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segunda-feira, 29 de junho de 2015

Notícia - Descoberta de peixe grávida ajuda a perceber a origem do sexo nos vertebrados

O Museu de História Natural de Londres tinha uma gravidez escondida dentro de um fóssil de um peixe com 380 milhões de anos. Uma fêmea da espécie Incisoscutum ritchiei carregava dentro do útero um pequeno peixe com cinco centímetros.

Até agora pensava-se que o embrião tinha sido a última refeição do fóssil, mas o investigador australiano John Long acabou por descobrir que se tratava de uma gravidez, dando mais pistas para compreender o início da fertilização interna nos vertebrados. A descoberta foi publicada hoje na revista “Nature”.

Antes dos répteis e dos anfíbios a vida agitada dos vertebrados estava cingida aos oceanos. O fóssil pertence ao grupo dos placodermos, peixes que existiram até ao final do período geológico do Devónico, que terminou há 360 milhões de anos.

“Este peixe mostra algumas das evidências mais antigas da reprodução interna”, disse à BBC News Zerina Johanson do Museu de História Natural. “Esperávamos que mostrasse um tipo de reprodução mais primitiva, onde os espermatozóides fecundassem os óvulos na água e o desenvolvimento dos embriões ocorresse externamente”, acrescentou.

Em Maio de 2008, John Long já tinha descoberto um fóssil de uma fêmea de outra espécie de placodermes com o cordão umbilical ligado a outro peixe, dando provas de reprodução interna. Os dois fósseis são provenientes da formação geológica Gogo da região Oeste da Austrália e viveram mais ou menos na mesma altura.

Apesar da penetração ser essencial para a fecundação e desenvolvimento dos mamíferos e répteis, em muitos anfíbios e peixes a fertilização dos óvulos dá-se externamente. Há excepções como nos tubarões e nas raias em que a reprodução é interna. Os autores do artigo explicam que o Incisoscutum ritchiei tem a barbatana pélvica, situada no ventre, modificada e defendem no artigo que a estrutura seria utilizada pelo macho para agarrar a fêmea durante a fecundação – existe um órgão semelhante nos tubarões dos nossos dias.

A antiga barbatana funciona como “órgão eréctil intermitente que seria inserido dentro da fêmea para transferir o esperma”, disse Long. “Nesta espécie [este órgão] é mais flexível e no artigo da 'Nature' sugerimos que este é o princípio da fertilização eréctil masculina, porque parte do órgão é formado por cartilagem menos dura”, explicou o paleontólogo citado pela BBC News.


Nicolau Ferreira

sábado, 27 de junho de 2015

Notícia - Era uma vez Ida, a maior descoberta de todos os tempos...


Nem o Google escapou à histeria. Quinta-feira de manhã, o logótipo da empresa tinha-se transformado numa paisagem do Eocénico com o mais recente "elo perdido" da evolução humana estampado no centro.

Ida ou Darwinius masillae - para celebrar os 200 anos do nascimento de Charles Darwin -, o fóssil de uma primata com 47 milhões de anos, tinha sido dada a conhecer ao mundo no dia anterior, a 19 de Maio, e veio embrulhada num pacote irresistível, com o laçarote "a oitava maravilha do mundo" ou "a Mona Lisa" de Oslo, à escolha do freguês. Nessa quarta-feira o estudo foi publicado na revista científica online "Public Library of Science One" (PLoS One), ao mesmo tempo que em muitas redacções do mundo algum jornalista ou editor recebia um comunicado de imprensa intitulado The link.

Poucos órgãos de comunicação sabiam o que estava para acontecer. O comunicado da PLoS One explicava que aquela informação era "para publicação imediata, não há embargo associado a este artigo", por isso os jornais estavam livres para publicar a notícia quando quisessem. Resultado, a descoberta tem 763 ligações no Google Notícias UK e 62 no português. No mesmo dia o fóssil foi apresentado numa exposição em Nova Iorque pelo mayor da cidade. Foi também disponibilizado um site, lançado um livro e a BBC e o Canal História, que seguiram os vários passos da pesquisa do fóssil, tinham documentários televisivos prontos para serem apresentados. Era difícil conseguir mais imediatismo à volta do fóssil, mas a máquina que lançou Ida pôs ainda David Attenborough à frente do esqueleto. "Ela representa a semente de onde vieram a diversidade dos macacos, os macacos antropóides e em última análise todas as pessoas do planeta", disse o famoso comunicador de ciência britânico ao jornal "Guardian", que já tinha preparado duas páginas de jornal para contar toda a história.

