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terça-feira, 20 de outubro de 2026

Serra da Estrela confirmada como Geopark Mundial da UNESCO


A candidatura da Serra da Estrela a Geopark Mundial da UNESCO foi entregue em novembro de 2017, foi aprovada pelo Conselho Mundial de Geoparks em setembro de 2019 e hoje foi ratificada por aquele organismo numa reunião do Conselho Executivo.

A UNESCO refere numa nota publicada na sua página na internet que aprovou a designação de 15 novos Geoparques Globais na Europa, Ásia e América Latina, o que eleva a Rede Global de Geoparques “para 161 em 44 países”.

Para além do Geopark Estrela, a UNESCO também designou os Geoparks Cliffs of Fundi e Discovery (Canadá), Xiangxi e Zhangye (China), Lauhanvuori-Hämeenkangas (Finlândia), Toba Caldera (Indonésia), Rio Coco (Nicarágua), Hantangang (República da Coreia), Yangan-Tau (Rússia), Djerdap (Sérvia), Granada e Maestrazgo (Espanha), The Black Country (Reino Unido), Dak Nong (Vietname) e Kula-Salihli (Turquia).

Em Portugal, o Geopark Estrela vem juntar-se ao Açores UNESCO Global Geopark, ao Arouca UNESCO Global Geopark, ao Naturtejo da Meseta Meridional UNESCO Global Geopark e ao Terras de Cavaleiros UNESCO Global Geopark.

O coordenador executivo da Associação Geopark Estrela, Emanuel de Castro, referiu à agência Lusa que a oficialização da classificação da Serra da Estrela como Geopark Mundial “é o culminar de um longo processo de valorização, conservação e promoção do património da Estrela e dos nove municípios que integram este novo Geopark Mundial da UNESCO, reconhecendo o valor intrínseco da sua geologia e da estratégia de desenvolvimento territorial implementada pela Associação Geopark Estrela”.

“A classificação agora formalizada, cuja candidatura já havia sido aprovada pelo Conselho Mundial de Geopark em setembro de 2019, constitui um marco histórico para o território da Serra da Estrela. Este é o reconhecimento internacional que esta Montanha tanto merecia e que coloca a Estrela num patamar de relevância global”, sublinha.

Segundo o responsável, “mais do que os 124 locais de interesse geológico inventariado e aprovados pela UNESCO, esta é uma classificação que distingue a identidade, a unicidade e o caráter único deste território, fomentando uma verdadeira estratégia de desenvolvimento, assente nos valores geológicos, geomorfológicos e paisagísticos desta que é a montanha mais elevada de Portugal Continental”.

“Mas este é também o reconhecimento de um trabalho que tem sido desenvolvido nas áreas da ciência, da educação, da geoconservação, do turismo, da sustentabilidade e da comunicação, em prol do território e das suas comunidades, afirmando a Estrela com um espaço de sustentabilidade e de resiliência. Esta classificação vem, por isso, dar maior valor acrescentado a todo este trabalho e uma enorme responsabilidade para todos”, refere.

A oficialização do Geopark constitui também “uma das maiores estratégias deste século para a Serra da Estrela e para os mais de 150 mil habitantes” do território.

“Nos próximos quatro anos muito há para fazer, no reforço do conhecimento científico, na promoção da educação, na valorização turística, na geoconservação e na sua sustentabilidade e na forma como este território passa a ser comunicado e se posiciona no plano nacional e internacional”, sublinha.

Emanuel de Castro refere, ainda, que, a partir de hoje, municípios, instituições de ensino, centros de investigação, empresas e cidadãos “têm uma ferramenta de desenvolvimento e de reforço do seu sentido de pertença”.

https://greensavers.sapo.pt/serra-da-estrela-confirmada-como-geopark-mundial-da-unesco/

Brasil apresenta fóssil de dinossauro desconhecido


Um fóssil de cerca de 115 milhões de anos encontrado no Nordeste do Brasil e pertencente a uma espécie de dinossauro até então desconhecida foi apresentado esta sexta-feira por cientistas do Museu Nacional do Rio de Janeiro.

É o Aratasaurus museunacionali, uma nova espécie de terópodes de tamanho médio, que com 3,12 metros de altura, que podia pesar até 34,25 quilos, mas que, sendo jovem, pode crescer ainda mais até atingir a idade adulta.

O fóssil foi encontrado em 2008 em uma região geológica do Nordeste do Ceará, e os resultados de investigações realizadas por cientistas da Universidade Federal de Pernambuco, do Museu Nacional do Rio de Janeiro e Universidade Regional do Cariri, que foram publicados agora.

