Páginas

domingo, 7 de fevereiro de 2021

Heracleum mantegazzianum, a terrível planta que pode provocar ferimentos graves

Esta planta, com cinco metros de altura, larga furocumarinas, um produto químico tóxico que modifica a estrutura das células da pele e a torna mais sensíveis aos raios ultravioletas. Em 24 horas, e num prazo máximo de 48 horas, a pele desenvolve queimaduras e irritações que podem provocar cicatrizes permanentes e bolhas. E se esse composto químico chegar aos olhos, pode levar à cegueira.

Numa reportagem emitida pelo canal BBC, Oskars Mezhniyeks, dono de uma fazenda na Letónia trava uma batalha constante contra a planta. “Se eu não a matar aqui, ela vai tomar conta da minha plantação”, explica. “Elas têm um valor nutricional consideravelmente alto e, por isso, foram cultivadas como potencial alimento para o gado. Mas devido aos efeitos que causaram nos humanos foi abandonada rapidamente, só que continuaram a espalhar-se, já que uma só planta pode produzir muitas sementes”, acrescenta Pior Rzymski, investigador da Universidade de Poznan, na Polónia.

A planta é natural da Ásia, muito comum na Rússia e Geórgia, mas veio para os jardins europeus por causa das flores brancas que exibe. É comum encontrá-la também junto aos rios ou estradas no norte da Europa. Em Portugal não há registos da existência da planta. Há forma de limitar os efeitos caso a seiva encoste na pele. “Deve lavar a pele com sabão e água fria e evitar a exposição ao Sol”, aconselha Rzymski.

https://greensavers.sapo.pt/heracleum-mantegazzianum-a-terrivel-planta-que-pode-provocar-ferimentos-graves/

domingo, 31 de janeiro de 2021

Zoo de Lourosa lidera programa internacional sobre calau de casco cinzento



O Zoo de Lourosa, em Santa Maria da Feira, vai liderar um programa internacional apostado em aumentar a população selvagem do calau de casco cinzento, revelou hoje o único parque ornitológico do país a propósito dessa ave ameaçada.

O projeto envolve outras cinco instituições inscritas na Associação Europeia de Zoos e Aquários (EAZA), que escolheu o parque do distrito de Aveiro para coordenar a gestão em cativeiro das populações do calau da espécie ‘Ceratogymna atrata’, que é nativa das florestas do Centro-Este africano, está pouco identificada no seu habitat natural e integra a lista do Programa Europeu de Espécies Ameaçadas – também conhecido como “EAZA Ex-situ Programme”.

Como o Zoo de Lourosa tem vindo a monitorizar desde 2016 vários indivíduos dessa espécie, foi em 2020 convidado pela EAZA para aplicar a sua experiência na coordenação de um programa envolvendo outros 10 parques em território europeu.

“Dentro da EAZA existem 30 aves desta espécie de calau em cativeiro, mas poucos zoos têm conseguido a sua reprodução. Como o de Lourosa é dos poucos a nível mundial a ter sucesso reprodutivo com esta espécie e já monitoriza a respetiva população há alguns anos, foi proposto que ficássemos nós a coordenar o programa e o Comité Europeu de Espécies Ameaçadas confiou-nos essa responsabilidade”, explicou à Lusa Salomé Tavares, diretora da estrutura portuguesa.

O trabalho com o calau ‘Ceratogymna atrata’ será supervisionado pela curadora Andreia Pinto, e visa estudar o verdadeiro estatuto da espécie em estado selvagem com vista a travar “o decréscimo significativo da sua população devido ao tráfico”.

O projeto irá assim implicar investigação demográfica e genética, assim como “partilha de informação entre as várias instituições envolvidas”, no que a intenção é “manter elevados padrões de maneio da espécie em cativeiro e criar condições para que se reproduza com sucesso”.

Salomé Tavares realça que também cabe à equipa do Zoo de Lourosa “localizar potenciais futuros participantes no programa e fazer recomendações sobre a colocação dos descendentes da espécie, com o intuito de manter a sua diversidade genética”.