Ida teve um pontapé de saída explosivo, dirigido com ângulo certo para ser apanhado por todos os meios de comunicação. "A ciência já está muito permeável às técnicas jornalísticas", esclareceu ao P2 Helena Mendonça, jornalista e bolseira da Fundação para a Ciência e Tecnologia, apontando como exemplo a técnica do lead - o primeiro parágrafo com que os artigos no jornalismo arrancam, onde se responde ao quê, quando, como, onde e porquê da notícia - que já é utilizada em todos os comunicados na ciência.

A crítica principal feita aos autores foi a forma como apresentaram Ida ao público, transmitindo a ideia de que as ossadas eram a maior descoberta de sempre de um elo perdido e que iriam revolucionar tudo o que se sabia até aqui sobre a evolução do Homem, o que estava bastante distante da informação patente no artigo científico. Se mais nada fosse dito, e se ninguém estivesse atento, Darwinius masillae ficava na História como nosso antepassado directo com 47 milhões de anos, na altura em que os primatas ainda se estavam a diversificar.

Só por si Ida é impressionante. Está preservada em 95 por cento, raríssimo se olharmos para outros fósseis de primatas da mesma altura que chegam às nossas mãos só com uma mandíbula ou outro osso. A primata teria nove meses quando caiu no lago Messel, que fica na região que hoje é a Alemanha, quando a Terra tinha um clima mais quente, com florestas tropicais a alcançarem a latitude actual do Sul de França e florestas temperadas a tocarem nos pólos, uma verdadeira estufa - foi na época do Eocénico, há 56 a 34 milhões de anos.

O lago Messel manteve a primata preservada em sedimentos finos. Quando em 1983 um coleccionador privado encontrou as ossadas na cova de Messel - que é Património da Humanidade classificada pela UNESCO devido aos inúmeros fósseis desta época que guarda em condições extraordinárias -, não só era possível ver o contorno dos pêlos da primata, alguns até estavam conservados, como a última refeição vegetariana ainda não tinha sido comida pelo tempo.

O fóssil teve uma vida atribulada até 2002. As ossadas foram divididas em duas metades, tendo uma sido restaurada e vendida como se estivesse completa. Em 1991, o Dinosaur Center at Thermopolis, no Wyoming, EUA, adquiriu-a. Mas em 2000, Jens Franzen, primeiro autor do novo artigo sobre Ida, estudou e compreendeu que o restauro era um logro, só com uma pequena parte verdadeira. A outra metade, que era maior, foi adquirida só há dois anos pelo Museu de Oslo, numa bem sucedida aventura de Jorn Hurum, o show man norueguês da paleontologia, grande responsável pela exposição mediática de Ida.

"O meu coração começou a bater muito depressa", disse o investigador do Museu de Oslo aos jornalistas há duas semanas, referindo-se à compra do fóssil. "Eu sabia que o vendedor tinha nas mãos um acontecimento mundial. Não consegui dormir durante duas noites." Há poucos dias, Hurum revelou que adquiriu a segunda parte do fóssil por mais de 500 mil euros. Depois, o paleontólogo contactou vários investigadores para analisar o fóssil.

Mas antes de reunir aquilo que chamou a sua "equipa de sonho", o norueguês apresentou Ida a Anthony Geffen, o director executivo da Atlantic Productions, uma produtora sedeada em Londres. Os dois já estavam envolvidos num programa sobre o Predador X - o fóssil de um réptil e carnívoro aquático do tempo dos dinossauros que Hurum estava a investigar. O monstro foi dado a conhecer em Março, na mesma altura em que o documentário foi exibido pelo Canal História, com a frase-anúncio "Faz o Tyranossaurus rex parecer um cachorrinho".

Geffen ficou imediatamente interessado em Ida. "Na realidade, é raro alguém que faz televisão compreender a importância de um pequeno animal com o tamanho de um gato", explicou o norueguês à revista "Seed". Durante dois anos, enquanto a investigação sobre o fóssil prosseguiu, a campanha mediática foi crescendo.