A investigação apontou que o novo fóssil ajudará a entender a história evolutiva dos terópodes, que compõem o grupo de dinossauros carnívoros cujos representantes actuais são aves.

A descoberta do Aratasaurus museunacionali – em homenagem ao Museu Nacional, a mais antiga instituição científica do Brasil – é um sinal de que outros tipos de dinossauros carnívoros habitavam a região do país há milhões de anos.

Segundo Juliana Sayão, paleontóloga da Universidade Federal de Pernambuco e uma das cientistas que participaram da investigação, como o fóssil é único, contém todas as informações sobre essa espécie.

“No Theropoda, descobrimos que o Aratasaurus faz parte de um grupo chamado Coelurosauria, que inclui tanto o dinossauro brasileiro encontrado na mesma região chamado Santanaraptor, quanto o famoso tiranossauro, velociraptores e até as aves de hoje”, explicou a paleontóloga brasileira, citada em comunicado.

Após ter sido descoberto numa mina de gesso em 2008, o fóssil de Aratasaurus foi transferido para o Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, no Ceará, e depois enviado ao Centro Académico de Vitória, da Universidade Federal de Pernambuco, para ser preparado e estudado.

Esse processo foi lento porque a preparação envolveu a remoção da rocha que circundava o fóssil, que estava em condições frágeis, o que tornou o trabalho complexo.

Entre 2008 e 2016, foram realizadas análises microscópicas dos seus tecidos usando pequenas amostras dos ossos, bem como um scanner, com ao qual foi obtida uma quantidade maior de informações que permitiu uma reconstrução da aparência de como era o animal em vida.

Em 2016, o fóssil foi levado ao Museu Nacional do Rio de Janeiro e, apesar do trágico incêndio de 2018 que destruiu parte da instituição, a área onde o fóssil estava guardado não foi afectada pelas chamas.

https://www.publico.pt/2020/07/10/ciencia/noticia/brasil-apresenta-fossil-dinossauro-desconhecido-1924028

Tubarão-frade: um turista acidental nos Açores


O tubarão-frade é poucas vezes observado nos Açores, mas isso pode apenas querer dizer que a espécie é ainda mal conhecida…

O dia 10 de Fevereiro de 1956, num dos meses mais frios de que há memória em Portugal e que levaria inclusivamente neve ao Algarve, John Collins, telegrafista de profissão, estava prestes a assistir a um acontecimento inédito nos Açores. Do corpo de um enorme cachalote que ocupava a rampa de desmanche da fábrica da baleia do Porto Pim, no Faial, foi retirada uma presa inesperada: um exemplar de tubarão-frade, o segundo maior peixe do mundo. Este tubarão não era conhecido como presa de cachalote e os seus avistamentos eram uma raridade nos Açores. A primeira ocorrência documentada da espécie no arquipélago fora descrita apenas em 1939. Em que circunstâncias extraordinárias se encontrava ali aquele exemplar?

Meio século mais tarde, ao largo da ilha de São Miguel, foi pela primeira vez fotografado um exemplar vivo desta espécie no arquipélago. De permeio, segundo documentaram os biólogos Filipe Porteiro e Pedro Niny, alguns tubarões-frade arrojaram em São Miguel e na Terceira, mas os avistamentos deste gigante no arquipélago dos Açores continuaram a ser acidentais. Observado com alguma regularidade junto à costa continental portuguesa, o animal continuou a ser visto nos Açores como uma raridade. 

O hábito de se deslocar vagarosamente junto à superfície e próximo da costa tornou o tubarão-frade um alvo para a pesca nas águas costeiras da maioria dos países onde é avistado. O método tradicional de captura desta espécie era igual ao da baleia, através do arremesso de um arpão. Esta prática abrandou na década de 1910.

O nome tubarão-frade é uma derivação da sua designação original – tubarão-peregrino. Este nome resulta do seu hábito de deambular, aparentemente sem rumo definido, à superfície da água. O nome científico Cetorhinus maximus provém do grego e designa um monstro marinho de grande rostro. É provável que esta injusta descrição se baseie na percepção que os primeiros naturalistas tiveram de uma enorme silhueta que pode medir 12 metros de comprimento, muitas vezes observada junto à superfície, com a sua boca de tal forma aberta que o nariz parece saltar fora de água.

Actualmente, porém, sabe-se que as deslocações vagarosas deste animal nos dias soalheiros próximo da costa e junto à superfície se devem ao facto de o tubarão-frade, tal como outros grandes peixes cartilagíneos, ser um tubarão filtrador que se alimenta de plâncton, principalmente, de crustáceos, pequenos peixes, larvas e ovos de peixes. 