Em 2016 existiam apenas 13 calaus de casco negro em seis zoos membros da EAZA, mas, graças ao “sucesso pioneiro” do zoo da Feira na reprodução da espécie, os indivíduos mais jovens foram confiados a outras instituições europeias e atualmente a população da ‘Ceratogymna atrata’ aumentou para 30 aves distribuídas por 11 parques.

A primeira cria de calau de casco cinzento concebida em Lourosa nasceu em 2009. Já a ave mais jovem da espécie a juntar-se a essa família terá agora entre quatro a seis meses.

A sua idade exata é desconhecida porque, embora se tenha ouvido “uma cria a piar em julho, a mãe manteve-a selada no ninho durante algum tempo, como é típico dos calaus, e só em outubro a deixou sair pela primeira vez”.

Nessa altura, recorda Salomé Tavares, foi dupla a surpresa: “Contávamos só com uma cria, mas afinal eram duas”.

O Zoo de Lourosa abriu oficialmente as suas portas ao público em outubro de 1990, sendo nessa altura propriedade de um particular.

Em 2000 o espaço foi adquirido pela Câmara Municipal de Santa Maria da Feira, que impôs ao local as normas comunitárias relativas à exposição de animais ao público.

Após algumas obras de remodelação, a reabertura do parque aconteceu em 2001, sendo que hoje o Zoo conta com cerca de 500 aves de 150 espécies diferentes, muitas delas raras ou ameaçadas de extinção.

https://greensavers.sapo.pt/zoo-de-lourosa-lidera-programa-internacional-sobre-calau-de-casco-cinzento/

domingo, 17 de janeiro de 2021

Descoberto no Brasil um dos ancestrais mais antigos do T-rex

Uma nova espécie de dinossauro, classificada pelos cientistas como um dos antepassados mais antigos do Tirannosaurus rex, que viveu há cerca de 230 milhões de anos durante a ascensão da era dos dinossauros, foi descoberta no Sul do Brasil.

O Erythrovenator jacuiensis, que os cientistas acreditam ser um trisavô do tiranossauro Rex (T-rex), também era um predador, mas menor, sendo classificado como um dos membros mais primitivos da linhagem dos terópodes, à qual pertencem outras espécies conhecidas, como o Velociraptor.

A descoberta foi obra do paleontólogo brasileiro Rodrigo Temp Müller, da Universidade Federal de Santa Maria, cujo estudo foi publicado recentemente na revista Journal of South American Earth Sciences.

Rodrigo Müller identificou a nova espécie num fémur fossilizado que descobriu em 2017 numa propriedade rural no município de Agudo, no estado brasileiro do Rio Grande do Sul.

“Tínhamos poucos fósseis desse tipo de dinossauro, a maioria bastante fragmentado. Este que descobri é apenas um osso, bastante danificado, mas tem características que só são vistas na linhagem de terópodes”, explicou Müller em declarações à agência de notícias espanhola Efe. “E, dentro dessa linhagem, pertence a um animal que não conhecíamos até agora. Embora seja apenas um osso, é possível ver traços que não tínhamos visto em outros dinossauros”, completou.

O nome científico do Erythrovenator jacuiensis significa “caçador vermelho do rio Jacuí”. Rodrigo Müller disse que lhe deu esse nome por causa da coloração avermelhada do fóssil e por causa do rio que corre próximo ao local onde o fóssil foi descoberto.

Uma análise para identificar o grau de parentesco revelou que o “caçador vermelho” seria um dos dinossauros da família dos terópodes “mais primitivos já descobertos”.

“O [tiranossauro] Rex chegava a 12 metros de comprimento e pesava cerca de dez toneladas. Esse dinossauro era muito pequeno, podia ter cerca de dois metros de comprimento e pesava não muito mais de dez quilos”, disse o investigador. “Isso é muito interessante porque mostra que essa linhagem de dinossauros famosos, como o Tyrannosaurus rex ou o Velociraptor, veio de um grupo de pequenos dinossauros”, acrescentou.

