas em Lombok (Indonésia), contribuiu para o início da Pequena Idade do Gelo, tendo sido uma erupção tão poderosa que a massa de partículas vulcânicas expelidas circulou na atmosfera desequilibrando o clima global. Em 1452, eclodiu o vulcão Kuwae, em Vanuatu (Pacífico), reconfigurando a ilha numa gigantesca cratera num acontecimento que ejetou para a atmosfera 35 kmᵌ de material vulcânico, formando uma enorme nuvem de poeira que filtrou a radiação solar, diminuindo as temperaturas durante cerca de dois anos.

Entre junho de 1783 e fevereiro de 1784, a fissura vulcânica de Laki (Islândia) esteve violentamente ativa e para além dos fluxos de lava, nuvens de compostos venosos foram expelidas, contaminando o solo, destruindo vastidões de plantações com inerente escassez de alimentos, dizimando mais de 50% da fauna e provocando a morte a mais de ¼ da população da ilha.

Em 1815, a erupção explosiva do Monte Tambora (Indonésia), ouvida a mais de 2 mil km de distância, libertou 180 kmᵌ de matéria a uma altura de 44 km, escurecendo o céu num raio de 500 km durante três dias, causando a morte a cerca de 100 mil pessoas e fazendo do ano de 1816, “o ano sem verão”.

Estima-se que todas estas erupções tenham libertado cinzas, SO₃ (trióxido de enxofre) e CO₂ (dióxido de carbono) em proporção tal, que tem vindo a afetar determinantemente o clima do planeta por cerca de 500 anos. Analogamente, na cronologia histórica, notáveis eventos marcaram similarmente a existência humana. A queda do Império Romano (séc.V) foi também ela imbuída pelas consequências de eventos naturais, pela fácil disseminação de bactérias que fizeram sucumbir milhares às pestes e fome que assolaram a civilização à época.

Desregulando significativamente os padrões de circulação atmosférica, o vulcanismo inferiu inclusive na derrota de Napoleão, na Batalha de Waterloo, pelo “curto-circuito” que causou na ionosfera, com impulso anormal na formação de nuvens, e por inerência num aumento no volume e intensidade de precipitação fora de época.

Os vulcões são dos fenómenos naturais mais fatais, de beleza assombrosa, mas de severo impacte no clima, com consequências que se traduzem em devastação. Contudo, apesar da sua incrível capacidade de destruição, representam uma espécie de fénix, uma vez que depois de arrefecerem, as cinzas e lava atuam como adubo, tornando os solos extremamente férteis.

https://www.tempo.pt/noticias/ciencia/efeitos-do-vulcanismo-no-clima-historia-e-vida-na-terra.html