Na chegada da Primavera, inicia-se o seu ciclo biológico nas águas temperadas frias. O progressivo aumento da temperatura desencadeia um frenesi de produção de organismos microscópicos que compõem o fitoplâncton, multiplicando-se em densidades astronómicas e originando explosões de vida. Os tubarões-frade perseguem esta abundância primaveril próximo das costas. Ao seguirem selectivamente manchas de maior densidade de plâncton, podem filtrar o equivalente a cinco mil toneladas de água por hora. E é nessa fase, em que navegam perto da superfície, que são avistados.

Em terra, seria impossível que um animal do tamanho de um autocarro e com o peso equivalente a quatro veículos ligeiros passasse despercebido nas suas deambulações migratórias. Nas profundezas do mar, porém, o tubarão-frade é uma gota de água, um gigante tímido e desconhecido. Durante décadas, soube-se pouco sobre a sua distribuição e comportamento e o pouco que se sabia resultava de encontros ocasionais em alguns sítios historicamente visitados por esta espécie no final da Primavera e início do Verão, a que se seguiam longos meses de ausência. 

As investigações recentes descobriram que o tubarão-frade mergulha frequentemente a profundidades na ordem dos 1.000 metros. É possível que se movimente com mais frequência do que o esperado junto das ilhas atlânticas portuguesas, mas a profundidades que o tornem quase indetectável. 

A quebra do volume de zooplâncton nas zonas costeiras era apontada como a causa da migração no Inverno dos tubarões-frade para águas mais profundas. Chegou a ser levantada a hipótese de estes animais hibernarem durante meses, fazendo uso das reservas energéticas do seu enorme fígado. Também a informação sobre a sua anatomia era tão escassa que a maioria dos estudos se baseava em dados recolhidos por dois cientistas (Leonard Matthews e Hampton Parker) em 1947. A convite do dono de uma fábrica pesqueira na ilha escocesa de Soay, os dois britânicos dissecaram e estudaram dez tubarões-frade, recolhendo dados que, 50 anos mais tarde, ainda serviam de fundamentação para estudos científicos. No entanto, a ajuda à ciência desta vez veio literalmente do céu.

No dia 10 de Setembro de 2007, um satélite da NOOA (Agência Norte-Americana para os Oceanos e Atmosfera) captou informações transmitidas de um emissor que flutuava no Atlântico Norte. Oitenta e dois dias antes, uma embarcação licenciada pelo Departamento de Agricultura, Florestas e Pescas da ilha de Man aproximara-se de um tubarão-frade fêmea com oito metros de comprimento. Um dardo foi projectado da embarcação, alojando-se na base da barbatana dorsal que se projectava da superfície. Ligado por um fio de nylon a este dardo, encontrava-se um aparelho colector e emissor de dados programado para se soltar cerca de cem dias mais tarde e emitir dados de temperatura, profundidade e níveis de luz durante este período. Mauvis Gore, o coordenador deste projecto, talvez não sonhasse então com o volume de informação que viria a ser fornecido por um único animal.

Alcunhado Tracy, o tubarão marcado percorreu 9.589km, iniciando a sua viagem no mar da Irlanda, abandonando a plataforma continental, atravessando o Atlântico, passando a norte do arquipélago dos Açores e chegando ao largo da Terra Nova, no Canadá, em apenas 82 dias. A sua rota é a primeira prova da utilização de águas profundas para além da plataforma continental e de uma migração transatlântica das populações de tubarão-frade da Europa e da América, o que leva Pedro Afonso, biólogo do Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores especializado em estudos de telemetria, a referir que “as investigações recentes demonstraram que o offshore também é um habitat relevante para esta espécie e que a amplitude desse habitat é bem maior do que se pensava”.

Os dados relativos à migração vertical deste tubarão foram igualmente surpreendentes. Após permanecer em águas pouco profundas durante cinco dias, Tracy seguiu para profundidades na ordem das duas centenas de metros, nas quais se manteve durante dez dias. Ao chegar ao fim da plataforma continental, realizou mergulhos até uma profundidade recorde de 1.264 metros e passando pelo menos uma dúzia de vezes a profundidades superiores a mil metros. A informação sugere uma procura activa de alimentos na coluna de água, uma vez que é aí que existem os copépodes mesopelágicos, as suas presas naturais. Os últimos 40 dias foram passados junto à superfície numa zona abundante da sua presa favorita, o pequeno copépode da espécie Calanus finmarchicus, de apenas 5mm de comprimento. 