"É provável que pudesse ter sido publicada uma pesquisa mais detalhada", disse por email ao P2 o paleontólogo Christophe Soligo, referindo-se ao resultado dos dois anos de estudo de Ida. "E pelo menos um dos autores (Phil Gingerich) parece admitir que estiveram sob pressão para coordenar o artigo com os planos de publicidade", referiu o investigador do London College.

O artigo científico publicado na PLoS One foi comparar várias características entre as novas ossadas e os esqueletos de primatas da mesma época. O Darwinius masillae pertence aos adapiformes, um grupo de primatas extinto que se pensa estar mais próximo dos primatas inferiores como os lémures e mais distante dos grupos de primatas superiores que incluem os társios e os verdadeiros símios - macacos dos velho e novo mundo, antropóides e o Homem.

Mas Ida, que não tem mais do que 66 centímetros de comprimento, apresenta características que a afastam dos lémures e aproximam-na dos macacos superiores: não tem uma garra no segundo dedo do pé, nem dentes fundidos, os polegares dos pés são oponíveis e já apresenta o talus, um osso do tornozelo que aparece mais desenvolvido nos humanos. Estas características dão força a uma teoria que defende que os adapiformes estão incluídos no ramo que deu origem aos primatas superiores, levemente sustentada pelo artigo.

"Isto não é uma hipótese nova", explica Christophe Soligo. "Os Cercamoniinae (a subfamília dos adapiformes a que Darwinius pertence) tem sido durante muito tempo um dos grupos dos primatas do Eocénico que se teoriza ter estado na origem da evolução dos antropóides, apesar de esta hipótese se ter tornado menos popular nos últimos anos."


Embora haja no meio científico quem considere que o estudo tem lacunas quanto ao número de características que se compararam entre Ida e os outros fósseis, tanto o paleontólogo como Adam Rutherford, jornalista da "Nature" que escreveu um artigo de opinião a criticar a campanha mediática, defendem que o estudo apresentado na PLoS One é cauteloso.

"Houve coisas ditas sobre Ida que não estavam no artigo, que sofreu peer review [o processo de revisão dos artigos que é feito por outros especialistas na área e é fundamental no processo de produção científica]: quando dito pelos media, isso é mau jornalismo. Quando dito pelos cientistas, isso é perigoso e desrespeita o processo de revisão", explicou ao P2 por email o jornalista, que também edita os podcasts da Nature.

"O que neste caso parece ser paradigmático", aponta por outro lado Helena Mendonça, "é que fez-se o artigo o melhor possível, mas agora para a imprensa vai-se tornar isto numa grande bomba", refere a jornalista, que está a tirar o doutoramento sobre a relação entre o jornalismo e a ciência.

Em resposta a acusações parecidas, Jorn Hurum atenuou o significado do elo perdido. "Nós não estamos a alegar que [a Ida] é o nosso ancestral directo. Isso é de mais. Nós só existimos há poucos milhões de anos e a Ida esteve viva há 47 milhões de anos." Mas o cientista assume o espectáculo, que aliás, já tinha sido utilizado no Predador X, que segundo o paleontólogo é a melhor forma de pôr os miúdos interessados em paleontologia. "Qualquer banda pop ou atleta faz o mesmo tipo de coisas. Nós, na ciência, temos que começar a pensar da mesma forma", disse, citado pela "Times Online".

O norueguês defende ainda que o público deve ser o principal crítico da ciência, justificando desta forma a escolha da PLoS para publicar o artigo em detrimento de uma Nature ou Science, mais reputadas, mas com acesso limitado a assinantes ou a quem queira pagar pelo artigo, o que não acontece com a PLoS One que tem os conteúdos disponíveis gratuitamente.

"É difícil porque não há público que possa legitimar uma coisa destas", referiu Helena Mendonça em relação a esta posição do norueguês. "Nem acredito que outros antropólogos cá [em Portugal] possam olhar para o artigo e dizer que 'é verdade' ou 'não' o facto do elo perdido. Quem somos nós para dizer que isto é mau, no máximo poder-se-á dizer 'isto cheira mal'."

Rutherford põe no factor tempo a decisão final sobre o que representa o fóssil Ida. "Com o tempo, vamos compreender o que Ida é na realidade, e isso vai ser feito por cientistas motivados não por horários televisivos ou vendas de livros, mas pela procura do conhecimento, puro e simples", defendeu o jornalista, que apontou os blogues - e não os meios de comunicação tradicionais - como os locais de informação onde "mais uma vez" saíram as melhores notícias sobre o assunto.

