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domingo, 17 de janeiro de 2021

Descoberto no Brasil um dos ancestrais mais antigos do T-rex

Uma nova espécie de dinossauro, classificada pelos cientistas como um dos antepassados mais antigos do Tirannosaurus rex, que viveu há cerca de 230 milhões de anos durante a ascensão da era dos dinossauros, foi descoberta no Sul do Brasil.

O Erythrovenator jacuiensis, que os cientistas acreditam ser um trisavô do tiranossauro Rex (T-rex), também era um predador, mas menor, sendo classificado como um dos membros mais primitivos da linhagem dos terópodes, à qual pertencem outras espécies conhecidas, como o Velociraptor.

A descoberta foi obra do paleontólogo brasileiro Rodrigo Temp Müller, da Universidade Federal de Santa Maria, cujo estudo foi publicado recentemente na revista Journal of South American Earth Sciences.

Rodrigo Müller identificou a nova espécie num fémur fossilizado que descobriu em 2017 numa propriedade rural no município de Agudo, no estado brasileiro do Rio Grande do Sul.

“Tínhamos poucos fósseis desse tipo de dinossauro, a maioria bastante fragmentado. Este que descobri é apenas um osso, bastante danificado, mas tem características que só são vistas na linhagem de terópodes”, explicou Müller em declarações à agência de notícias espanhola Efe. “E, dentro dessa linhagem, pertence a um animal que não conhecíamos até agora. Embora seja apenas um osso, é possível ver traços que não tínhamos visto em outros dinossauros”, completou.

O nome científico do Erythrovenator jacuiensis significa “caçador vermelho do rio Jacuí”. Rodrigo Müller disse que lhe deu esse nome por causa da coloração avermelhada do fóssil e por causa do rio que corre próximo ao local onde o fóssil foi descoberto.

Uma análise para identificar o grau de parentesco revelou que o “caçador vermelho” seria um dos dinossauros da família dos terópodes “mais primitivos já descobertos”.

“O [tiranossauro] Rex chegava a 12 metros de comprimento e pesava cerca de dez toneladas. Esse dinossauro era muito pequeno, podia ter cerca de dois metros de comprimento e pesava não muito mais de dez quilos”, disse o investigador. “Isso é muito interessante porque mostra que essa linhagem de dinossauros famosos, como o Tyrannosaurus rex ou o Velociraptor, veio de um grupo de pequenos dinossauros”, acrescentou.

Porém, apesar de seu pequeno tamanho, a nova espécie foi provavelmente um predador extremamente ágil, pois o fémur fossilizado tinha estruturas de fixação musculares bastante desenvolvidas. A descoberta dessa nova espécie ajudará a entender a evolução do grupo ao longo de milhões de anos.

Roberto Müller concluiu dizendo que agora espera continuar com o trabalho de campo e as expedições para encontrar materiais mais completos e reconstituir o quebra-cabeça dos antepassados dos dinossauros.

https://www.publico.pt/2020/12/03/ciencia/noticia/descoberto-brasil-ancestrais-antigos-trex-1941661

domingo, 10 de janeiro de 2021

Descobertos em Moçambique achados dos primeiros vertebrados da idade dos dinossauros

Fósseis dos primeiros animais vertebrados, com cerca de 245 milhões de anos, da era dos dinossauros, foram descobertos em Moçambique, segundo um estudo publicado agora na revista científica sul-africana Palaeontologia Africana, podendo surgir achados de dinossauros.

O português Ricardo Araújo, o autor principal do artigo, anunciou à agência Lusa que a equipa de oito investigadores descreve a descoberta de “várias partes de crânios e esqueletos fragmentados de dicinodontes Lystrosaurus”.

Os achados descobertos na última expedição, ocorrida entre Setembro e Outubro de 2019, foram estudados e agora validados pela comunidade científica, com a publicação do artigo. Os fósseis datam de há cerca de 245 milhões de anos, do período do Triásico, em que começaram a surgir os primeiros dinossauros.

“Com esta descoberta, temos os primeiros vertebrados da história da vida na Terra em Moçambique” desde o início da era dos dinossauros, sublinhou Ricardo Araújo, paleontólogo do Instituto de Plasmas e Fusão Nuclear do Instituto Superior Técnico, em Lisboa. Os achados, acrescentou o investigador, “vão abrir a janela para a descoberta de dinossauros em Moçambique”.

