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sábado, 9 de setembro de 2017

Notícia - Formiga ameaça Portugal


Uma espécie de formiga está numa marcha triunfal sobre toda a Europa, ameaçando chegar a Portugal a qualquer momento. A pequena Lasius neglectus já atingiu o estatuto de praga em vários países, chegando mesmo a provocar curto-circuitos em habitações e arrasando jardins inteiros.


Descoberta apenas há 19 anos, em Budapeste, na Hungria, esta espécie tem surpreendido biólogos e investigadores com as suas características que fazem dela uma superpotência do mundo das formigas. 'Quando as vi pela primeira vez, não acreditei que pudessem existir tantas formigas num só jardim', disse Jacobus Boomsma, da Universidade de Copenhaga, que as identificou em 1990.

No primeiro estudo exaustivo sobre a espécie, concluiu-se que a expansão da formiga foi proporcionada pelo homem, através do comércio de plantas. A origem, porém, é ainda desconhecida, suspeitando-se que seja algures na região da Ásia Menor.

'Esta espécie é parecida com a formiga comum do jardim, por isso ninguém fica surpreendido por ver tantas em todo o lado', explicou Jacobus Boomsma, sublinhando que uma das características da Lasius neglectus é poder formar supercolónias dez a cem vezes superior às da formiga comum.

Estas supercolónias atingem centenas até milhares de quilómetros, exterminando as espécies nativas. Também o homem é afectado por este 'problema de dimensão global', conforme refere o relatório, recentemente publicado no ‘PLoS One’. Nos Estados Unidos, só a espécie invasora Formiga Vermelha provoca danos na ordem dos 750 milhões de dólares.

'ESTÁ A CHEGAR A PORTUGAL': Eduardo Sequeira, Biólogo especialista em formigas

Correio da Manhã – Portugal está ameaçado?

Eduardo Sequeira – Está a chegar a Portugal. Mais cedo ou mais tarde. É fácil trazer uma planta com um pedaço de terra com uma rainha fértil. Será uma questão de meses.

– De que forma ameaça o ecossistema e os humanos?

– Eliminando as espécies locais, superando-as em número. Levam a melhor na luta pelo espaço e recursos. Têm impacto a nível de colheitas agrícolas, em especial agricultura biológica.

– Qual é o número de exemplares que cada ninho contém?

– Havendo recursos e espaço é incalculável.

– Quais as principais características desta formiga?

– Alimentam-se de néctar ou seiva de plantas e pequenos insectos. São cooperantes entre colónias. Resistem bem ao frio, apesar de preferirem zonas quentes.

André Pereira

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Notícia - Teias resistentes como aço

O projecto Isis, da Universidade de Oxford, no Reino Unido, está a estudar o segredo da seda produzida por espécies de aranhas nephila. Apesar dos muitos anos de investigação, os cientistas ficaram sempre longe de decifrar a receita que dá origem a uma teia cinco vezes mais resistente do que o aço e três vezes mais elástico do que o nylon.

'É o género de aranha que produz as teias mais fortes, de cor amarelada, capazes até de apanhar pássaros em voo', explicou o biólogo Pedro Cardoso, sublinhando que 'a seda produzida pelas aranhas é objecto de estudo há vários anos, mas até agora nunca se conseguiu reproduzir'.

O laboratório onde está instalado o supermicroscópio Isis pretende ‘fotografar’ as proteínas e os biopolímeros usados no fabrico deste tecido de enormes potencialidades. 'Existem dois problemas. O primeiro, reside logo na própria aranha. Estas espécies são predadoras, com tendência para o canibalismo, e não é possível juntá-las no mesmo espaço como com os bichos da seda. Segundo, não se conhecem exactamente os mecanismos que permitem à seda solidificar de modo a formar fios com as propriedades de resistência e elasticidade desejadas. É a esta questão que o projecto Isis pretende dar resposta', referiu.

