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sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Notícia - Desaparecimento de mamíferos no Sul da Florida associado a pitão-da-Birmânia

A pitão-da-Birmânia pode ser a responsável pela queda abrupta do número de mamíferos de um dos parques naturais mais emblemáticos dos Estados Unidos, mostra um estudo publicado nesta segunda-feira na revista Proceedings of the National Academy of Science. Os cientistas não sabem o que o futuro reserva ao ecossistema do parque.

Algumas das espécies de mamíferos, como o coelho e o coiote, diminuíram a ocorrência em cerca de 99% em pouco mais de dez anos. “Descrevemos um aparente declínio severo que coincide temporalmente e espacialmente com a proliferação da pitão-da-Birmânia, no Parque Nacional Everglade”, escreve no artigo a equipa norte-americana.

Há mais de 30 anos que no Sul da Florida a Python molurus bivittatus é avistada, uma cobra constritora (animal que mata as suas vítimas apertando-as) que atinge os seis metros de comprimento, original do sudeste Asiático. Mas só em 2000 é que foi dada como estabelecida no Parque Nacional Everglade.

O réptil tem sido importado para os Estados Unidos como animal de estimação. O mais provável é ter acabado na natureza por fuga, por libertação feita por donos, ou ainda por algum acontecimento que permitiu que um número de espécimes tenha fugido de lojas de animais.

Em apenas uma década, os técnicos passaram do zero para retirar cerca de 380 pitões do parque, ao longo do ano de 2009. “Em qualquer população de serpentes só se encontra uma pequena fracção do número de espécimes que realmente existe”, disse Michael Dorcas, à BBC News. O cientista é um dos autores do estudo e pertence ao Davidson College, da Carolina do Norte, EUA. Esta espécie “é o novo predador de topo do Parque Nacional de Everglades – um predador que não deveria estar lá”.

Ao mesmo tempo que o número de serpentes foi aumentando, o número de mamíferos foi diminuindo. Os cientistas verificaram esta queda ao percorrerem as estradas do parque à procura de animais mortos durante a última década, e comparando com dados anteriores a 2000.

“Antes de 2000, os mamíferos eram encontrados frequentemente durante inspecções nocturnas feitas nas estradas dentro do Parque Nacional de Everglade. Por oposição, em inspecções feitas às estradas que totalizaram 56.971 quilómetros entre 2003 e 2011 documentou-se uma diminuição de 99,3% na observação de guaxinis, uma diminuição de 98,9% e 87,5% nos Didelphimorphia [marsupiais que existem no continente Americano] e no lince-pardo, respectivamente, e falhámos em detectar coelhos”, lê-se no artigo.

O Parque Nacional Everglade é um dos mais importantes dos Estados Unidos, tem pouco mais de 2000 quilómetros quadrados, em comparação o distrito de Lisboa tem 2700 quilómetros quadrados. É um quarto da área total dos Everglades, uma zona húmida, sub-tropical, com muitos pântanos alimentados pelo rio Kissimmee.

O parque é Património da Humanidade, pela UNESCO, e tem inúmeras espécies animais, como roedores, aligatores, veados, e outros mamíferos e aves. Muitas correm risco de extinção.

Segundo o artigo, muitos dos mamíferos que diminuíram abruptamente de número, como o coelho, guaxinis, veados, ou o lince-pardo foram já documentados como tendo servido de refeição a pitões. Por outro lado, a diminuição de certas espécies que são alimento ou predam outras tem consequências na cadeia alimentar do parque.

Os cientistas andaram por estradas de regiões onde o réptil estava estabelecido há anos, outras em que tinha aparecido há pouco tempo, e outras ainda onde não tinha sido documentado, e foi nestas última que a equipa encontrou mais mamíferos.

“Não é pouco razoável assumir que sempre que há quedas maiores nos mamíferos, como acontece neste caso, vai haver um impacto global no ecossistema. Quais os impactos específicos que vão ocorrer, não sabemos. Mas é possível que sejam bastante profundos”, disse Dorcas.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Notícia - Descritas 3 novas espécies do primata com uma mordida tóxica


Uma equipa internacional de cientistas descreve num artigo na revista American Journal of Primatology três novas espécies de lóris pertencentes ao género Nycticebus, conhecido pela sua mordida tóxica. Duas das novas espécies, N. borneanus e N. bancanus, foram, em tempos, consideradas subespécies de N. menagensis, enquanto que N. kayan era totalmente desconhecida.

As novas espécies de lóris, um primata noturno asiático aparentado dos lémures, de Madagáscar, vivem na ilha do Bornéu, e a sua classificação como espécies distintas resulta das diferenças que apresentam em termos das dimensões corporais, da densidade da pelagem, da coloração facial que faz com que pareça que tenham uma máscara e, ainda, do tipo de habitat.

A reorganização taxonómica que resultou no aumento do número de espécies de Nycticebus, tem importantes implicações ao nível da Conservação. Em primeiro lugar, torna necessário um maior esforço de conservação para conservar estes primatas, já que, em vez de uma espécie ameaçada, se passa a ter 4 espécies “em perigo ou ameaçadas”, pode ler-se no comunicado de imprensa da University of Missouri.

 “Quatro espécies diferentes são mais difíceis de proteger do que uma, já que cada espécie necessita de manter o seu efetivo populacional e ter habitat florestal suficiente”, explica Rachel Munds (University of Missouri – EUA), co-autora do novo artigo.

