sábado, 4 de março de 2017

Portugueses lideram estudo do solo gelado

São apenas dez anos de recolha de dados na Antárctida, mas a informação obtida pelo Grupo de Investigação em Ambientes Antárcticos e Alterações Climáticas do Centro de Estudos Geográficos da Universidade de Lisboa (CEG-UL) já permite concluir que o solo gelado está a aquecer significativamente, em especial durante o Verão.


Gonçalo Vieira, coordenador da missão portuguesa, explicou que a diminuição da camada de ‘permafrost’ – solo sempre gelado durante um período mínimo de dois anos – é uma consequência e uma causa das alterações climáticas.


“Tratando-se de matéria orgânica que está sempre gelada, com a sua fusão são libertados Dióxido de Carbono e Metano para a atmosfera. São dois gases com graves efeitos de estufa”, afirmou, ressalvando porém que o ideal será ter os mesmos dados mas durante um período de tempo mais longo: “Pelo menos 20 anos já será bom. O que temos agora é uma tendência de aquecimento. A temperatura do ar é cada vez mais quente durante o Verão e o solo gelado começa a aquecer, embora ainda num ritmo muito lento”.


Se no Árctico, a situação do ‘permafrost’ é já conhecida com algum pormenor, o mesmo não acontece no Antárctico. É no hemisfério Norte que está concentrada a maior parte do permafrost do planeta Terra, cerca de 25 por cento, enquanto na Antárctida é de apenas 1 por cento.


A Associação Internacional do Permafrost tem uma rede mundial de monitorização do solo gelado bastante desenvolvida, em especial no hemisfério Norte. O Grupo de Investigação em Ambientes Antárcticos e Alterações Climáticas do Centro de Estudos Geográficos da Universidade de Lisboa está na vanguarda do estudo do permafrost na Antárctida, colocando sondas em locais estratégicos para o seu estudo e monitorização.

André Pereira
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