Porém, apesar de seu pequeno tamanho, a nova espécie foi provavelmente um predador extremamente ágil, pois o fémur fossilizado tinha estruturas de fixação musculares bastante desenvolvidas. A descoberta dessa nova espécie ajudará a entender a evolução do grupo ao longo de milhões de anos.

Roberto Müller concluiu dizendo que agora espera continuar com o trabalho de campo e as expedições para encontrar materiais mais completos e reconstituir o quebra-cabeça dos antepassados dos dinossauros.

https://www.publico.pt/2020/12/03/ciencia/noticia/descoberto-brasil-ancestrais-antigos-trex-1941661

domingo, 10 de janeiro de 2021

Descobertos em Moçambique achados dos primeiros vertebrados da idade dos dinossauros

Fósseis dos primeiros animais vertebrados, com cerca de 245 milhões de anos, da era dos dinossauros, foram descobertos em Moçambique, segundo um estudo publicado agora na revista científica sul-africana Palaeontologia Africana, podendo surgir achados de dinossauros.

O português Ricardo Araújo, o autor principal do artigo, anunciou à agência Lusa que a equipa de oito investigadores descreve a descoberta de “várias partes de crânios e esqueletos fragmentados de dicinodontes Lystrosaurus”.

Os achados descobertos na última expedição, ocorrida entre Setembro e Outubro de 2019, foram estudados e agora validados pela comunidade científica, com a publicação do artigo. Os fósseis datam de há cerca de 245 milhões de anos, do período do Triásico, em que começaram a surgir os primeiros dinossauros.

“Com esta descoberta, temos os primeiros vertebrados da história da vida na Terra em Moçambique” desde o início da era dos dinossauros, sublinhou Ricardo Araújo, paleontólogo do Instituto de Plasmas e Fusão Nuclear do Instituto Superior Técnico, em Lisboa. Os achados, acrescentou o investigador, “vão abrir a janela para a descoberta de dinossauros em Moçambique”.

Para o paleontólogo, a descoberta coloca ainda “Moçambique no mapa do estudo sobre a extinção de 95% dos seres vivos existentes no planeta, ocorrida na transição do Pérmico para o Triásico”.

“Na altura em que os ancestrais dos mamíferos viveram estava tudo dizimado e nas rochas onde estes achados foram encontrados há sinais dessa extinção em massa”, explicou.

O artigo científico é ainda assinado pelos norte-americanos James Crowley (Universidade Estadual de Boise, nos EUA) e Kenneth Angielczyk (Museu de História Natural de Chicago, nos EUA), pelos ingleses Roger Smith (Universidade de Witwatersrand, na África do Sul) e Stephen Tolan (Centro de Educação de Vida Selvagem de Chipembele, na Zâmbia) e pelos moçambicanos Dino Milisse (Museu Nacional de Geologia de Moçambique) e João Mugabe (Universidade Eduardo Mondlane, em Moçambique).

Em África, os Lystrosaurus são sobretudo conhecidos na África do Sul.

https://www.publico.pt/2020/12/11/ciencia/noticia/descobertos-mocambique-achados-vertebrados-idade-dinossauros-1942695

segunda-feira, 24 de agosto de 2020

Em 30 anos derreteram 28 biliões de toneladas de gelo

Um grupo de cientistas britânicos concluiu que, nos últimos 30 anos, a Terra perdeu 28 biliões de toneladas de gelo devido ao aquecimento global, exponenciado pelo efeito de estufa que, por sua vez, foi intensificado pela poluição atmosférica.

Os cientistas, das universidades de Leeds e Edimburgo e do Colégio Universitário de Londres, estudaram imagens de satélite dos pólos, cordilheiras montanhosas e glaciares para calcular quanto gelo se perdeu. Os resultados são “impressionantes” e a equipa concluiu que, até ao final do século, o nível da água poderá subir um metro por causa do degelo nos pólos.

“Para contextualizar, cada centímetro de subida da água do mar significa que cerca de um milhão de pessoas será deslocada das suas terras em terrenos baixos”, disse Andy Shepherd, director do Centro de Observação e Modelação Polar da Universidade de Leeds, ao jornal britânico The Guardian.