É perigoso extrapolar os dados obtidos com um indivíduo para toda uma espécie, porque existe grande plasticidade comportamental entre indivíduos. Pedro Afonso refere mesmo que “o comportamento do mesmo indivíduo pode variar muito ao longo dos anos”. De todo o modo, os dados da rota migratória de Tracy ofereceram mais uma pista para compreender os avistamentos ocasionais da espécie, que se julgava confinada às plataformas continentais. Na verdade, Tracy dispersou-se muito mais do que aquilo que era admitido pela comunidade científica. 

Este indício viria a ser suportado um ano mais tarde, em 2009, com a publicação de um artigo mais abrangente, que utilizou a mesma técnica de recolha de dados no Massachusetts, agora aplicada a 25 diferentes tubarões-frade. Os dados recolhidos por satélite pela equipa de Gregory Skomal indicaram que o tubarão-frade é um dos poucos animais marinhos capazes de atravessar o equador durante as suas migrações. Nada entre 200 e 1.000 metros de profundidade, seguindo zonas de termoclinas frias, passando semanas a meses longe do olhar humano, a grande profundidade em águas tropicais. Vários indivíduos marcados no Verão em zonas costeiras nas águas temperadas do Massachusetts atravessaram o equador, permanecendo em locais tão improváveis como a boca do rio Amazonas e orientando provavelmente o seu comportamento em função da disponibilidade de presas. 

Os Açores encontram-se provavelmente no limite meridional do seu território de alimentação estival, o que explicaria os avistamentos ocasionais à superfície. Mas para Pedro Afonso há uma hipótese adicional: é possível que a espécie “passe com mais frequência na região mas a grandes profundidades, tal como demonstrado neste estudo com a população americana, ao passo que nas águas do Norte já estará em ‘modo de superfície’”. O biólogo acrescenta: “Está por esclarecer de que forma os comportamentos sociais afectam também as movimentações da espécie.” Por outras palavras, podem existir outras razões que expliquem a presença em habitats profundos que não a alimentação, tais como o acasalamento.

Os Açores encontram-se provavelmente no limite meridional do seu território de alimentação estival, o que explicaria os avistamentos ocasionais à superfície.

Graças a estes esforços, tem-se hoje como provável que o tubarão-frade se sinta à vontade em águas profundas, tenha capacidade para sobreviver em águas tropicais e realize migrações de um hemisfério para outro. Ao mesmo tempo, estes dados demonstram a necessidade de esforços globais para a protecção desta espécie classificada na “Lista Vermelha da União Mundial de Conservação da Natureza” como “vulnerável” em termos globais e “em perigo” no Atlântico e Pacífico Norte. “Tal como já se demonstrou com várias outras espécies, como a tintureira, é preciso conceber o habitat em toda a sua extensão, na medida em que ele nada muito para lá da plataforma continental, e nas várias profundidades em que ele vive”, comenta Pedro Afonso.

No entanto, talvez o maior desafio para a preservação da espécie seja o preenchimento das lacunas ainda existentes em relação à ecologia da segunda maior espécie de peixe dos nossos oceanos. As descobertas sobre as rotas migratórias dos tubarões-frade obrigaram à revisão de dados que eram tidos como certos em relação a esta espécie, mas ainda há lacunas. Dada a plasticidade de comportamentos e as usuais variações oceanográficas entre anos, quem sabe para onde nadará Tracy no próximo ano? 

https://nationalgeographic.sapo.pt/natureza/actualidade/2272-tubarao-frade-um-turista-acidental-nos-acores

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Conteúdo - Sistemática - Reinos




Tradicionalmente os seres vivos eram divididos em dois reinos: Plantas e Animais. Como muitos seres simples não cabem nesta divisão, em 1866 Ernst Heinrich Haeckel propôs a categoria Protista, incluindo algas, fungos, protozoários e bactérias, No século XX a classificação mais aceite passou a ter cinco reinos: Protista (protozoários e algumas algas), Monera (bactérias procariontes, e cianobactérias ou algas azuis), Fungi, Plantae e Animalia.

Recentemente a análise genética levou a propor o grupo Archaea para as Archaebactérias, e mais dois grupos: as outras bactérias e os eucariontes (organismos que têm núcleo celular: fungos, plantas e animais).

No entanto, estudos recentes passaram a aceitar o sistema de seis reinos (Monera, Protista, Animalia, Fungi, Plantae e Chromista). O reino Chromista engloba alguns grupos de algas como as Phaeophyta, Chrysophyta e Bacillariophyta (Diatomáceas) que possuem cloroplasto com 4 membranas, localizado no lumem do retículo endoplasmático rugoso e originado de uma simbiose secundária.

