sábado, 17 de junho de 2017

O umbigo é um mundo de bactérias novas para a ciência

Quantas espécies de bactérias tem o seu umbigo? No caso do escritor e divulgador de ciência Carl Zimmer são 53, mas varia consoante a pessoa. O projecto Biodiversidade do Umbigo já descobriu ao todo 1400 variedades, das 95 amostras que já foram analisadas. Em 662 casos, os investigadores nem sequer conseguiram classificá-las dentro de uma família, o que é uma indicação muito forte de que estas bactérias são completamente novas para a ciência.

Apenas 40 espécies perfazem 80 por cento da população de bactérias que existem nos nossos umbigos (Sérgio Azenha (arquivo))

“Você sabe mais sobre as espécies que vivem na Austrália do que as que vivem no seu próprio umbigo”, diz uma frase no sítio de internet do projecto feito pela equipa de Jiri Hulcr, da Universidade de Raleigh do Estado da Carolina, Estados Unidos.

A ideia era divulgar a ciência de uma forma leve e atrair as pessoas para a microbiologia do corpo humano. “Cada pessoa é uma selva de micróbios tão rica, colorida e dinâmica que há uma probabilidade enorme de o seu corpo hospedar espécies que os cientistas nunca estudaram”, refere o site. E assim foi, o que começou por ser um projecto divertido, está a contribuir para a descoberta de uma flora completamente nova.

A equipa analisou o gene para o ARN ribossomal 16S das bactérias de 95 amostras. Este gene é muito utilizado para estudar as relações evolucionárias entre as bactérias, e comparou os resultados com os bancos genéticos que existem.

Ao todo, os cientistas já recolheram mais de 500 amostras. Entre as quais, está a “selva” do umbigo do divulgador de ciência Carl Zimmer, que escreveu um texto sobre esta experiência no seu blogue “The Loom”. A amostra tinha 53 espécies diferentes.

“Não tenho a certeza se devo sentir-me bem ou mal por esta revelação. Pelo lado positivo, sei que a diversidade faz com que os ecossistemas trabalhem melhor”, disse Zimmer, que escreve sobre ciência para o New York Times e tem vários livros publicados. Das 53 espécies, 35 só aparecerem em 10 ou menos voluntários, as outras 17 espécies Zimmer não partilha com ninguém.

Apesar das 1400 espécies encontradas ao todo ser um número grande, estes primeiros resultados indicam que apenas um pequeno grupo de 40 espécies perfaz 80 por cento da população de bactérias que existem nos nossos umbigos.

“É tentador pensar que as espécies abundantes são as boas, e que as raras são passageiras, à espera de tomar o lugar, o que por vezes pode ser feito às nossas custas”, disse citado pelo Washington Post Rob Dunn, chefe do laboratório onde a equipa trabalha e autor do livro “A vida selvagem dos nossos corpos”.
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