Os cientistas fazem ainda uma série de alertas relativamente ao desaparecimento do gelo no planeta. Com menos gelo nos pólos, a Terra perde capacidade de reflectir luz solar e irá aquecer mais depressa; além disso, a água gelada que provem de glaciares derretidos ameaça ecossistemas e comunidades em vários pontos do globo.

“Há poucas dúvidas de que a maioria da perda de gelo na Terra é uma consequência directa do aquecimento global”, refere um resumo da investigação, publicado na revista científica Cryosphere Discussions.

Andy Shepherd acrescentou que este estudo foi “a primeira vez que alguém olhou para todo o gelo que está a desaparecer do planeta inteiro”. “O que encontrámos atordoou-nos”, disse.

A investigação utilizou imagens de vários continentes, além da Antárctida e da Gronelândia, procurando analisar a progressão do degelo na Terra entre 1994 e 2017.

“Vinte e oito biliões de toneladas de gelo cobririam toda a superfície do Reino Unido com uma camada de gelo com 100 metros de espessura. É surpreendente”, disse Tom Slater, um dos investigadores da Universidade de Leeds.

https://www.publico.pt/2020/08/23/ciencia/noticia/30-anos-derreteram-28-bilioes-toneladas-gelo-1929009


segunda-feira, 22 de junho de 2020

Efeitos do vulcanismo no clima, história e vida na Terra


Da colossal quantidade de energia armazenada no interior do planeta, ocasionalmente, por ação do vulcanismo ou da subducção refletida pelos sismos, parte dessa energia escapa. O efeito desta dinâmica traduz-se numa contínua mutação das esferas do sistema terrestre. Contamos-lhe mais aqui!

Vulcanismo personifica os processos através dos quais lava, gases e piroclastos chegam à superfície, provenientes do interior do planeta.
Os vulcões potenciaram a origem da vida, expeliram para a superfície do planeta, calor, água e um poderoso cocktail de compostos orgânicos como sulfeto de hidrogénio e arsénico, constituintes da vida. A ciência alvitra que os organismos primitivos, as bactérias estremófilas, alimentaram esta mistura nos lagos vulcânicos por cerca de 2 biliões de anos. De facto, os vulcões não só berçaram as primeiras possíveis formas de vida, como também numa longínqua altura em que o Sol aquecia muito menos o planeta do que atualmente, asseguraram a temperatura através de uma constante emissão de CO₂ que ajudou à criação de uma proto-atmosfera.

Entre 750 e 580 milhões de anos atrás, quase toda a face do planeta esteve coberta por gelo, naquilo a que os cientistas chamam de “Terra Bola de Neve”. Todavia, decorrente de um intenso e moroso cataclismo vulcânico, calotes geladas foram perfuradas pela força de expulsão de CO₂ e CH₄, num mecanismo de efeito de estufa que foi derretendo o gelo e redesenhando a cromacia do planeta. Foi um conturbado período que se estendeu por séculos com violentas tempestades, flutuações de temperaturas extremadas de -50 ºC a 50 ºC, alavancando um passo colossal na diversidade bioquímica, onde um resistente exército de microorganismos conseguiu sobreviver.

Seguiu-se, na inumana cronologia do tempo, ritmado por constantes nuances climáticas, um epopeico reinado evolutivo desses organismos unicelulares, até às complexas formas e tamanhos dos organismos multicelulares, que alicerçam toda a fauna e flora que constitui a vida na Terra.

Mudanças no sistema climático não se manifestam de forma repentina
Uma articulada combinação entre vulcanismo e seres vivos, particularmente o plâncton - microorganismos aquáticos que captam CO₂ e produzem O₂ (fitoplâncton), personificaram um mecanismo determinante no ajuste do equilíbrio atmosférico.

A evolução da história do planeta funde-se com a da humanidade, sendo o vulcanismo, um dos indomáveis perigos naturais que maior impacte socioeconómico pode causar. É um evento natural de escassa predictibilidade, que tem a sua perigosidade exponenciada com o tipo de manifestação, podendo ocorrer de modo efusivo com a emissão de escoadas lávicas, ou de modo explosivo com a projeção de gases e materiais piroclásticos a uma vertiginosa velocidade.