Considerando-se os organismos fotossintetizantes envolvidos nesta nova divisão dos reinos, uma das principais características definidoras das linhagens evolutivas é justamente a origem do cloroplasto:

Cianobactérias: Sem cloroplasto, pigmento difuso no citoplasma
Plantas: Simbiose primária (Protista + cianobactéria), cloroplasto com duas membranas.
Protistas (Euglenas e Dinoflagelados): Simbiose secundária ou terciária (Protista + planta), cloroplasto com 3 membranas
Chromistas: Simbiose secundária (Protista + Planta), cloroplasto com 4 membranas.

sábado, 3 de outubro de 2026

Conteúdo - A História da Sistemática

O primeiro sistema de classificação foi o de Aristóteles no século IV a.C., que ordenou os animais pelo tipo de reprodução e por terem ou não sangue vermelho. O seu discípulo Teofrasto classificou as plantas por seu uso e forma de cultivo.

Nos séculos XVII e XVIII os botânicos e zoólogos começaram a delinear o actual sistema de categorias, ainda baseados em características anatômicas superficiais. No entanto, como a ancestralidade comum pode ser a causa de tais semelhanças, este sistema demonstrou aproximar-se da natureza, e continua sendo a base da classificação actual. Lineu fez o primeiro trabalho extenso de categorização, em 1758, criando a hierarquia actual.

A partir de Darwin a evolução passou a ser considerada como paradigma central da Biologia, e com isso evidências da paleontologia sobre formas ancestrais, e da embriologia sobre semelhanças nos primeiros estágios de vida. No século XX, a genética e a fisiologia tornaram-se importantes na classificação, como o uso recente da genética molecular na comparação de códigos genéticos. Programas de computador específicos são usados na análise matemática dos dados.

Assim como outras ciências que se ocupam de sistemas complexos e determinados por uma história concreta, a sistemática beneficiou com novas técnicas da estatística descritiva, e desde o fim do século XIX em especial a estatística multivariável, a meio do século XX.

Em fevereiro de 2005 Edward Osborne Wilson, professor aposentado da Universidade de Harvard, onde cunhou o termo biodiversidade e participou da fundação da sociobiologia, ao defender um "projeto genoma" da biodiversidade da Terra, propôs a criação de uma base de dados digital com fotos detalhadas de todas a espécies vivas e a finalização do projeto Árvore da vida. Em contraposição a uma sistemática baseada na biologia celular e molecular, Wilson vê a necessidade da sistemática descritiva para preservar a biodiversidade.

Do ponto de vista econômico, defendem Wilson, Peter Raven e Dan Brooks, a sistemática pode trazer conhecimentos úteis na biotecnologia, e na contenção de doenças emergentes. Mais da metade das espécies do planeta é parasita, e a maioria delas ainda é desconhecida.

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Conteúdo - O que é a Sistemática?


A sistemática é a ciência dedicada a inventariar e descrever a biodiversidade e compreender as relações filogenéticas entre os organismos. Inclui a taxonomia (ciência da descoberta, descrição e classificação das [espécies] e grupo de espécies, com suas normas e princípios) e também a filogenia (relações evolutivas entre os organismos). Em geral, diz-se que compreende a classificação dos diversos organismos vivos. Em biologia, os sistematas são os cientistas que classificam as espécies em outros taxa a fim de definir o modo como eles se relacionam evolutivamente.

O objetivo da classificação dos seres vivos, chamada taxonomia, foi inicialmente o de organizar as plantas e animais conhecidos em categorias que pudessem ser referidas. Posteriormente a classificação passou a respeitar as relações evolutivas entre organismos, organização mais natural do que a baseada apenas em características externas. Para isso se utilizam também características ecológicas, fisiológicas, e todas as outras que estiverem disponíveis para os táxons em questão. É a esse conjunto de investigações a respeito dos táxons que se dá o nome de Sistemática. Nos últimos anos têm sido tentadas classificações baseadas na semelhança entre genomas, com grandes avanços em algumas áreas, especialmente quando se juntam a essas informações aquelas oriundas dos outros campos da Biologia.

A classificação dos seres vivos é parte da sistemática, ciência que estuda as relações entre organismos, e que inclui a coleta, preservação e estudo de espécimes, e a análise dos dados vindos de várias áreas de pesquisa biológica. Nomenclatura é a atribuição de nomes (nome científico) a organismos e às categorias nas quais são classificados.

O nome científico é aceito em todas as línguas, e cada nome aplica-se apenas a uma espécie.

