sexta-feira, 31 de julho de 2015
quarta-feira, 29 de julho de 2015
segunda-feira, 27 de julho de 2015
Notícia - Mutualismo, cooperação ou oportunismo?
Organismos de grupos muito distintos estabelecem por vezes relações complexas entre si, nalguns casos de total interdependência. As formas de cooperação, pelo menos aparente, são dos resultados mais fascinantes da evolução da vida.
No mundo natural, quase todos os seres vivem embrenhados numa complexa teia de relações que se estabelecem entre representantes dos diferentes grupos taxonómicos. As relações de predador-presa, herbívoro-planta e de parasita-hospedeiro, são um exemplo disso mesmo. Em todos estes casos, há uma característica em comum: entre os parceiros destas relações existe uma pressão selectiva comum, mas em sentidos opostos. Ou seja, à pressão imposta pelos predadores, herbívoros e parasitas, sobre as presas, as plantas e os hospedeiros, estes últimos respondem com uma contra adaptação para evitar a pressão.
Pelo contrário, no caso das relações mutualísticas, ambos os parceiros beneficiam das pressões selectivas recíprocas, através de um processo que se designa por co-evolução. O que na prática quer dizer que se ajudam mutuamente. Dentro do mutualismo existem muitas modalidades diferentes, mas o factor comum que conduziu os diferentes organismos a evoluir neste sentido permanece ainda por explicar. Na verdade, verifica-se que muitas relações mutualísticas são mais explorações recíprocas, do que esforços cooperativos entre indivíduos.
Em todo o caso, este tipo de relação atrai de forma particular a atenção dos humanos, que facilmente encontram aqui uma analogia com sentimentos como a amizade ou o altruísmo. Mesmo assim se nos debruçarmos mais profundamente sobre o paralelo, as conclusões sobre o porquê da amizade poderiam ser também algo desconcertantes: será que amizade é motivada por questões de altruísmo ou de egoísmo? Afinal, se calhar até as próprias relações entre as pessoas se podem arrumar, pelo menos de forma metafórica, dentro das categorias: predação, parasitismo e mutualismo…
O mutualismo pode, ser ou não simbiótico e pode ser facultativo ou obrigatório. O mutualismo simbiótico, ou simplesmente simbiose, é aquele em que ambos os organismos vivem juntos numa associação física muito próxima e em que pelo menos um deles não poderia viver independente do outro. A simbiose é por isso sempre um caso de mutualismo obrigatório.
Na verdade, apesar das relações de simbiose existirem um pouco por todo o lado, na sua maioria não são nada óbvias, e muitas vezes utiliza-se essa designação (simbiose) de forma abusiva para outros tipos de mutualismo. As relações entre organismos simbiontes são por vezes tão profundas que chega a ser difícil distingui-los. Um exemplo disso é uma associação de algas e fungos que constitui os líquenes. Também no coral, os Celenterados associam-se a algas que lhes fornecem mais de 80% da energia de que necessitam, em troca da retenção de nutrientes essenciais que provêm da sua habilidade em capturar o zooplancton em suspensão no Oceano. Nas raízes de muitas plantas, que vivem em solos pobres, estabelecem-se relações simbióticas com fungos, que em troca da energia fotossintética fornecida pelas plantas fornecem nutrientes minerais que captam do solo.
O mutualismo obrigatório não simbiótico é um tipo de mutualismo mais frequente do que o anterior. Neste caso, os intervenientes dependem um do outro para sobreviver mas não vivem fisicamente tão próximos. A polinização de flores e a dispersão de sementes está em alguns casos absolutamente dependente de um agente, que pode ser um insecto, uma ave, ou outro animal, que dependa desse recurso, néctar, pólen ou fruto, para sobreviver. Também algumas espécies de formigas vivem dentro dos troncos de árvores, que para alem de abrigo, lhes fornecem alimento através de substâncias açucarinas que segregam, em troca de protecção contra insectos desfolhadores. Também as térmitas da savana africana criam fungos dentro dos seus ninhos, que lá encontram as características indispensáveis para se desenvolverem e que lhes degradam parcialmente o alimento.