Para o paleontólogo, a descoberta coloca ainda “Moçambique no mapa do estudo sobre a extinção de 95% dos seres vivos existentes no planeta, ocorrida na transição do Pérmico para o Triásico”.

“Na altura em que os ancestrais dos mamíferos viveram estava tudo dizimado e nas rochas onde estes achados foram encontrados há sinais dessa extinção em massa”, explicou.

O artigo científico é ainda assinado pelos norte-americanos James Crowley (Universidade Estadual de Boise, nos EUA) e Kenneth Angielczyk (Museu de História Natural de Chicago, nos EUA), pelos ingleses Roger Smith (Universidade de Witwatersrand, na África do Sul) e Stephen Tolan (Centro de Educação de Vida Selvagem de Chipembele, na Zâmbia) e pelos moçambicanos Dino Milisse (Museu Nacional de Geologia de Moçambique) e João Mugabe (Universidade Eduardo Mondlane, em Moçambique).

Em África, os Lystrosaurus são sobretudo conhecidos na África do Sul.

https://www.publico.pt/2020/12/11/ciencia/noticia/descobertos-mocambique-achados-vertebrados-idade-dinossauros-1942695

domingo, 3 de janeiro de 2021

Icebergue gigante que se soltou da Antártida está agora a fragmentar-se

O icebergue gigante A-68a que anda à deriva no Atlântico Sul está a dividir-se em grandes fragmentos, disse em comunicado o Centro Nacional de Dados sobre Neve e Gelo dos Estados Unidos. Na semana passada já se tinha fragmentado e dado origem ao A-68d, que tem cerca de 144 quilómetros quadrados. Agora, surgem dois novos pedaços: o A-68e com 655 quilómetros quadrados; e o A-68f com 225 quilómetros quadrados.

O icebergue A-68 separou-se da plataforma Larsen C, na Antárctida Ocidental em Julho de 2017, e viajou lentamente para oceano aberto. Na altura, tinha cerca de 5800 quilómetros quadrados, mas três anos depois já “só” tinha 3900 quilómetros quadrados e ameaçava colidir com a Geórgia do Sul, podendo colocar em perigo a sua vida selvagem.

Depois de se ter identificado a fragmentação deste icebergue na semana passada e o surgimento do A-68d, surgem agora novidades. Na terça-feira, dados do satélite Sentinela-1 do programa Copérnico da Comissão Europeia e da Agência Espacial Europeia mostravam que há mais dois fragmentos que se separaram do icebergue, o A-68e e o A-68f. Há uns tempos, já se tinham separado deste icebergue o A68b e o A68c. Agora, o A-68a (o que resta do icebergue original) terá ainda 2600 quilómetros quadrados, de acordo com os cálculos de Laura Gerrish, do British Antarctic Survey (BAS), que é responsável por assuntos do Reino Unido na Antárctida.

“Quase três anos e meio depois de se ter separado da plataforma Larsen C, o icebergue A68a – o quarto maior de que há registo – está finalmente a começar a desintegrar-se”, notou ao site da BBC Adrian Luckman, especialista em glaciologia da Universidade de Swansea, no Reino Unido.

E o que acontecerá a seguir? Embora já mais pequeno, o A-68a continua na rota de colisão da ilha da Geórgia do Sul e poderá ser um obstáculo para a sua vida selvagem. Uma das preocupações tem sido a grande população de pinguins na ilha. Se o icebergue se pode prender ao flanco da ilha e permanecer aí durante dez anos, poderá bloquear a passagem dos pinguins para a água e impedi-los de alimentar os seus filhos.

Em breve, voltaremos a ter mais informações sobre este icebergue ainda gigante. No próximo mês, uma missão científica liderada pelo BAS rumará à Geórgia do Sul para estudar esse bloco de gelo. Nesta missão, usar-se-ão veículos robóticos subaquáticos e instrumentos de amostragem para perceber como é que a massa do icebergue está a influenciar o ambiente envolvente.

https://www.publico.pt/2020/12/24/ciencia/noticia/icebergue-gigante-soltou-antarctida-fragmentarse-1944037

domingo, 29 de novembro de 2020

Já imaginou uma ilha coberta com 50 milhões de caranguejos? O fenómeno está a acontecer na Ilha Christmas

Apesar de parecer um acontecimento saído de um filme, é mesmo real, e típico, nesta época do ano. Trata-se na migração dos caranguejos.

