Páginas

terça-feira, 3 de abril de 2018

Notícia - A Associação Portuguesa de Gemologia quer dignificar a arte das pedras preciosas

Os amantes das gemas podem a partir de hoje inscrever-se na primeira associação nacional de pedras preciosas. A Associação Portuguesa de Gemologia (APG), criada por José Baptista, quer tornar a ourivesaria portuguesa numa referência mundial, fazer parcerias com os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOPS) para a prospecção e investigação das jazidas desses países, e dignificar a arte.

“Os portugueses têm de voltar a ser uma referência mundial, sobretudo na arte da lapidação e nas artes e técnicas usadas nas ourivesarias, tais como os esmaltes”, disse José baptista em comunicado. O especialista de 60 anos herdou um negócio com décadas de experiência em pedras preciosas e gemas e quer com a APG tornar o sector mais credível a nível profissional e científico.

A associação quer trazer mais conhecimento e matéria de trabalho a todos os gemólogos, ourives, joalheiros, escolhas de arte e de desenho. “Um dos grandes objectivos da APG é fazer parcerias e assinar protocolos e convénios com as instituições dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) ligadas à prospecção das jazidas de pedras preciosas”, disse o especialista.

Com esta aposta, José Baptista visa explorar as riquezas mineiras destes países, investigar e expor as gemas extraídas. “Queremos internacionalizar a associação e o instituto, formando pessoas dos PALOP na área da Gemologia”, referiu.

A APG também tem projectos a nível da criação de cursos e formação profissional, e do funcionamento de um laboratório e de uma biblioteca, ou seja quer apostar na investigação científica. Globalmente, há um esforço para “acabar com o preconceito e a desinformação que fazem com que as lojas sejam muitas vezes vistas como lugares de luxo”, explicou o gemólogo.

A apresentação oficial da associação vai ser a 31 de Janeiro, às 16h00, na Sala Fernando Pessoa do CCB, em Lisboa. Vão ser realizadas duas palestras com os temas “Esmaltes – um olhar sobre algumas peças de ourivesaria do Museu de Alberto Sampaio” e Arte Nova e os Esmaltes no Museu Calouste Gulbenkian” e “As Jóias e os Esmaltes René Lalique”.

in Público

Notícia - Novo acelerador de partículas do CERN só vai reabrir em Setembro

Só no final de Setembro o novo acelerador de partículas do Laboratório Europeu de Partículas vai recomeçar a funcionar, anunciou ontem a direcção daquele organismo de investigação científica internacional, conhecido como CERN. Até agora, esta previsto que o laboratório recomeçasse a funcionar no início de Julho.

Só no final de Setembro o novo acelerador de partículas do Laboratório Europeu de Partículas vai recomeçar a funcionar, anunciou ontem a direcção daquele organismo de investigação científica internacional, conhecido como CERN. Até agora, esta previsto que o laboratório recomeçasse a funcionar no início de Julho.

As primeiras colisões de partículas subatómicas aceleradas até velocidades muito próximas das da luz só devem acontecer em Outubro, e só haverá resultados dessas primeiras experiências em 2010.

As novas datas resultam de um encontro realizado na semana passada em Chamonix, diz um comunicado do CERN.

A causa do atraso para o reentrada em funcionamento do LHC (sigla em inglês de Grande Acelerador de Hadrões), depois da avaria que obrigou a encerrá-lo, poucos dias após a inauguração, em Setembro de 2008, prende-se “com vários factores” técnicos, que tornam esta data mais realista, diz o comunicado. Muitas prendem-se com o reforço das medidas de protecção da grande máquina subterrânea.
Público

Notícia - Recursos Minerais utilizados na construção de Monumentos e Estatuária na região de Coimbra


Download 1 - Dropbox
Download 2 - Mega
Download 3 - Google Drive
Download 4 - Box

Notícia - Geologia conventual


Embora a dimensão territorial do nosso país seja pequena basta observar superficialmente uma carta geológica de Portugal para, de imediato, se constatar a enorme diversidade dos nossos recursos geológicos. Esta diversidade encontra-se, obviamente, reflectida nas inúmeras produções literárias nacionais e na obra de variadíssimos autores. Não é difícil, assim, enquadrar uma saída de campo a um qualquer local do país numa teia de relações entre a Literatura e a Geologia, sendo esta interdisciplinaridade de particular importância nalgumas situações. É o que sucede entre a a história geológica da região de Sintra-Mafra e a obra de José Saramago, Memorial do Convento. 