Há duas organizações internacionais que determinam as regras de nomenclatura, uma para zoologia e outra para botânica. Segundo as regras, o primeiro nome publicado (a partir do trabalho de Lineu) é o correcto, a menos que a espécie seja reclassificada, por exemplo em outro género. A reclassificação tem ocorrido com certa freqüência desde o século XX. O Código Internacional de Nomenclatura Zoológica preconiza que neste caso mantém-se a referência a quem primeiro descreveu a espécie, com o ano da descrição, entre parênteses, e não inclui o nome de quem reclassificou. Esta norma internacional decorre, entre outras coisas, do fato de ser ainda nova a abordagem genética da taxonomia, sujeita a revisão devido a novas pesquisas científicas, ou simplesmente a definição de novos parâmetros para a delimitação de um táxon, que podem ser morfológicos, ecológicos, comportamentais etc.

terça-feira, 29 de setembro de 2026

Reprodução assexuada

Na reprodução assexuada, o processo de divisão celular é a mitose, o que favorece a produção de indivíduos geneticamente idênticos ao progenitor e entre si, garantindo a estabilidade genética das espécies. Este tipo de reprodução é um processo natural de clonagem, originando-se cópias do organismo original (clones).

O ser humano pode obter rapidamente muitos exemplares de plantas com características selecionadas que se reproduzem assexuadamente, o que traz vantagens económicas e sociais, permitindo reduzir o problema da fome de muitas populações. 

Reproduzindo-se assexuadamente, os seres vivos não têm necessidade de encontrar parceiro, não havendo gasto de energia na produção de gâmetas nem na fecundação. As bactérias, por exemplo, em condições favoráveis, conseguem reproduzir-se em muito pouco tempo.

Em cerca de vinte e quatro horas, obtêm-se populações com milhões destes seres unicelulares procariontes do Reino Monera. Trata-se de uma forma de reprodução que permite uma colonização rápida de um habitat, sem especialização de estruturas reprodutoras. Contudo, a homogeneidade da população configura-se uma desvantagem porquanto se houver qualquer modificação das condições ambientais, que ao deixarem de ser propícias a esses indivíduos, poderá ocorrer a eliminação/desaparecimento dessas populações. 

Existem várias estratégias/processos de reprodução assexuada:  

-Bipartição; 

-Gemulação; 

-divisão múltipla; 

-Esporulação; 

-Fragmentação; 

-multiplicação vegetativa e  

-partenogénese. 

A possibilidade de um rápido crescimento populacional e em grandes quantidades são potencialidades que são aproveitadas para a agricultura. As batateiras, por exemplo, obtêm-se por propagação (multiplicação vegetativa natural) a partir de fragmentos dos respetivos caules subterrâneos (batata).  

Muitas das árvores de fruto e ornamentais são produzidas por reprodução assexuada a partir de caules ou folhas de uma planta com boas características e que interessam para o ser humano. A enxertia (união dos tecidos de duas plantas), a estacaria (enterramento do ramo de uma planta, sem folhas, com um corte na diagonal, de modo a criar raízes) e a mergulhia (enraizamento de uma parte da planta que se pretende propagar) são exemplos de técnicas de multiplicação vegetativa artificial baseadas na reprodução assexuada. 

Em laboratório, as plantas também podem ser multiplicadas, recorrendo a técnicas de cultura in vitro de células. A partir de fragmentos do único progenitor, consegue isolar-se células e promover o seu desenvolvimento em novos indivíduos. Desta forma, obtém-se um número ilimitado de indivíduos geneticamente iguais, entre si e em relação à planta progenitora, num curto intervalo de tempo. A Engenharia Genética consegue também introduzir, nas células que vão ser clonadas, genes com interesse, do ponto de visa económico, para o ser humano. 

A reprodução assexuada não garante a variabilidade genética, pelo que se pode tornar perigosa para a sobrevivência da própria espécie. 


domingo, 27 de setembro de 2026

Já imaginou uma ilha coberta com 50 milhões de caranguejos? O fenómeno está a acontecer na Ilha Christmas

Apesar de parecer um acontecimento saído de um filme, é mesmo real, e típico, nesta época do ano. Trata-se na migração dos caranguejos.

É entre outubro e dezembro que se realiza a migração dos caranguejos vermelhos na Ilha de Christmas, na Austrália.

    

Milhões de caranguejos atravessam a ilha, desde a floresta até ao mar, com o objetivo de se reproduzirem.

Apesar de parecer saído de um filme, o fenómeno é bem real, e comum para os habitantes. A ilha está preparada para esta enchente, tendo já colocado sinalizações em diversas áreas e construído uma ponte para os animais passarem uma estrada.

https://greensavers.sapo.pt/ja-imaginou-uma-ilha-coberta-de-50-milhoes-de-caranguejos-o-fenomeno-esta-a-acontecer-na-ilha-christmas/


sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Descobertos traços genéticos que explicam maior resistência de gado africano

Uma equipa internacional de cientistas anunciou hoje a descoberta de novos traços genéticos no gado africano, resultantes do cruzamento com espécies asiáticas, que o tornam mais tolerante ao calor e à seca e mais resistente a doenças.