É entre outubro e dezembro que se realiza a migração dos caranguejos vermelhos na Ilha de Christmas, na Austrália.

    

Milhões de caranguejos atravessam a ilha, desde a floresta até ao mar, com o objetivo de se reproduzirem.

Apesar de parecer saído de um filme, o fenómeno é bem real, e comum para os habitantes. A ilha está preparada para esta enchente, tendo já colocado sinalizações em diversas áreas e construído uma ponte para os animais passarem uma estrada.

https://greensavers.sapo.pt/ja-imaginou-uma-ilha-coberta-de-50-milhoes-de-caranguejos-o-fenomeno-esta-a-acontecer-na-ilha-christmas/


terça-feira, 24 de novembro de 2020

Descoberto fóssil de tubarão com 370 milhões de anos que girava os dentes afiados para caçar

Os cientistas acreditam que o tubarão desenvolveu a sua mandíbula rotativa para acomodar o crescimento dos dentes.

Foram descobertos fosseis de um tubarão pré-histórico que habitava as águas circundantes de Marrocos e com base nestes restos mortais uma equipa de cientistas efetuou um estudo, que sugere que este tubarão possuía a terrível habilidade de girar a sua mandíbula, onde uma fileira de dentes afiados era projetava para fora quando a sua boca abria para se alimentar.

De acordo com a Live Science, este tubarão pré-histórico chamado Ferromirum oukherbouchidates viveu há 370 milhões de anos. Era um predador feroz do oceano com um corpo ágil e esguio, tinha um focinho triangular curto com olhos excecionalmente grandes, com órbitas ocupando cerca de 30 por cento do comprimento total da sua caixa craniana.

Num estudo publicado na revista Communications Biology, os cientistas examinaram o crânio e a mandíbula do tubarão pré-histórico utilizando tomografia computadorizada de raios-X (TC) e, em seguida, criaram um modelo 3D para realizar testes físicos.

A maior diferença que os investigadores encontraram entre o F. oukherbouchidates e os seus irmãos modernos foi a sua estrutura dentária única. Os tubarões modernos perdem facilmente qualquer dente desgastado pela sua poderosa mordida e rapidamente um novo dente nasce no mesmo lugar.

Mas as mandíbulas do tubarão pré-histórico eram completamente diferentes. Sempre que o tubarão pré-histórico perdia um dos seus dentes, um novo dente brotava numa fileira na parte interna da mandíbula, ao lado dos dentes mais velhos. Ao nascer o novo dente não crescia para cima, mas curvava-se para dentro em direção à língua do tubarão, essencialmente achatando a sua fileira de dentes quando a sua boca estava fechada.

Quando o tubarão pré-histórico abria a boca, a cartilagem na parte de trás da mandíbula flexionava-se de modo que os lados da mandíbula “dobravam” para baixo e os dentes mais novos e afiados giravam para cima. Isso permitia que o tubarão pré-histórico lançasse uma mordida notavelmente letal na sua presa utilizando o máximo de dentes possível.

Quando a mandíbula do tubarão fechava novamente, a força da sua mandíbula empurraria a água do mar e a sua presa para baixo em direção à garganta enquanto, ao mesmo tempo, os seus novos dentes afiados giravam para dentro para prender a sua presa. Este método de alimentação horrível é conhecido como alimentação por sucção.

O notável movimento do padrão da mandíbula, escreveram os cientistas, era diferente de tudo já encontrado em qualquer peixe vivo até hoje. Esta mandíbula giratória desapareceu à medida que as espécies modernas de tubarão evoluíram, equipadas com um rápido crescimento dentário.

A descoberta deu aos investigadores uma oportunidade chave para entender melhor as funções biológicas da mandíbula nos primeiros condrichthyans, a classe animal que inclui tubarões e raias.

O novo estudo também pode ajudar os cientistas a perceber como essa combinação especializada de movimento da mandíbula e posicionamento dos dentes foi distribuída pela árvore genealógica dos tubarões e descobrir como os agrupamentos de dentes entre as espécies modernas de tubarão evoluíram.

https://greensavers.sapo.pt/descoberto-fossil-de-tubarao-com-370-milhoes-de-anos-que-girava-os-dentes-afiados-para-cacar/