Na composição da crosta, os elementos mais abundantes são silício (Si) e alumínio (Al), no manto silício (Si) e magnésio (Ma), e no núcleo, níquel (Ni) e ferro (Fe).
No início da Idade Média, para além da cíclica instabilidade climática, no ano 535 d.C. começava um dos piores períodos para estar vivo. Um evento catastrófico com o vulcão Ilopango (El Salvador), protagonizou um instante geológico cuja magnitude explosiva fez flutuar em altitude 25 km de gases sulfúricos e partículas de cinza, bloqueando a luz do sol por inúmeros meses, naquilo que foi identificado como o inverno vulcânico, com muito frio (temperaturas desceram 1,5 a 2,5⁰C) e precipitação ácida, com consequências devastadoras na civilização.

Em 1257, o vulcão Samalas em Lombok (Indonésia), contribuiu para o início da Pequena Idade do Gelo, tendo sido uma erupção tão poderosa que a massa de partículas vulcânicas expelidas circulou na atmosfera desequilibrando o clima global. Em 1452, eclodiu o vulcão Kuwae, em Vanuatu (Pacífico), reconfigurando a ilha numa gigantesca cratera num acontecimento que ejetou para a atmosfera 35 kmᵌ de material vulcânico, formando uma enorme nuvem de poeira que filtrou a radiação solar, diminuindo as temperaturas durante cerca de dois anos.

Entre junho de 1783 e fevereiro de 1784, a fissura vulcânica de Laki (Islândia) esteve violentamente ativa e para além dos fluxos de lava, nuvens de compostos venosos foram expelidas, contaminando o solo, destruindo vastidões de plantações com inerente escassez de alimentos, dizimando mais de 50% da fauna e provocando a morte a mais de ¼ da população da ilha.

Em 1815, a erupção explosiva do Monte Tambora (Indonésia), ouvida a mais de 2 mil km de distância, libertou 180 kmᵌ de matéria a uma altura de 44 km, escurecendo o céu num raio de 500 km durante três dias, causando a morte a cerca de 100 mil pessoas e fazendo do ano de 1816, “o ano sem verão”.

Estima-se que todas estas erupções tenham libertado cinzas, SO₃ (trióxido de enxofre) e CO₂ (dióxido de carbono) em proporção tal, que tem vindo a afetar determinantemente o clima do planeta por cerca de 500 anos. Analogamente, na cronologia histórica, notáveis eventos marcaram similarmente a existência humana. A queda do Império Romano (séc.V) foi também ela imbuída pelas consequências de eventos naturais, pela fácil disseminação de bactérias que fizeram sucumbir milhares às pestes e fome que assolaram a civilização à época.

Desregulando significativamente os padrões de circulação atmosférica, o vulcanismo inferiu inclusive na derrota de Napoleão, na Batalha de Waterloo, pelo “curto-circuito” que causou na ionosfera, com impulso anormal na formação de nuvens, e por inerência num aumento no volume e intensidade de precipitação fora de época.

Os vulcões são dos fenómenos naturais mais fatais, de beleza assombrosa, mas de severo impacte no clima, com consequências que se traduzem em devastação. Contudo, apesar da sua incrível capacidade de destruição, representam uma espécie de fénix, uma vez que depois de arrefecerem, as cinzas e lava atuam como adubo, tornando os solos extremamente férteis.

https://www.tempo.pt/noticias/ciencia/efeitos-do-vulcanismo-no-clima-historia-e-vida-na-terra.html

Um vulcão pode estar “escondido” sob o coração da Europa


Informações recolhidas por milhares de antenas GPS revelarem um movimento no solo significativamente mais alto do que o esperado no coração da Europa, entre o centro-oeste da Alemanha e as regiões vizinhas.

O movimento é um novo indício de vulcanismo, podendo indicar que um vulcão ativo se “esconde” sob o coração da Europa, a 400 quilómetros de profundidade, frisa o jornal ABC.