Com efeito, M. menagensis, a espécie que anteriormente aglomerava as que são agora consideradas como espécies diferentes, encontra-se classificada como “Vulnerável” na Lista Vermelha das Espécies Ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza. As principais ameaças identificadas, que provavelmente também se aplicam às novas espécies, são a perda do habitat florestal devido à conversão em plantações de palmeira para produção de biocombustíveis, e a crescente captura para alimentar o comércio de animais de estimação, para usar como modelo em fotos com turistas e para utilização na medicina tradiconal asiática.

Por outro lado, o reconhecimento como espécies distintas sugere que pode haver, nas luxuriantes florestas tropicais da região, mais novas espécies por classificar. Dada a crescente ocupação humana, esta hipótese torna ainda mais urgente intensificar aí os esforços conservacionistas.



Fontes: Filipa Alves/ phys.org e munews.missouri.edu

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Notícia - Surto de quitridiomicose terá sido responsável pelo declínio das populações de sapo-parteiro-comum na Serra da Estrela


Um trabalho trabalho já publicado online na revista Animal Conservation revela as populações de sapo-parteiro-comum (Alytes obstetricans) do Parque Natural da Serra da Estrela sofreram um acentuado declínio como resultado de um surto de quitridiomicose, doença que pode levar à extinção local da espécie.

A quitidriomicose é uma doença infeciosa causada pelo fungo Batrachochytrium dendrobatidis que é reconhecida, na atualidade, como uma das duas mais sérias ameaças globais para os anfíbios. Com efeito, o fungo que se pensa ter tido origem em África e que se espalhou por todo o mundo já causou várias extinções, tendo o primeiro caso de infeção na Península Ibérica sido registado há cerca de 10 anos.

Em agosto de 2009 foram encontradas centenas de sapos-parteiros-comuns mortos nas água de um lago e nas suas imediações, no interior do Parque Serra da Estrela (PNSE), o que motivou a realização de um estudo para determinar o impacto de uma nova epidemia da doença nas populações da área protegida. Este trabalho foi levado a cabo em 2010 e 2011, por uma equipa liderada pelo biólogo Gonçalo M. Rosa, investigador do Durrell Institute of Conservation and Ecology (Universidade de Kent) e do Centro de Biologia Ambiental da (Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa).

Os resultados da investigação revelaram que as populações de sapo-parteiro-comum do PNSE se encontram numa situação precária, e sugerem que isto pode ter sido causado por um surto de quitridiomicose. Com efeito, os investigadores observaram uma redução de 67% da área de ocorrência da espécie, detetaram uma redução de 84% nos locais de reprodução e verificaram que nos restantes locais (16%) as larvas são menos abundantes e grande parte está infetada pelo Batrachochytrium dendrobatidis. Deste modo, os autores do trabalho concluem que é urgente implementar medidas de conservação para evitar a extinção local da espécie.

Fontes: Filipa Alves/onlinelibrary.wiley.com e www.wildlifeextra.com

sábado, 15 de agosto de 2015

Notícia - Nova espécie de peixe chama-se Obama


Uma espécie de peixe de água doce recentemente descoberta recebeu o nome do atual presidente dos EUA. Outras espécies também descobertas receberam ainda nomes de antigos presidentes e um vice-presidente, pelas credenciais ambientais nas suas ações.

Investigadores atribuíram o nome do atual presidente dos EUA, Barack Obama, a uma espécie de peixe de água doce que recentemente descobriram. Os investigadores descobriram no norte da América cinco novas espécies da família das percas. São pequenos peixes muito coloridos que percorrem os cursos de água e pertencem a um grupo de percas mais comuns no norte de Alabama e no leste de Tennessee.

O Etheostoma Obama, é uma espécie muito pequena, em que os machos atingem 48 mm e que evidencia azuis e faixas laranja. Os investigadores escolheram o nome Obama para esta espécie considerando a liderança ambiental inédita, particularmente no caso das energias renováveis e protecção do ambiente, e por ser dos primeiros líderes norte-americanos com uma visão mais global para conservação e protecção do ambiente.

As outras espécies descobertas receberam nomes de antigos presidentes, também pelas suas credenciais ambientais: Teddy Roosevelt por ter delimitado vastas áreas silvestres para parques e monumentos; Jimmy Carter pelas políticas energéticas e trabalho humanitário após ter sido presidente e Bill Clinton pelas políticas de conservação. A quinta espécie recebeu o nome de um vice-presidente, Al Gore, pelo famoso trabalho ambiental e por ser nativo de Tennessee, tal como a espécie descoberta.

Fonte: Nuno Leitão/Guardian

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Notícia - Acrobacias da Baleia-azul para atacar as presas



As baleias azuis realizam uma série de manobras para atacarem o zooplâncton de surpresa, rodopiando 360º.

Os investigadores do Cascadia Research Collective descobriram que a Baleia-azul faz acrobacias para atacar as presas. Estas baleias engolem 100 toneladas de água em 10 segundos por sucção para se alimentarem do plâncton. Neste trabalho verificaram que estes grandes mamíferos fazem manobras acrobáticas para ganharem direcção e realizar ataques surpresa, rodopiando 360º no ataque.

Estas baleias alimentam-se maioritariamente de Krill, pequenos crustáceos que fazem parte do zooplâncton. Este krill têm respostas para escapar , pelo que as baleias adoptam estratégias de captura que correspondem às acrobacias agora analisadas.

As baleias, depois de se posicionarem com as suas manobras para uma posição surpresa, atacam por baixo as plataformas de plâncton rodopiando e abrindo a boca quando estão a cerca de 180º. terminando com a volta de 360ª, quando ficam novamente na horizontal e preparadas para o ataque seguinte.  

Fonte: Nuno Leitão/BBC