As aranhas produzem cerca de sete tipos diferentes de seda, cada uma com a sua estrutura própria de proteínas, capacidade de resistência e aplicação específica. Revelando-se o segredo destas aranhas, os cientistas acreditam que será possível criar um tecido superleve, à prova de bala, com inúmeras utilizações, desde cordas para espeleologia até à Medicina.

Portugal não tem aranhas que possam provocar a morte ao ser humano. 'Venenosas são quase todas, mas nenhuma é perigosa para o Homem. Das cerca de 800 espécies de aranha conhecidas, somente cinco não são venenosas', tranquilizou Pedro Cardoso, várias vezes mordido ao longo de mais de dez anos de trabalho com aranhas: 'A tarântula de Porto Santo é das mais agressivas em Portugal. Algumas mordem, provocam dor. Algumas feridas demoram a passar, mas nada de extraordinário.'

Apesar dos anos de investigação, nenhum cientista foi capaz de decifrar o segredo da teia de aranha. Cinco vezes mais resistente que o aço, as potencialidades são enormes.

ARANHAS NEPHILA

Número de espécies: 25

Onde se encontram: Zonas tropicais. Este género de aranha não existe na Europa.

Tamanho: Chega a atingir os 10 centímetros, mas o corpo da aranha é só de quatro.

É venenosa, mas não representa qualquer perigo para o Homem. Uma picada provoca dor e vermelhidão na zona afectada.


GLÂNDULA TUBULIFORME: Cria a seda destinada aos casulos, onde as aranhas depositam os ovos

GLÂNDULA ACINIFORME: Produz os fios necessários para envolver as presas capturadas


GLÂNDULA PIRIFORME: Esta seda funciona como cola às superfícies onde a teia será instalada


GLÂNDULA AMPOLADA PRINCIPAL: Seda utilizada na estrutura da teia e o fio de segurança


GLÂNDULA AMPOLADA SECUNDÁRIA: Produz os fios da espiral secundária


GLÂNDULA FLAGELIFORME: Fio de seda destinado à captura da presas


GLÂNDULAS AGREGADAS: Produz uma solução pegajosa que ‘prende’ a presa à teia

André Pereira

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Notícia - Um canivete suíço à escala da célula

Numa célula, o ADN/DNA (ácido desoxirribonucleico) - presente, fundamentalmente, no núcleo - determina os parâmetros segundo os quais ela se vai reproduzir. "Podemos dizer que está para a reprodução celular, como a planta do arquitecto para a construção de uma casa", explica Cecília Arraiano, coordenadora do Laboratório de Controlo de Expressão Génica do Instituto de Tecnologia Química e Biológica (ITQB) da Universidade Nova de Lisboa.

Um grupo de trabalho do ITQB, dirigido por esta investigadora acaba de publicar um artigo na edição online da revista 'Nature Structural and Molecular Biology' expondo uma nova descoberta.

Esta tem a ver com o ARN/RNA (ácido ribonucleico). As respectivas moléculas existem em toda a célula (núcleo, citoplasma, organelos, etc) e, dentro da mesma analogia, vão funcionar como os diversos executores da obra da 'casa celular' (cujos 'tijolos' serão as proteínas e os aminoácidos). Para que tudo funcione de acordo com o plano, há 'fiscais da obra' que são as ribonucleases. Estas enzimas actuam a diversos níveis, exercendo um controlo apertado sobre a quantidade e a qualidade de moléculas de ARN/RNA.

Sabia-se já, até por um trabalho publicado há dois anos na revista britânica 'Nature' por uma outra equipa do ITQB com a mesma coordenação, que o exossoma (complexo de proteínas), assumia um papel fulcral neste processo de controlo, actuando, quando necessário, como 'assassino molecular'. O que agora se descobriu foi a função desempenhada por uma zona, até agora mal compreendida, desta substância.

Observando o exossoma de células de leveduras (cujo metabolismo do ARN/RNA é semelhante ao das células humanas) esta equipa verificou que o mecanismo de degradação é muito mais sofisticado do que se pensava. Assim, além de fazer o que já se sabia, ou seja, 'segurar' e degradar as moléculas de ARN/RNA a partir das pontas, também as 'corta' internamente, à maneira de uma tesoura molecular.