O mutualismo facultativo ou oportunista não só é o mais frequente, como provavelmente o mais visível de todos os tipos de mutualismo, já que opera em maior escala ao nível dos animais vertebrados.
Para muitas plantas, apesar de não ser a única forma de se reproduzirem, a ajuda prestada por alguns animais torna-se preciosa e em troca fornecem-lhes alimento. Noutros casos, como em alguma orquídeas de florestas tropicais, as flores não fornecem qualquer alimento aos machos das abelhas que as polinizam. Em vez disso, os machos encontram no interior das flores fragrâncias segregadas por células específicas, que utilizam para desenvolver as suas próprias feromonas para atrair as fêmeas. Como essas abelhas visitam orquídeas de diferentes espécies, estas estão adaptadas de forma a que o pólen se deposite numa parte específica do corpo da abelha, de forma a esta poder visitar muitas outras flores sem que o pólen se perca e para, quando vários dias ou semanas mais tarde entrar uma flor da mesma espécie, poder cumprir o seu papel.
Ao nível da dispersão das sementes, as relações mutualísticas entre animais e plantas desempenham também um papel preponderante. Muitas espécies de plantas evoluíram no sentido de produzirem frutos com cores coloridas, odor intenso e um valor nutritivo elevado. Dentro destes frutos existem sementes pequenas, que podem atravessar o tubo digestivo dos animais sem se degradarem. Desta forma, essas plantas convidam diferentes animais a ingerirem os seus frutos e sementes, por forma a excretarem mais tarde as sementes num outro local.
Para além das relações entre animais e plantas, mais raramente também se estabelecem relações entre animais, como algumas aves que catam parasitas em cima de grandes mamíferos. Um outro caso muito curioso disso mesmo, é a cooperação entre uma ave da mesma Ordem dos pica-paus, o Indicador e uma espécie de texugo que habita em África. Estas aves têm a capacidade de encontrar colmeias de abelhas, mas dificilmente consegue extrai-las das cavidades em que se encontram. Por isso, atraem um texugo que com as suas garras afiadas consegue fazer o trabalho. O texugo come o mel e o Indicador ingere as larvas e a cera de que é feito o ninho. Curiosamente, a capacidade para digerir a cera depende, também ela, da existência de bactérias simbiontes no intestino da ave, que lhe fornecem as enzimas necessárias para a digestão. Na ausência de texugos, os indicadores estabelecem esta relação com humanos que também procuram o mel.
O limite entre as relações mutualísticas e outras de outro tipo nem sempre é claro. Será que os tubarões beneficiam de alguma forma da presença das rémoras que os seguem para ingerir os restos de alimento por si deixados? Se lhes fosse absolutamente indiferente seria uma relação de comensalismo. Mas em alguns casos, as fronteiras são tão ténues que pode mesmo ser difícil de distinguir algumas formas de parasitismo de outras de mutualismo. De certa forma, o mutualismo é por vezes um caso de parasitismo recíproco.
A complexidade das relações entre os diferentes seres vivos faz com que, apesar de muito se investigar nesta área da ecologia, como nas demais ciências, o aprofundar dos conhecimentos conduza a um refinar de conceitos que mesmo assim ficarão sempre aquém da complexidade da realidade.
Alexandre Vaz
sábado, 25 de julho de 2015
Notícia - Zebras têm riscas pretas e brancas para se protegerem de picadelas de insectos
Investigadores húngaros e suecos defendem que as zebras desenvolveram riscas pretas e brancas como estratégia para afastar os insectos que lhe sugam o sangue e transmitem doenças, revela um estudo publicado no Journal of Experimental Biology.
Descobrir por que razão as zebras têm riscas tem sido um mistério para a ciência. Uma equipa de investigadores defende nesta quinta-feira que este padrão é o menos atractivo para as vorazes moscas da família Tabanidae. As picadelas dolorosas destes insectos, que chegam a impedir as zebras de se alimentar, são responsáveis pela transmissão de várias doenças.