A investigação está a ser realizada pelo International Livestock Research Institute (ILRI), com sede em Nairobi (Quénia) e Adis Abeba (Etiópia), Universidade Nacional de Seul e Universidade de Nottingham, Reino Unido, entre outras instituições.

“Acreditamos que este conhecimento pode ser utilizado para criar uma nova geração de gado africano com algumas das qualidades do gado europeu e americano – que produzem mais leite e carne por animal – mas com o rico mosaico de características que tornam o gado africano mais resistente e sustentável”, explicou Olivier Hanotte, cientista sénior do ILRI.

O estudo, que procurou compreender como o gado evoluiu rapidamente com traços que lhe permitiram prosperar em todo o continente africano, traçou mil anos de criação pastoril africana e sequenciou os genomas de 172 bovinos nativos.

Os resultados, publicados na edição de outubro da revista científica ‘Nature Genetic’, indicam que ocorreu um “choque evolutivo” entre 750 e 1.050 anos atrás com a chegada de raças de gado asiáticas à África Oriental, portadoras de traços genéticos adaptados ao exigente ambiente africano.

O cruzamento resultou em gado com características para sobreviver em climas quentes e secos, típicos do gado asiático conhecido como “Zebu”, e ao mesmo tempo suportar climas húmidos onde doenças como a tripanossomíase (doença do sono) são comuns, traços típicos das raças de gado africanas chamadas “Taurine”.

“Sem gado milhões de pessoas em África teriam sido forçadas a caçar animais selvagens em busca de proteínas”, apontou, por seu lado, a especialista do ILRI, Ally Okeyo Mwai.

“Isso teria sido devastador para o ambiente africano e para a sua incrível diversidade de vida selvagem”, acrescentou.

Para muitas famílias africanas, especialmente as mais pobres, o gado continua a ser o bem mais valioso, fornecendo uma fonte de rendimento, mas também de proteínas e micronutrientes.

Os animais também fornecem estrume para as culturas e algumas raças pecuárias africanas podem sobreviver em condições onde não são viáveis culturas alimentares, o que permite aos agricultores uma potencial estratégia de adaptação para lidar com a crise climática.

“Ao estudar os genomas do gado nativo, pode ver-se que a adaptação tem sido a chave para o sucesso da produção pecuária em África”, disse Steve Kemp, outro autor de estudo e cientista do ILRI.

“E isso tem de ser o fator nos nossos esforços futuros para criar animais mais produtivos e mais sustentáveis. Se o objetivo é apenas a produtividade, está condenado ao fracasso”, acrescentou.

https://www.agroportal.pt/descobertos-tracos-geneticos-que-explicam-maior-resistencia-de-gado-africano/

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Governo diz que, em 2030, 80% da eletricidade de Portugal será de fontes renováveis

O ministro do Ambiente, Matos Fernandes, disse hoje que 80% da eletricidade de Portugal será de fontes renováveis em 2030, mas prometeu que em termos de exploração de novos modelos “todos os projetos grandes” terão “avaliação de impacto ambiental”.

“Portugal está e estará preparado para os desafios do futuro e para a sustentabilidade da economia. São muito claros os limites do sistema terrestre. Não vale a pena colocarmos isso em causa. O crescimento europeu da economia e em Portugal também, tem de passar por investimentos no setor da sustentabilidade. Mobilidade suave, energias renováveis, eficiência energética”, disse João Pedro Matos Fernandes.

O ministro, que falava aos jornalistas no Porto à margem de uma conferência sobre os desafios estratégicos na ação climática, disse que atualmente “57% da eletricidade consumida em Portugal tem origem em fontes renováveis”.

“E vamos mesmo chegar a 2030 com 80% da eletricidade a partir de fontes renováveis. Isso significa muito menos importações e grandes ganhos para a balança comercial e autonomia energética. Mas a eletricidade não resolve todos os problemas. Tem de continuar a existir gás – numa fase de transição, o gás natural – mas devemos passar para gases renováveis”, acrescentou.

Já sobre o uso de hidrogénio, Matos Fernandes referiu que “o que começou por ser um projeto do Governo português, é agora um projeto de Portugal”, mas prometeu “acautelar cuidados”.

“Todos os projetos grandes têm de ter avaliação de impacto ambiental. Não podemos dizer que queremos energias renováveis e depois não ter onde fazer parques escolares, mas teremos em conta as diferenças dos territórios”.

