segunda-feira, 24 de abril de 2017

Esperança de vida da próxima geração de portugueses será inferior à actual

A próxima geração de portugueses vai ter uma esperança de vida inferior à da actual geração, afirmou hoje Manuel Coelho e Silva, professor da Universidade de Coimbra, na apresentação de um estudo em Angra do Heroísmo, Açores.

“Actualmente, a longevidade situa-se entre os 78 e os 80 anos, mas vamos assistir ao longo das próximas décadas a uma regressão da longevidade da população portuguesa devido aos jovens com peso a mais, sedentarismo elevado e inaptidão cardio-respiratória”, afirmou.

Esta conclusão resulta de um estudo sobre 'Tendência secular de crescimento e bem-estar físico e psicológico na população jovem escolar da Região Autónoma dos Açores', realizado pela Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física da Universidade de Coimbra.

Manuel Coelho e Silva salientou que este estudo é um caso único no país e dos poucos a nível europeu, frisando em nos trabalhos realizados em 1988, 1998 e 2008 foram analisados quase cinco mil jovens das ilhas açorianas.

O trabalho hoje apresentado, relativo a 2008, abrangeu 1.700 crianças e permitiu concluir que “31 por cento tem sobrecarga ponderal (obesidade) e, entre estes, dois em cada três jovens associa o sedentarismo e a inaptidão cardio-respiratória”, revelou Manuel Coelho e Silva.

Na sequência destes resultados, o investigador aconselhou, tendo em conta a saúde pública, que “devem ser definidos objectivos para uma década”.

Por seu lado, António Gomes, director regional do Desporto, garantiu que o executivo açoriano vai continuar a apostar na "manutenção dos programas de actividade física da população em geral e dos atletas federados em particular”.

António Gomes admitiu que “a tradição alimentar açoriana tem vindo a perder implantação junto da juventude, em favor de uma alimentação mais industrializada”, com menos legumes e frutas.

“Para contrariar esse fenómeno, têm sido feitas intervenções junto das cantinas escolares que melhoraram a sua oferta em termos de qualidade”, acrescentou.

Para António Gomes, “estas atitudes não são suficientes”, defendendo a necessidade de “intervir junto das famílias, não só para melhorar a alimentação, mas também para se criarem hábitos de exercício físico regular", já que "os adultos podem ser modelos para os jovens”.
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