A área terrestre da região em causa move-se para cima e para fora sobre uma grande área centralizada na região alemã de Eifel, estendendo-se também para o Luxemburgo, leste da Bélgica e a província mais a sul dos País Baixos, Limburgo.

Os novos dados, frisam os cientistas no novo estudo que foi esta semana publicados na revista cientifica científica especializada Geophysical Journal International, não implicam uma erupção vulcânica iminente, nem se sabe se esta alguma vez ocorrerá.

As novas informações captadas pelas antenas GPS chamaram a atenção dos especialistas, que acreditam que a área e eventuais movimentos devem ser monitorizados.

“A descoberta não significa que uma explosão ou terremoto esteja iminente ou que seja mesmo possível novamente nesta área (…) Nós e outros cientistas planeamos continuar a acompanhar esta área, recorrendo a uma uma variedade de técnicas geofísicas e geoquímicas, de forma a melhor entender e quantificar os potenciais riscos” associadas ao vulcanismo, explicam os cientistas citados em comunicado.

Tanto este estudo como outro anterior sobre a mesma área indica que Eifel é um sistema vulcânico ativo, detalha a agência espanhola Europa Press.

A região de Eifel, localizada entre as cidades de Aachen, Trier e Koblenz, é a “casa” de muitas características vulcânicas antigas, incluindo os largos circulares conhecidos como “maars”. Trata-se de remanescentes de violentas e antigas explosões vulcânicas, como a que deu origem a Laacher See, o maior lago de toda a região.

Acredita-se que a erupção que criou este lago tenha ocorrido há 13.000 anos, tendo um poder explosivo semelhante à violenta erupção do Monte Pinatubo, nas Filipinas, em 1991.

O novo estudo, levado a cabo por cientistas da Universidade do Nevada e da Califórnia (Estados Unidos), recorreu a milhares de dados de antenas de GPS comerciais e estaduais da Europa Ocidental para determinar como é que o solo se move vertical e horizontalmente à medida que a crosta da Terra é empurrada e esticada.

https://zap.aeiou.pt/um-vulcao-ativo-pode-estar-escondido-sob-coracao-da-europa-330058

terça-feira, 14 de janeiro de 2020

Vulcanismo

Vulcanismo
O vulcanismo é o conjunto dos processos através dos quais se dá o derrame de lava, gases e outros materiais ( piroclastos) à superfície, provenientes do interior da Terra.

Pode ser classificado em vulcanismo primário e vulcanismo secundário, sendo o primeiro referente ao evento vulcânico principal, associado aos vulcões, e o segundo às restantes manifestações vulcânicas, tais como, géisers, fumarolas, nascentes termais, etc..

Vulcões
Os vulcões são aberturas na crusta terrestre por onde se dá o derrame de lava, cinzas, vapor de água e outros gases, vindos do interior do planeta. São constituídos pelo edifício principal ou cone vulcânico, cratera e chaminé. Por vezes, pode existir um cone adventício ou secundário, com a sua chaminé e cratera, mas alimentado pela conduta principal.

O edifício principal ou cone vulcânico é construído à custa dos materiais que vão sendo derramados à superfície e vão fazendo “crescer” o vulcão.

segunda-feira, 29 de julho de 2019

“Ou nos preparamos hoje para as alterações climáticas ou pagamos um preço devastador amanhã”, alerta comissário europeu


Christos Stylianides sublinhou durante o discurso de abertura da cimeira pelas alterações climáticas, que nenhum país está imune às alterações climáticas e que “nenhum país deve combater a enormidade deste desafio sozinho”, dando destaque à importância das parcerias entre os setores público e privado como o “próximo passo em frente”.

O Comissário Europeu integrou no painel de abertura da 4.ª Conferência Europeia de Adaptação às Alterações Climáticas (ECCA 2019), juntamente com o Ministro do Ambiente João Matos Fernandes e o Presidente da Câmara de Lisboa Fernando Medina. É a primeira vez que este evento se realiza num país do Sul da Europa. Durante três dias vão ser apresentados estudos e partilhadas experiências sobre temas variados, que vão dos incêndios florestais extremos à inovação e resiliência urbana, passando pelos serviços da ciência para os sistemas de tomada de decisão e pela adaptação de infraestruturas urbanas ou de negócios à nova realidade.

