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domingo, 5 de agosto de 2018

Turistas e cientistas estão a levar para a Antárctida milhares de plantas invasoras

Os 40.000 turistas e cientistas que estiveram na Antárctida em 2007 levaram consigo, e sem o saberem, sementes de plantas exóticas invasoras, ameaçando um dos ecossistemas mais intocados do planeta, revela um estudo científico.

“Quisemos avaliar os riscos para a Antárctida como um todo, descobrindo que espécies estão a ser levadas para lá, de onde são originárias e quais os locais onde mais provavelmente se vão fixar”, disse o coordenador do estudo internacional, Steven Chown, da Universidade Stellenbosch, na África do Sul.

O estudo, publicado na segunda-feira na revista Proceedings of the National Academy of Science (PNAS), revela que foram inquiridas 5600 pessoas, sobre os seus locais de origem e trajectos de viagem, de um total de 33.000 turistas e 7000 cientistas que estiveram na Antárctida em 2007.

Depois, os investigadores passaram em revista a bagagem e equipamento de 853 voluntários. No final do trabalho concluíram que, cada pessoa levava, em média, dez sementes na roupa, bagagem, bastões, calçado e equipamento. As equipas de cientistas tendem a levar mais espécies exóticas, mas a média baixa porque o número de turistas é muito mais elevado.

Os investigadores concluíram que metade das 2600 sementes recolhidas veio de outras regiões frias do planeta. “Isto significa que muitas destas plantas conseguem sobreviver às baixas temperaturas da Antárctida, o que é preocupante”, disse Steven Chown, em comunicado. De acordo com a Universidade de Stellenbosch, muitas das sementes pertencem a famílias de plantas que já são invasoras no Árctico, por exemplo.

Tendo em conta que “algumas zonas da Antárctida vão continuar a aquecer nos próximos 100 anos”, os investigadores acreditam que “é elevada a probabilidade de muitas espécies exóticas se estabelecerem e prosperarem lá”. As zonas mais ameaçadas são a Península da Antárctida, o Mar de Ross e as regiões costeiras da zona Este. “Com as alterações climáticas, estas zonas serão muito sensíveis porque será mais fácil para as plantas sobreviverem e fixarem-se nos locais onde o gelo recuou”, disse Chown.

Actualmente, várias espécies invasoras já se fixaram na Antárctida, como a gramínea Poa annua, em Portugal conhecida por relva-dos-caminhos.

“O problema das espécies invasoras é mundial mas particularmente delicado nas ilhas onde os ecossistemas são mais frágeis”, disse à agência AFP Marc Lebouvier, da Universidade de Rennes, França, e um dos autores do estudo. “O risco em ilhas como a Antárctida é de um desequilíbrio do ecossistema que se pode traduzir na substituição progressiva destas espécies de origem por espécies importadas que podem eliminar as plantas locais”, acrescentou.

As implicações deste estudo para a conservação dos ecossistemas da Antárctida serão debatidas no próximo encontro do Tratado da Antárctida, marcado para Junho na Austrália. O estudo fez parte do projecto do Ano Polar Internacional (2007-2008) “Aliens in Antarctica” e foi apoiado pelo Comité Científico para a Investigação na Antárctida (SCAR, sigla em inglês).

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Powerpoint - Sistemática - Categorias Taxonómicas e Regras Básicas de Nomenclatura

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Há poluentes novos que estão a levantar preocupações

Os medicamentos são engolidos por milhões de pessoas todos os dias e muitas substâncias são excretadas para a natureza sem serem degradadas pelo corpo, por isso acabam por acumular-se na natureza.

Este é apenas um dos exemplos das centenas de substâncias que a humanidade produz, mas que ainda não controla o destino final, como mostra o “Engenharia num minuto”, uma rubrica feita pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto. 

“São já conhecidos efeitos resultantes da acumulação destes compostos na natureza ao longo dos últimos anos, quer ao nível da fauna marinha (excitabilidade dos peixes, diminuição de reprodutibilidade), quer ao nível dos sedimentos e águas, afectando o desenvolvimento da flora natural”, disse Arminda Alves, especialista em análise de micropoluentes e docente na FEUP. A investigadora sublinha que as porções mínimas destas substâncias não afectam a saúde das pessoas.

As substâncias mais preocupantes são, para Arminda Alves, “alguns fármacos, cuja acumulação no meio ambiente é ainda desconhecida, as fragrâncias e alguns químicos industriais como os agentes retardadores de fogo que existem em quase todos os bens de consumo”. Para a cientista deve-se fazer de imediato uma análise que avalie os riscos a que as populações estão expostas a nível regional, o que obriga a ter em consideração os hábitos de consumo das comunidades e as condições do ambiente.

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Powerpoint - Lineu e o Desenvolvimento das Classificações

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Porto Rico aprova lei para proteger maior tartaruga do mundo


Chama-se Corredor Ecológico Nordeste, tem 14 quilómetros quadrados e é a mais recente área protegida na ilha de Porto Rico, nas Caraíbas. É um dos locais onde a tartaruga-gigante, também conhecida como tartaruga-de-couro, desova.

A tartaruga-gigante é a maior de todas as tartarugas, podendo pesar 600 quilos e medir dois metros de comprimento. A carapaça tem uma camada de pele, daí o seu nome. A espécie está em perigo crítico de extinção e é uma das mais ameaçadas devido à caça, apesar de viver no oceano e ter vários locais no mundo onde faz a desova. A nova lei aprovada, depois de 15 anos de luta legal.

“Este recurso importante, muito valioso em termos ecológicos, vai ser protegido para sempre. Está a ser feita história”, diz o governador de Porto Rico, Alejandro Garcia Padilla, citado pela BBC News.

A área protegida estende-se ao longo de 21 quilómetros de comprimento, abrangendo vários ecossistemas, com centenas de espécies diferentes, 50 das quais estão ameaçadas. Além da tartaruga-gigante, na baía abrangida pela área protegida vivem microorganismos que brilham no escuro, devido à sua bioluminescência.

Esta vitória, comemorada pelos ambientalistas, foi o capítulo final de uma luta intensa. Por diversas vezes a lei foi adiada, porque políticos e autarcas queriam fomentar o turismo para desenvoler a economia da região. Vários projectos de mega-hotéis, campos de golfe e de casas de luxo foram desenhados para aquela parte da ilha, mas foram sendo sucessivamente recusados.

Apenas 8% do território da ilha – que tem um décimo da área de Portugal continental – estão protegidos. É uma percentagem pequena quando comparada com as Ilhas Virgens norte-americanas, onde 54% do território é protegido, ou com a República Dominicana, em que 42% da ilha é protegida.

Cerca de um terço do Corredor Ecológico Nordeste está nas mãos de privados, e o Estado vai ter de comprar este território. Mas, a partir de agora, os mais de 400 ninhos de tartarugas que existem ao longo do corredor vão deixar de ter o futuro ameaçado.

Uma das ideias para a região é o desenvolvimento de turismo ecológico, com caminhadas e observações da eclosão dos ovos das tartarugas.

http://www.publico.pt/