"O problema com a apresentação da Ida é que foi demasiado grande em magnitude", desabafou o jornalista. "Algumas das declarações feitas pela equipa foram um absurdo, como compará-la à ida à Lua, à Mona Lisa ou ao Cálice Sagrado. Ela não é nada disso, mas é um fóssil verdadeiramente notável. Pessoalmente, acho que ela não precisa de nenhuma hipérbole, porque é impressionante."

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Notícia - Gigantescos...mas leves


Os maiores animais que já andaram sobre a superfície terrestre podem não ter sido tão grandes quanto se imaginava. De acordo com um estudo da Universidade do Estado de Colorado, alguns dinossauros teriam menos de metade do peso corporal que estimamos actualmente.

Na pesquisa agora publicada na revista especializada da Sociedade Zoológica de Londres, os cientistas descobriram erros graves nas equações usadas para calcular o peso destes animais. O responsável pelo trabalho, Gary Packar, afirma ter percebido os erros ao reexaminar dados das amostras originais que serviram de referência para a produção do modelo estatístico utilizado há mais de 25 anos para calcular o peso dos dinossauros gigantes e outros animais de dimensões extraordinárias e de linhagens extintas.

Para o cientista, os dinossauros gigantes tiveram, provavelmente, metade do peso daquele em que hoje se acredita. Para chegar a essa conclusão, analisou a chamada amostragem de referência, um método que leva em conta 33 espécies de mamíferos quadrúpedes de diferentes tamanhos, que vão desde um roedor de 47 gramas até um elefante de quatro mil quilos.

O Apatosaurus, por exemplo, um devorador de plantas, considerado um dos maiores dinossauros, com 38 toneladas, teria afinal, de acordo com o novo estudo, 20 toneladas menos. T--Rex, o mais famoso predador da espécie, cujo peso foi estimado até 6,8 toneladas, seria mais leve, o que até facilitaria os seus movimentos a grande velocidade. O simpático mas gigantesco Diplodocus passaria de 5,5 toneladas para 4. Já o Styracosaurus teria 3,3, não 4,2.

"ESTIMAR O PESO É DIFÍCIL" (Octávio Mateus, Paleontólogo)

CM – Os cientistas têm consciência de que exageraram?

Octávio Mateus – A estimativa do peso dos animais fósseis a partir de ossos é difícil, sobretudo nos maiores dinossauros.

– Que implicações traz a correcção?

– Terá implicações na sua biologia, pois altera o que pensamos ser a necessidade alimentar, metabolismo, mecânica da locomoção e até temperatura corporal.

DATAS DA CIÊNCIA

29 de Junho de 1900: Começa a funcionar a Fundação Nobel, entidade administradora dos fundos dos prémios, com sede em Estocolmo. À fundação está confiada a tarefa de gerir as verbas deixadas por Alfred Nobel para premiar anualmente os cientistas.

30 de Junho de 1908: A planície de Tunguska, na Sibéria, foi o cenário de uma gigantesca explosão após uma bola de fogo ter sido vista a atravessar o céu. Não foram encontrados vestígios de meteorito, mas uma onda de impacto devastou todaa região do lago Baikal.

1 de Julho 1914: O engenheiro, físico e inventor inglês Archibald Low, que foi pioneiro na tecnologia de sistemas teleguiados em foguetes, torpedos e aviões, apresenta um aparelho capaz de transmitir imagens à dis-tância, que mais tarde viriaa ser conhecido por televisão.

CM RESPONDE: VAN ALLEN

Para que servem ascinturas de Van Allen? (Jorge Ruivo, Amadora)

As chamadas cinturas de Van Allen são duas regiões em forma de anel formadas por linhas de força do campo magnético terrestre onde as partículas carregadas, principalmente os electrões e os protões, que têm a sua origem no vento solar e nos raios cósmicos vindos do espaço, são aprisionados.

A primeira foi identificada pelo físico americano James Alfred Van Allen, na sequência de experiências levadas a cabo pela nave espacial ‘Explorer I’, em 1958. Essa cintura interior está numa região compreendida entre os mil e os 5 mil quilómetros de altura ea exterior entre os 15 mile os 25 mil quilómetros.