Tendo participado numa incursão a Mafra com alunos do ensino secundário (cruzando as disciplinas dePortuguês e de Biologia e Geologia), aqui ficam alguns registos dessa jornada. 

O excerto seguinte relata a história geológica da região onde se insere o Palácio e Convento de Mafra:
"As rochas encontradas na região de Sintra - Mafra reflectem duas fases importantes e distintas da História Geológica da região. Por um lado, testemunham vários episódios sedimentares em que se formaram espessos depósitos calcários, muitas vezes intercalados com níveis margosos ou até areníticos (Jurássico – Cretácico, entre 160 a 90 Ma atrás). Por outro lado, são evidência dos fenómenos magmáticos e vulcânicos que se deram na região por volta dos 100 e 70-80 Ma e que levaram à formação de Filões basálticos ainda hoje observáveis na região de Mafra, e à instalação do Maciço Eruptivo de Sintra, que se encaixou entre formações do Jurássico Superior.
De facto, com base nos tipos litológicos sedimentares, suas características (fácies) e conteúdo fóssil, é possível inferir a paleoecologia da região antes da instalação do Maciço, ou seja, a sequência de ambientes que se sucederam ao longo do tempo e que serviram de base à formação das rochas sedimentares. De seguida será, então, apresentada a síntese geológica da região envolvente , baseada nas rochas que actualmente se encontram na região e parcialmente representadas no edifício do Palácio.
As rochas mais antigas expostas nesta região datam de há cerca de 160 milhões de anos , do Jurássico Superior e depositaram-se em ambiente marinho relativamente profundo, longe da influência dos materiais trazidos do continente emerso. No entanto, até ao início do Cretácico, a profundidade foi diminuindo progressivamente e o ambiente de deposição passou, sucessivamente, a marinho menos profundo, recifal, laguno-marinho, fluvial e lacustre. Testemunho destas alterações são as rochas que se foram formando e encerrando em si informações que nos permitem estas inferências, quer em termos da variação da granularidade dos sedimentos, quer em termos do seu conteúdo fóssil. Durante o Cretácico continuam a verificar-se oscilações do nível do mar e, consequentemente, os ambientes de deposição variaram ciclicamente: marinho mais ou menos profundo, recifal, laguno-marinho e fluvial. É de referir que o ambiente fluvial é mais importante neste Período do que no Jurássico, pois são frequentes e espessas as intercalações de arenitos, conglomerados e argilas com vegetais fossilizados, que traduzem o depósito de material trazido pelos rios e proveniente da erosão continental das rochas dos maciços antigos (granitos, quartzitos, grauvaques, chertes, etc.). Esta evolução dos ambientes de deposição nesta zona (antiga Bacia Lusitânica) foi fortemente condicionada pelas diversas fases de abertura do Oceano Atlântico, o que explica, por isso mesmo, as oscilações do nível de costa no litoral do nosso país.
Durante os Períodos Jurássico (Superior) e Cretácico, o território português encontrava-se a latitudes mais baixas do que as actuais (entre 20 a 30º N), onde o clima era quente e húmido, com alternância de estações menos bem marcada. Aliás, as rochas que datam do Cretácico Superior (Calcários com Rudistas ou Lióses, as mais abundantes no edifício do Convento), são testemunho de um ambiente tropical, com águas quentes, pouco profundas e límpidas, propícios à formação dos chamados "Bancos de Rudistas", aglomerados coloniais destes organismos, com características recifais. Neste Período (há 91-92 MA) verificou-se um novo máximo transgressivo - o Atlântico avançou sobre o continente dando origem a um golfo de pequena profundidade.

Actualmente, a entidade geológica dominante na Região de Sintra é o Maciço Eruptivo de Sintra. Este maciço instalou-se, em grande parte, em profundidade, em períodos de idade que vão desde os 95 a 72 milhões de anos, encaixando-se entre formações do Jurássico Superior e dando origem a uma cintura de rochas metamórficas, os calcários de S. Pedro e os 'Xistos' do Ramalhão.

Nesta região, pode, então, falar-se em duas fases geológicas distintas - um conjunto de episódios sedimentares (Jurássico-Cretácico) e uma fase magmática (instalação do Maciço Eruptivo de Sintra) que modificou, evidentemente, o registo sedimentar existente."

(in Cachão, Silva e Santos, PALEOMEMORIAL DO CONVENTO: O Património Geológico do Palácio e Convento de Mafra, Departamento de Geologia, Faculdade de Ciências, Universidade de Lisboa.) www.cienciaviva.pt/veraocv/geologia/geo2001/paleomemorial.pdf
Escrito por José Salsa