Para além da cooperação entre os dois setores, Stylianides aproveitou o momento para destacar as Estratégias para Adaptção às Alterações Climáticas, nomeadamente refinar o conhecimento com conferências como esta e programas europeus como o Copernicus (sistema satélite de observação da Terra); “o reforço da cooperação público-privada”, nomeadamente com o setor dos seguros, para prevenir riscos e compensar perdas; e a “aposta em investimentos e infraestruturas resilientes”.

Christos Stylianides aproveitou o momento para relembrar lançado “rescEU” – o Mecanismo Europeu  Proteção Civil, que serve de “resposta coletiva” ou “rede de segurança” para eventos extremos como os incêndios florestais. “O rescEU é uma rede de segurança. Uma rede disponível para quando as nações estão sobrecarregadas”, afirmou.

O programa foi desenhado para ajudar as cidades em risco e fortalecer a resistência urbana, capacitando, preparando, respondendo e recuperando de ameaças significativas com o mínimo de danos.

Ao longo de três dias, em 580 apresentações, o encontro será a maior edição da conferência bienal, que se realiza pela primeira vez num país do sul da Europa.

A conferência centra-se em temas como os incêndios florestais, a necessidade de o setor empresarial privado ter que se adaptar às mudanças trazidas pelo aquecimento global, as zonas verdes nas cidades, inovação na maneira como as cidades são desenhadas e geridas e iniciativas dirigidas à juventude, entre outros.

segunda-feira, 15 de julho de 2019

Jovens e responsáveis governamentais de todo o mundo discutem sustentabilidade em Lisboa


A Conferência Mundial de Ministros Responsáveis pela Juventude 2019 e o Fórum da Juventude “Lisboa+21” regressam a Lisboa 21 anos depois de Portugal ter organizado este evento, em 1998. Centenas de responsáveis governamentais pela área da juventude, jovens e representantes de organizações internacionais vão reunir-se numa Conferência Mundial que pretende desencadear um debate sobre temas emergentes da juventude, entre os quais o desenvolvimento sustentável e a crise climática.

Em declarações à agência Lusa o ministro da Educação, responsável pela pasta da juventude e anfitrião da conferência, explicou que o objectivo é construir com os jovens de hoje o futuro de amanhã uma vez que serão eles a passar o testemunho. “É com os jovens que temos de construir o objectivo do desenvolvimento sustentável. São eles que comunicam à geração seguinte as premências do seu tempo”, disse Tiago Brandão Rodrigues em declarações à Lusa a propósito do evento que está a ser organizado também pelo Conselho Nacional da Juventude.


Na opinião do presidente do Conselho Nacional da Juventude, Hugo Carvalho, em 1998 Portugal deu um grande passo ao organizar a I Conferência Mundial de ministros da Juventude sob a égide das Nações Unidas.

Vinte e um anos depois, sustenta Hugo Carvalho, Portugal volta a ser arrojado, organizando um novo encontro com o endosso das Nações Unidas, mas com a particularidade inédita de ser em parceria com as estruturas de juventude. “Há o inédito de os ministros estarem sentados ao lado dos representantes legais dos jovens dos seus países”, disse Hugo Carvalho adiantando que é importante acabar com a lógica de auscultar os jovens decidindo depois sem ter em conta as suas opiniões.

Em 1998, o Governo Português, em cooperação com os parceiros do Sistema das Nações Unidas, organizou a Conferência Mundial de Ministros Responsáveis pela Juventude, que se tornou um marco no trabalho em torno das políticas de Juventude.

Na Declaração final, ministros e demais líderes mundiais presentes, comprometeram-se a trabalhar com a Juventude num conjunto de políticas e programas que fossem ao encontro das preocupações dos jovens e melhorassem as suas vidas.