NOTAS

MEDITERRÂNEO:TSUNAMI

Um relatório destaca que a costa doMediterrâneo é mais vulnerável aostsunamis do que o oceano Índico, onde houve mais de 300 mil mortos em 2004.

ALPES:GELO DERRETE

Cientistas suíços anunciaram o resultado de pesquisa de uma década mostrando que as neves eternas dos Alpes estão a desaparecer: 12% do gelo derreteu.

OVOS:PRODUÇÃO DAS GALINHAS

300 ovos é quanto uma galinha põe, por ano, em cativeiro. Em liberdade, não vai além dos 15 ovos anuais.

Mário G

terça-feira, 23 de junho de 2015

Notícia - Descobertas no Alentejo pegadas de elefantes extintos há mais de 30 mil anos

A descoberta - feita por uma equipa científica do Geopark Naturtejo, coordenada pelo paleontólogo Carlos Neto Carvalho - resulta de um projecto de investigação das jazidas paleontológicas existentes ao longo do litoral do sudoeste alentejano e da costa vicentina, entre Porto Covo e Vila Nove de Milfontes.

A equipa de investigadores descobriu “um conjunto de pegadas de grandes e pequenos mamíferos, entre as quais as de um elefante que existiu na Europa, o Elephas antiquus, explicou o especialista Carlos Neto de Carvalho.

“É um elefante próximo do elefante asiático e que se extinguiu há pouco mais de 30 mil anos do continente europeu”, explicou o especialista.

Estes trilhos de pegadas permitem aos investigadores conhecer mais sobre a anatomia destes animais e perceber também o tipo de comportamento e de habitats que povoaram imediatamente antes de se extinguirem.

“Já tinham sido descobertas várias ossadas, inclusivamente em jazidas portuguesas, e agora surge esta informação, que é complementar”, disse, sublinhando que este é o primeiro registo do comportamento social destes animais que se conhece na Europa.

Os vestígios, encontrados entre a região de Porto Covo, no concelho de Sines, e o norte de Vila Nova de Milfontes, no concelho de Odemira, estão distribuídos por um conjunto de locais, em arribas costeiras desta zona do litoral alentejano.

“É um aspecto bastante particular o de que, de todas a regiões em que estudámos as dunas fósseis existentes - desde Porto Covo até Armação de Pêra -, apenas neste local tivemos oportunidade de descobrir estas jazidas com pegadas de grandes herbívoros e mais uma vez de Elephas antiquus”, destacou.

Tendo como prioridade a conservação e a interpretação do património geológico e tendo em conta este “património significativo do ponto de vista paleontológico”, Carlos Neto Carvalho considera que “faz todo o sentido”, não só estudar a relevância destes achados, mas também conservá-los. “Para nós faz todo o sentido, não só estudar do ponto de vista científico a relevância destes achados, mas também conservá-los para a posterioridade e conservá-los para que todas as pessoas tenham acesso a esta informação”, disse.

Para isso, o especialista defende ser fundamental conseguir parceiros para cooperar e possibilitar “um processo de replicação, utilizando tecnologias recentes, que permitem conservar toda a informação científica num espaço que depois poderá ser um centro de interpretação ou um museu local”.

Público

domingo, 21 de junho de 2015

Notícia - Cientistas descobrem os familiares mais antigos dos dinossauros


A nova espécie chama-se Asilisaurus kongwe, viveu há 240 milhões de anos e media pouco mais de um metro de altura. Até agora pensava-se que os dinossauros mais antigos tinham 230 milhões de anos. Pertence ao género Silesaurus, um grupo com características muito semelhantes aos dinossauros.

A equipa, liderada por Sterling Nesbitt, afirma que os Silesaurus e os dinossauros conviveram durante parte do Período Triásico (há 250 e 200 milhões de anos).

Os paleontólogos descobriram fósseis de 14 indivíduos no Sul da Tanzânia, o que lhes permitiu reconstruir um esqueleto quase completo. Ficaram a faltar apenas pequenas partes da cabeça e da pata. Este quadrúpede pesava entre dez e 30 quilos.

A existência deste animal que se alimentava, provavelmente, de carne e de plantas é um indicador da riqueza da fauna antes de os dinossauros dominarem o planeta.

“Esta descoberta permite-nos pensar que os dinossauros eram apenas um dos grandes grupos de animais cuja diversidade explodiu durante o Triásico”, comentou Nesbitt, da Universidade do Texas, em Austin.

Público