O ministro do Ambiente sublinhou a convicção de que “Portugal não pode ter um metro quadrado de território abandonado”, avançando que “o próximo quadro comunitário de apoio vai desenhar políticas concretas para as regiões que onde há uma maior necessidade de intervenção”.

“Temos de definir planos de mobilidade adaptados aos territórios de baixa densidade. Rede equipamentos capaz para esses cuidados”, concluiu.

https://24.sapo.pt/atualidade/artigos/governo-diz-que-em-2030-80-da-eletricidade-de-portugal-sera-de-fontes-renovaveis

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Sabe porque temos quatro estações por ano? (não é a distância ao Sol)

Muitas pessoas assumem que a diferença da distância do nosso planeta em relação ao sol causa a mudança nas estações. Parece lógico, mas não é o caso da Terra.

Em vez disso, a Terra tem estações porque o eixo de rotação do nosso planeta é inclinado num ângulo de 23,5 graus em relação ao nosso plano orbital, ou seja, o plano da órbita da Terra em torno do sol.

Ao longo de um ano, o ângulo de inclinação não varia. Por outras palavras, o eixo norte da Terra está sempre a apontar na mesma direção no espaço. Neste momento, essa direção é mais ou menos em direção à estrela que chamamos de Polaris, a Estrela do Norte.

Mas a orientação da inclinação da Terra em relação ao sol muda conforme orbitamos o sol. Ou seja, o hemisfério norte é orientado em direção ao sol durante metade do ano e afastado do sol na outra metade. O mesmo se aplica ao hemisfério sul.

Quando o hemisfério norte está orientado para o sol, essa região da Terra aquece por causa do aumento correspondente da radiação solar. Os raios do sol estão a atingir aquela parte da Terra um ângulo mais direto. Por consequência, é verão.

Quando o hemisfério norte está orientado para longe do sol, os raios do sol são menos diretos e essa parte da Terra arrefece. Logo, é inverno.

As estações do hemisfério sul ocorrem em épocas do ano opostas às do hemisfério norte. Verão do norte = inverno do sul.

A inclinação no eixo da Terra é fortemente influenciada pela forma como a massa é distribuída pelo planeta. Grandes quantidades de massa de terra e mantos de gelo no hemisfério norte tornam a superfície da Terra pesada. Uma analogia para a obliquidade é imaginar o que aconteceria se girasse uma bola com um pedaço de pastilha elástica preso perto do topo. O peso extra faria com que a bola se inclinasse quando girada.

Durante longos períodos de tempo geológico, o ângulo da obliquidade da Terra gira entre 21,1 e 24,5 graus. Este ciclo dura aproximadamente 41.000 anos e acredita-se que desempenhe um papel fundamental na formação das eras glaciais – uma teoria científica proposta por Milutin Milankovitch em 1930.

A Terra está a diminuir em obliquidade

As diminuições na obliquidade podem definir o terreno para estações mais moderadas (verões mais frios e invernos mais quentes), enquanto aumentos na obliquidade criam estações mais extremas (verões mais quentes e invernos mais frios).

As geleiras tendem a crescer quando a Terra tem muitos verões frios que não conseguem derreter as neves do inverno. Como falamos de ciclos de 41.000 anos, essas mudanças na obliquidade não são o principal motor do clima da Terra no século seguinte.

As temperaturas na Terra são influenciadas não apenas pela obliquidade, mas também por muitos outros fatores que impulsionam o nosso complexo sistema climático e as temperaturas globais que vivenciamos ano a ano.

Outros planetas no nosso sistema solar também se inclinam em vários graus. Urano gira quase lateralmente a 97 graus e tem estações extremas. A inclinação axial em Vénus é de 177,3 graus. Consequentemente, Vénus tem muito poucas estações.

A distância da Terra ao sol muda ao longo do ano, e é lógico supor que um aumento ou diminuição na distância entre o sol e o planeta possa causar uma mudança cíclica nas estações. Mas – no caso do nosso planeta – essa mudança é muito pequena para causar essa mudança.

As nossas estações mudam devido ao ângulo de inclinação do nosso planeta – 23,5 graus – em relação à nossa órbita ao redor do sol. Se a Terra não se inclinasse, mas em vez disso orbitasse exatamente na vertical em relação à nossa órbita ao redor do Sol, haveria pequenas variações na temperatura ao longo de cada ano, à medida que a Terra se movesse um pouco mais perto do Sol ou um pouco mais longe. E haveria diferenças de temperatura da região equatorial da Terra aos pólos. Mas, sem a inclinação da Terra, não teríamos as maravilhosas mudanças sazonais da Terra e a nossa associação delas com as várias épocas do ano – associando uma sensação de frescor no ar com a primavera, por exemplo.

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