Estes compromissos cobriam as áreas prioritárias do sector, tal como definido no Programa Mundial de Acção para a Juventude, adoptado em 1995 pela Assembleia Geral das Nações Unidas. Agora, os Estados são chamados a intensificar os seus compromissos para integrar a perspectiva da Juventude na implementação da Agenda 2030 e da Conferência Mundial de Ministros Responsáveis pela Juventude 2019 e do Fórum da Juventude “Lisboa+21” resultará uma Declaração renovada sobre Políticas e Programas de Juventude (Lisboa+21), no quadro da Agenda 2030.

Segundo o ministro da Educação, a agenda 2030 tem grande ambição dentro do sistema das Nações Unidas para que países possam entender que compromissos podem assumir para pelo menos uma geração e que os jovens têm de ser co-decisores nas políticas de juventude.

O conhecimento, a influência e a iniciativa dos jovens são, na opinião de Tiago Brandão Rodrigues, essenciais para que possam ser alcançados os objectivos da agenda 2030 das Nações Unidas para o desenvolvimento sustentável. “Nesta conferência é preciso pensar que caminho fizemos de 1998 até agora, que ferramentas temos, que políticas públicas, que formas temos de nos organizar com os jovens para cumprir a agenda 2030”, disse adiantando que os jovens são garante de sustentabilidade, segurança e paz sendo por isso necessário construir com eles objectivos de desenvolvimento sustentável. “É com os jovens que temos de construir objectivos de desenvolvimento sustentável que possam ser alcançáveis. Sã os 1,8 mil milhões de jovens que darão a herança às próximas gerações comunicando à geração seguinte as premências emergentes do seu tempo”, frisou,

O ministro da Educação, anfitrião da Conferência intervêm na sessão de abertura, assim como o fará o presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa, enquanto o Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, e o primeiro-ministro português, António Costa, encerram os trabalhos no domingo.

Marcam ainda presença nesta Conferência Mundial a Presidente da Assembleia-Geral das Nações Unidas, María Fernanda Espinosa Garcés, e a Enviada do Secretário-Geral das Nações Unidas para a Juventude, Jayathma Wickramanayake.

“Lisboa+21” é organizada pelo Governo Português – através do Ministério da Educação – e pelo Conselho Nacional de Juventude, com o endosso do Gabinete da Enviada do Secretário-Geral das Nações Unidas para a Juventude, da Organização Internacional do Trabalho (OIT), da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), o Fundo das Nações Unidas de Apoio à População (UNFPA) e o Departamento de Assuntos Económicos e Sociais das Nações Unidas (UN DESA).

segunda-feira, 8 de julho de 2019

McDonald’s elimina tampa do McFlurry e embalagens plásticas das saladas


O McDonald’s irá remover as tampas de plástico do gelado McFlurry a partir de setembro em todos os seus restaurantes do Reino Unido.

O gigante norte-americano tem tomado medidas que visam tornar-se mais ecológico, no ano passado substituiu os 8 mil milhões de palhinhas de plástico usados anualmente pelos clientes do Reino Unido por palhinhas de papel.

A eliminação da tampa de plástico do McFlurry será acompanhada pela transformação das embalagens de plástico das suas saladas, estas serão servidas em caixas de cartão, 50% recicladas.

No total, espera-se que estas duas mudanças reduzam os resíduos plásticos em cerca de 485 toneladas por ano.

Beth Hart, diretora da cadeia de fornecimento da McDonald’s no Reino Unido e na Irlanda, disse: “É o último passo na nossa jornada de sustentabilidade. Estamos empenhados em ouvir os nossos clientes e encontrar soluções junto dos nossos fornecedores. Este é o mais recente exemplo – mas de forma alguma o último”.

A cadeia americana tomou medidas nos últimos anos para aumentar suas credenciais ecológicas e se posicionar como uma empresa ambientalmente responsável.

Depois do anúncio de que a McDonald’s iria trazer de volta os sabores Oreo, Maltesers e Smarties nos McFlurries, fica-se a saber também que poderão ser comidos sem prejudicar tanto o ambiente.