Num campo da Hungria rural, perto de Budapeste, a equipa de Susanne Åkesson, da Universidade de Lund, na Suécia, criou quatro modelos de cavalos, cada um pintado de castanho, preto, branco e com riscas pretas e brancas. “Pusemos uma cola especial nos modelos e depois contámos o número de moscas atraídas por cada um”, disse hoje Åkesson à BBC. O cartaz com riscas foi aquele que atraiu menos moscas.
Os investigadores baseiam o seu estudo na forma como a luz é reflectida nos animais e chega aos olhos dos insectos. De acordo com o húngaro Gábor Horváth - outro autor do estudo, da Universidade Eötvös -, as moscas são atraídas por ondas de luz plana, que viajam na horizontal, fazendo lembrar o movimento de uma serpente ondulante que se desloca rente ao solo. Isto acontece porque a luz é reflectida na água na horizontal e estes insectos são aquáticos. Estas moscas que tanto afligem as zebras usam esta preferência pelas ondas de luz polarizadas na horizontal para identificar zonas de água onde possam acasalar e pôr os ovos.
Nas zebras, as riscas são verticais e a luz é reflectida de maneira diferente. “Concluímos que as zebras desenvolveram uma pelagem com padrão de riscas finas para garantir que são o menos atractivas possível para as moscas da família Tabanidae”, escreve a equipa no site do Journal of Experimental Biology.
O biólogo evolutivo da Universidade de Manchester Matthew Cobb disse à BBC que a experiência é “rigorosa e fascinante”, mas não exclui outras hipóteses sobre a origem das riscas nas zebras. “Acima de tudo, para esta explicação ser verdadeira, os autores teriam de ter mostrado que as picadelas de mosca são uma verdadeira pressão evolutiva para as zebras, mas não para os cavalos e burros, já que nenhum deles tem riscas”, acrescentou.
“Eles reconhecem isso no seu estudo e o meu palpite é que não há uma explicação única e que são vários os factores envolvidos nas riscas das zebras”, acrescenta Cobb.
terça-feira, 21 de julho de 2015
Notícia - Fóssil pode ajudar a explicar a origem das pinças dos escorpiões

O Schinderhannes bartelsi foi encontrado fossilizado numa ardósia extraída de uma mina perto da localidade de Bundenbach, na Alemanha. A zona, denominada Hunsrück Slates, é conhecida por ter fornecido ao mundo diversas pistas sobre a evolução dos artrópodes.
“O espécimen é o único exemplo conhecido desta invulgar criatura”, disse o investigador da Universidade de Yale, Derek Briggs, autor do artigo na prestigiada revista científica.
Com esta descoberta, os cientistas ficam mais próximos de perceber a origem das duplas quelíceras (apêndices articulados que estão ao lado da boca e servem para apanhar as presas) que se podem encontrar nas cabeças dos escorpiões e dos caranguejos-ferradura – animal no qual foi inspirado o desenho do Pavilhão Atlântico em Lisboa. Estas quelíceras podem ser equivalentes às encontradas em criaturas que supostamente se terão extinguido cem milhões anos antes do Schinderhannes bartelsi.
A secção da cabeça do fóssil tem grandes olhos salientes, uma abertura de boca circular e um par de apêndices cobertos de espinhos. O tronco é composto por 12 segmentos e o corpo termina numa cauda em forma de espigão. Entre a cabeça e o tronco existem duas extremidades triangulares, com a forma de asa – que supostamente ajudariam a criatura a nadar, da mesma forma como os pinguins fazem, refere Briggs. O Schinderhannes bartelsi mede cerca de 10 centímetros, ao contrário dos seus antepassados que quase atingiriam um metro de comprimento.
“Infelizmente a mina de onde foi retirado este fabuloso material está fechada por razões económicas, e assim os únicos especímes adicionais que vão aparecer estão já nas mãos de coleccionadores, que podem não estar devidamente preparados ou conscientes do que [os espécimes] representam”, lamentou Briggs.
Público
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