Ou seja, revela-se, no dizer de Cecília Arraiano, "um mecanismo versátil de degradação", com várias funções, "à maneira de um canivete suíço" em que cada lâmina tem uma função específica.

As aplicações são 'enormes', uma vez que abrem a possibilidade de combater doenças de origem genética, não pela modificação física do genoma humano mas mediante o silenciamento da expressão de certos genes, por exemplo, os que podem causar doenças graves. "É como impedir que um aparelho funcione, não o removendo mas desligando-lhe as fichas ou os cabos da corrente eléctrica".

O trabalho agora publicado envolveu, também, as investigadoras do ITQB Ana Barbas e Filipa Pereira Reis, bem como colegas da universidade norte-americana de Houston.
Rui Cardoso

domingo, 3 de setembro de 2017

Notícia - Açores: monte submarino Condor vedado à pesca para permitir investigação científica


O monte submarino Condor, um dos mais importantes bancos de pesca dos Açores, está vedado a toda a actividade pesqueira durante dois anos para permitir a realização de um importante projecto de investigação científica.
A iniciativa do Departamento de Oceanografia e Pescas (DOP) da Universidade dos Açores pretende criar um observatório para o estudo a longo prazo e monitorização dos ecossistemas dos montes submarinos nos mares do arquipélago.

“Os bancos e montes submarinos suportam uma elevada densidade biológica, mas o conhecimento da sua biodiversidade ainda é diminuto”, frisou Gui Menezes, investigador do DOP. Este desconhecimento resulta do facto de apenas terem sido estudados até agora cerca de 200 dos 100 mil montes submarinos que se estima existirem em todo o mundo.

Para conhecer melhor o Condor, este banco submarino foi fechado a toda a actividade pesqueira a 1 de Junho e assim se manterá durante dois anos para permitir o trabalho dos investigadores, num projecto em que o DOP tem como parceiros o Instituto Nacional de Investigação das Pescas e do Mar (IPIMAR) e o Instituto de Recursos Marinhos da Noruega.

No mar dos Açores, os montes submarinos são estruturas muito comuns, onde se estima que existam 63 grandes montes submarinos e 398 pequenos montes ou estruturas afins.

“Nos Açores, cerca 60 por cento das pescas demersais e de profundidade são efectuadas em montes submarinos”, frisou Gui Menezes, para quem estes ecossistemas marinhos são “de extrema importância, tanto ao nível biológico como económico”.

Com a área fechada à pesca, os cientistas vão instalar vários equipamentos científicos e realizar campanhas de investigação que permitirão recolher dados sobre questões como a variabilidade espacial e temporal nas abundâncias de organismos, a recuperação do impacto das pescas e as migrações de algumas espécies.

Em Julho está prevista uma campanha de recolha de organismos na coluna de água e a colocação de uma sonda para a recolha permanente de imagens.

“O que se passar no Condor vai dar indicadores muito importantes para a gestão pesqueira”, frisou Gui Menezes, admitindo que, no final do projecto, “é natural que se observem algumas alterações na abundância das espécies”. Por isso, admitiu que esta medida de encerramento de um banco de pescas poderá vir a ser aplicada noutros locais.

O monte submarino Condor está localizado a 18,5 quilómetros a sudoeste do Faial, a uma profundidade que varia entre 180 e 1000 metros. Aos 800 metros de profundidade tem 26 quilómetros de extensão e 7,4 quilómetros de largura.

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Notícia - Águia com prótese no bico

Um dentista norte-americano colocou uma prótese no bico partido de uma águia.

A ave foi encontrada em Dezembro passado com a parte superior do bico partida e Kirk Johnson conseguiu colocar uma prótese feita com o mesmo material de que são feitas as coroas dentárias.

Em reportagem da emissora KTUU, o dentista sublinhou que, apesar de estar a recuperar bem, muito dificilmente a águia poderá voltar à vida selvagem.